O economista Nouriel Roubini é conhecido como “Dr. Apocalipse”. Porém, por acertar nas suas previsões sobre a crise econômica global, como a de 2008 — que não afetou apenas os Estados Unidos —, o professor da Universidade de Nova York afirma que deveria ser chamado de “Dr. Realista”. “Acho que o aviso sobre o risco é muito importante porque até agora temos andado com rodeios”, afirma. A “bomba” será maior do que a crise dos anos 1970 e, a partir dos Estados Unidos e da Europa, tende a se espalhar pelo mundo, atingindo, por exemplo, os países emergentes. Ele lançou recentemente o livro “MegaAmeaças: Dez Tendências Perigosas Que Ameaçam Nosso Futuro, e Como Sobreviver a Elas”.

Citando a Bloomberg, a repórter Laura Sanchez, do Investing.com, assinala: “Roubini acredita que a situação econômica que temos agora ficará muito pior”. “No livro, o que eu descobri é que a era da grande moderação, onde o crescimento era bom, a inflação baixa, 2%, acabou. Estamos entrando agora em uma era do que eu chamo de grande estagflação [economia estagnada combinada com inflação] e crise de instabilidade e dívida”, diz o economista.

Ante uma crise grande e conectada, globalizada, o que poderão fazer os políticos nacionais, como Lula da Silva, do PT, e Jair Bolsonaro, do PL? Muito pouco, exceto manter uma economia mais enxuta, o que, em tempos de populismo à direita e à esquerda, parece impossível. Ao Estado cabe ao menos “proteger” os mais pobres — que, em crises recessivas, ficam ainda mais pobres.

Na reportagem “Nova crise global será pior que nos anos 1970, diz Nouriel Roubini, o ‘Doutor Apocalipse’”, Lucas Bombana, do UOL, citando uma entrevista do economista ao podcast Odd Lots, da Bloomberg, anota: “Roubini afirmou que a crise financeira que espera à frente, resultado de inflação e juros em alta e queda no crescimento econômico, deverá ser pior do que a observada nos Estados Unidos nos anos de 1970”.

O economista sublinha que “a pressão inflacionária generalizada em escala global se deve mais a uma falta de oferta do que a uma demanda sobreaquecida”. Roubini postula, na síntese de Lucas Bombana, que “a guerra da Ucrânia e a política da Covid zero na China, ao lado de movimentos como a ‘grande renúncia’, com uma onda de pedidos de demissão na esteira da retomada das atividades [econômicas, pós crise aguda da Covid-19], vão impedir uma queda consistente e rápida da inflação, ao mesmo tempo que a alta dos juros pelo Federal Reserve (banco central americano) irá provocar uma desaceleração abrupta no ritmo da atividade econômica” (na Europa, nos Estados Unidos e no mundo).

Roubini postula que fatores estruturais, “como o aumento do protecionismo, a desglobalização e os rearranjos nas cadeias globais, também contribuem para um cenário de inflação persistentemente acima do patamar-alvo de 2% ao ano do Fed”.