Euler de França Belém
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Dois generais e mais três militares são denunciados pelo MPF pela morte do deputado Rubens Paiva

José Antônio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos e os irmãos Jurandir e Jacy Ochsendorf e Sousa são os militares denunciados

O Ministério Público Federal denunciou na segunda-feira, 19, cinco militares pelo assassinato do deputado petebista Rubens Paiva: o general José Antônio Nogueira Belham e o coronel Rubens Paim Sampaio (homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa armada); o coronel Raymundo Ronaldo Campos (reformado como general) e os sargentos Jurandir e Jacy Ochsendorf e Souza (fraude processual e associação criminosa armada). Jurandir e Jacy são irmãos. Pai do escritor Marcelo Rubens Paiva, Rubens Paiva desapareceu em 21 de janeiro de 1971 e foi barbaramente torturado por um grupo de militares. Ele não era comunista, nem mesmo era socialista. No máximo, era de centro-esquerda. Mas a paranoia militar percebia todos aqueles que tivessem algum contato com esquerdistas como militantes ou ponto de apoio aos grupos guerrilheiros.

Reportagem de “O Globo”, de fevereiro, relatou que “o general reformado Raymundo Ronaldo Campos revelou que o Exército montou uma farsa ao sustentar, na época, que Paiva teria sido resgatado por seus companheiros ‘terroristas’ ao ser transportado por agentes do DOI no Alto da Boa Vista. Raymundo, que era capitão, conduzia o veículo supostamente atacado e estava na companha dos sargentos e irmãos Jacy e Jurandir”.

Entretanto, nos seus depoimentos ao Ministério Público Federal e à Comissão Nacional da Verdade, o general Raymundo Ronaldo Campos decidiu contar a verdade. “Ele admitiu que recebera ordens do então subcomandante do DOI, major Francisco Demiurgo Santos Cardoso (já falecido), para levar um Fusca até o Alto da Boa Vista e simular o ataque. Raymundo e os dois sargentos metralharam e incendiaram o carro, jogando um fósforo acesso no tanque de combustível”, reporta “O Globo”.

Do ponto de vista histórico, portanto não apenas judicial, é um avanço que um militar que tenha participado da repressão à esquerda – e é outra mentira que Rubens Paiva estivesse articulado com grupos da guerrilha urbana – decida refazer um depoimento e expor a verdade.

“O Globo” informa que “o advogado Rodrigo Roca, que representa três denunciados (Belham, Raymundo e Paim), disse que vai aguardar a decisão da Justiça antes de agir. Ele pretende pedir o trancamento da ação”.

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