A emocionante carta de Rafael Vargas para seu pai, o poeta Pio Vargas

Editora vai lançar um livro com manuscritos de Pio Vargas, além de suas intervenções em folders e capas de livros

O livro “Se o Amor é Vírus, Eu Quero Ser a Cobaia”, com manuscritos e intervenções em folders e capas de livros do poeta Pio Vargas, será lançado no dia 22 (o local ainda não foi definido) pela Editora Contato Comunicação. O editor Iúri Rincon Godinho afirma que se trata de “uma visão muito pessoal de Pio Vargas”. A obra mostra seu processo criativo, como trabalhava os poemas. “E vou editar os quatro livretos que o bardo publicou nas edições Porra Nenhuma”.

Seguir uma carta que o publicitário Rafael Vargas escreveu agora para o pai, Pio Vargas. Trata-se de um belo e emocionante texto.

Por Rafael Vargas, filho do maior poeta de sua época

É com esse verso que começo minha homenagem e gratidão a você, meu pai Pio Vargas.

Em vários momentos da vida escutei: “Como você pode falar ou pode amar alguém com quem não teve muito contato?”. Quando o senhor se foi, meu pai, em março de 1991, eu tinha 3 anos de idade. Para a pergunta, respondo: “Fácil. Não é preciso contato ou convívio para eu amar, para me sentir orgulhoso”. Afinal, sempre quando falo do senhor, meu pai, um sorriso de tamanho inexplicável se abre em meu rosto.

Papai, o senhor se foi muito cedo, pegando a todos de surpresa. Menos a mim, que não tinha idade para entender a sua grandeza e importância. Então os anos foram passando, fui crescendo e compreendendo o que ocorreu. Conheci o senhor pela voz de seus amigos, pelas histórias que minha mãe e os familiares contavam, pelo que lia na imprensa e, mais tarde, pelas redes sociais — que nem existiam quando o senhor se foi.

Com todas as informações, com todo o amor e respeito que o senhor deixou na curta passagem pela Terra, veio aquela falta, aquela tristeza. Tais sentimentos tomaram conta de mim e abriram a porta para um outro: a raiva pelo senhor ter ido tão cedo, no auge de uma carreira linda, já naqueles dias o maior poeta de sua geração.

Mesmo com tantos sentimentos conflitantes, agradeço ao senhor, meu pai, por ter me enviado à melhor família que eu poderia ter. Jamais posso dizer que não tive o amor, o carinho e a compreensão de todos. Aquele bebê órfão, aquela criança órfã, aquele adolescente órfão, o jovem órfão sempre teve o carinho e o amor da mãe Edilene, que ainda hoje está ao meu lado e é o meu porto seguro.

Cresci me escorando na fortaleza moral de meus avós Belarmino e Irenilda, me tornei adulto respirando os exemplos deles. Eles me educaram e me orientaram. Agradeço aos meus padrinhos Vítor e Magda, que me deram o melhor carinho e amor existente.

Pai, mesmo não tendo o senhor ao meu lado, tenho certeza que Deus me abençoou para que cada uma dessas pessoas cuidasse de mim e me amasse assim como o senhor faria. Infelizmente, papai, ainda não consegui superar essa grande perda que me marcará para sempre. Por vários e vários momentos imagino como seria se o tivesse ao meu lado e se a gente pudesse ter vivido a vida juntos. Do que a gente brincaria? O que o senhor me falaria? Quais os nossos passeios?

Assumo o seu legado, meu pai. Cuidarei dos seus poemas, da sua obra, de seu nome, vigiarei o que falam e como falam do senhor. Sou o seu filho. O seu único filho.

Acima de tudo, papai, quero que saiba que, onde quer que o senhor esteja, jamais deixarei de amá-lo com todas minhas forças. Obrigado por ter me colocado no mundo e por eu ser seu filho.

Eu te amo.

Rafael

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