Diretoria deveria homenagear não apenas jogadores que passaram pelo clube

Por que não homenagear Gonçalino, goleiro e massagista; Pelezinho, que morreu trabalhando; Zé Marinho, roupeiro, e o médico Magno Machado?

Claudio Curado

Especial para o Jornal Opção

Recentemente, a diretoria do Goiás Esporte Clube lançou uma enquete em suas redes sociais para que os sócios-torcedores do clube escolham, dentre uma lista de 35, dezenove atletas que serão homenageados recebendo grandes placas com seus rostos e nomes no novo estádio da Serrinha que está sendo ampliado. Trata-se de copiar iniciativa de outras equipes já feita pelo mundo afora. Para ser justo com a história do clube deveriam ser 33 as placas, numa alusão ao início da agremiação.

Mas por que o Goiás não pode fazer diferente? O que boa parte dos atletas sugeridos fez realmente de excepcional para merecer ter seus nomes imortalizados junto à nação alviverde? A maioria das sugestões são de atletas que passaram pelo clube nos últimos vinte anos. E eles só jogaram num grande clube porque outros antes — atletas e pessoas comuns — fizeram do Goiás este time da primeira linha do futebol brasileiro.

Por que somente jogadores e de um determinado período para cá? Sem entrar no mérito da sugestão feita e da forma como pretendem escolher esses “ídolos” a serem homenageados, venho aqui propor um senso de justiça nesta escolha.

Por que não homenagear Gonçalino, um dos maiores profissionais massagistas do Brasil que era respeitado por médico formado? Além disto, ele foi um dos goleiros da campanha de 1966, o primeiro título do verdão. E ainda nesta área por que não um painel com a foto de Pelezinho, outro grande profissional que morreu trabalhando, às vésperas de um jogo na cidade de Itumbiara?

Por que não uma grande placa para Zé Marinho, roupeiro que deixava material de treino e de jogo impecável, limpando e lustrando chuteiras e tênis de atletas de todas as categorias e esportes praticados na Serrinha? E o que dizer de uma justa homenagem com a foto do médico Magno Machado, com décadas de dedicação ao Goiás Esporte Clube?

Por que não homenagear um rapaz humilde, que começou a trabalhar no Goiás ainda adolescente como contínuo? Um jovem esforçado que depois passou para a contabilidade, se formou e virou contador do clube chegando até a presidência. Quantos clubes podem ter o orgulho de estampar uma foto que narra a história de uma vida como a do ex-presidente  Paulo Lopes?

Seria justo um grande painel com as fotos de representantes da torcida como João Malandro e “seo” Arlindo, que era reconhecido no estádio por levar um periquito à tiracolo e fazer a alegria dos outros esmeraldinos. Símbolos de uma nação que vai ao estádio e torce, debaixo de sol ou chuva em bons e maus momentos do clube.

Atletas também devem ser homenageados. Mas jogadores que tenham profunda identificação com a equipe da Serrinha. Jogadores que surgiram para o mundo nas bases do clube ou que nele atuaram por longo período. E não jogadores que ficaram ali por uma ou duas temporadas como está sendo proposto.

A grande diferença entre os citados e parte dos jogadores sugeridos, profissionais remunerados da bola que atuaram no Goiás e que tiveram os nomes elencados na enquete, é a convicção de que essas pessoas aqui citadas sabem cantar e, principalmente, sentir o que diz o hino do grande verdão da serra: “…até o peito me doer, até perder a voz eu sou Goiás…”

Cláudio Curado é jornalista.

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