Críticos querem César Tralli como repórter mas no “JN” ele é apresentador
31 outubro 2026 às 21h26

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Tenho lido “críticas” ao apresentador César Tralli, de 55 anos, do “Jornal Nacional”. Há sites que postulam que há “insatisfação” com o jornalista na TV Globo.
O apontamento é crível? Pode até ser, mas não acredito. Porque estão exigindo de César Tralli o que ele não pode ser no “Jornal Nacional”.
O formato do “Jornal Nacional” engessa o jornalista que tem mais perfil de repórter. Porque César Tralli e Renata Vasconcellos estão lá, não para investigar (como repórter), debater e comentar as notícias, e sim para apresentá-las aos telespectadores.
Aqui e ali, tanto César Tralli quanto Renata Vasconcelos acrescentam uma breve posição e uma ligeira emoção. Mas não há tempo para que se comportem como repórteres ou comentaristas.

Então, o problema não é César Tralli — e tampouco Renata Vasconcellos —, e sim, insistindo, o formato do “JN”.
César Tralli é um repórter de primeira linha. Ao apresentar telejornal da GloboNews e o “Jornal Hoje”, da Globo, dado o formato menos rígido, tinha como nuançar as notícias, acrescentando novas informações, e até tecer comentários fortuitos, mas incisivos e perceptivos.
Sites cobram aquilo que César Tralli não pode ser — um repórter na apresentação do ‘JN’. Nos bastidores, pode se comportar como repórter, ampliando a apuração. Porém, no ar, o que se cobra dele é apresentar — o que faz com correção
No “Jornal Nacional”, César Tralli foi contratado para ser um William Bonner renovado. O jornalista cumpre bem o papel para o qual foi designado. Não há problema algum. É um apresentador correto.
Quando se tem um repórter do primeiro time é preciso aproveitar todo o seu potencial. Mas o modelo do “Jornal Nacional” não aproveita o que César Tralli tem de melhor.
Então, os sites estão cobrando, de maneira equivocada, aquilo que César Tralli não pode ser, ou seja, um repórter na apresentação do “JN”. Nos bastidores, como um dos editores do telejornal, pode se comportar como repórter, melhorando e organizando a apuração. Porém, no ar, o que se cobra dele é “apenas” apresentar — o que faz bem e com correção.
Não sei se César Tralli tem a ver com isto, mas o “Jornal Nacional” está menos burocrático, com reportagens mais densas e buscando mostrar o Brasil, digamos, profundo. Há mais esforço de reportagem do que em outros tempos. É uma evolução.
Porém, o “JN” precisa avançar um pouco mais, acrescentando opiniões embasadas sobre fatos mais complexos.
Um jornalista especializado é, muitas vezes, mais apto para explicar um tema complicado, em poucos minutos, do que especialistas, que tendem a se atrapalhar quando têm de falar, por exemplo, sobre reforma tributária em um ou dois minutos.
[Email: eulerdefrancabelem@gmail.com]


