Euler de França Belém
Euler de França Belém

Editora relança o clássico que denunciou totalitarismo da União Soviética e dos comunistas brasileiros

Livro de Osvaldo Peralva sobrevive como um relato vívido; e as ideias das esquerdas necrosaram

Osvaldo Peralva, um dos mais importantes jornalistas brasileiros, foi para Moscou — que no tempo do comunismo acolhia jovens engajados de vários países do Terceiro Mundo — estudar e militar politicamente, em 1953, ano da morte do ditador Stálin. Na capital da União Soviética, país que era a verdadeira Shangri-la das esquerdas internacionais, descobriu que os espinhos do socialismo eram mais sólidos do que as rosas. O totalitarismo grassava e os críticos do regime, mesmo os mais ponderados, perdiam seus empregos, vagas nas universidades, eram encarcerados e até assassinados.

Quando voltou ao Brasil, já sob o degelo provocado pelo Relatório Kruchev — que expôs e denunciou os crimes do stalinismo —, Osvaldo Peralva descobriu que o Partido Comunista do Brasil (PCB), depois Partido Comunista Brasileiro (PCB), mantinha-se mais stalinista do que o Partido Comunista da União Soviética. Só mais tarde, o PCB rompeu com a ortodoxia stalinista, “repassando-a” para o PC do B de João Amazonas, Diógenes Arruda, Pedro Pomar e Maurício Grabois.

Durante anos, “O Retrato” (Três Estrelas, 440 páginas), um livro importantíssimo, foi praticamente banido. A esquerda o tachava de reacionário e de “fazer o jogo da direita”. Décadas depois da primeira edição, o que se configura é que a obra de Osvaldo Peralva permanece um relato vívido do stalinismo, tanto na União Soviética quanto no Brasil, e que as esquerdas, estas sim, envelheceram e suas ideias necrosaram.

Relato honesto e preciso, “O Retrato” é um clássico incontornável.

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