Crítica não percebe que personagem de Jennifer Lawrence, do filme Mãe, não está no lugar de uma mãe

O traumático no trabalho polêmico do diretor Darren Aronofsky decorre da ligação íntima que apresenta e realiza entre amor e dor

Cristiano Pimenta

Especial para o Jornal Opção

“Mãe”, uma experiência traumática

Assistir ao filme “Mãe” (2017), do diretor Darren Aronofsky, é, numa palavra, uma experiência traumática. Penso aqui na referência psicanalítica de como fundado em um acontecimento imprevisto que produz em nós um buraco, um campo opaco, a respeito do qual nos faltam palavras para dizê-lo. Em vão, tentamos utilizar todos os recursos disponíveis, todas as explicações que encontramos, para tamponar esse buraco e restabelecer a ordem e a estabilidade que até então parecia reinar em nós. Por outro lado, servindo de apaziguamento, o próprio filme “Mãe” estimula a busca de explicações, na medida em que nos fornece uma série de alegorias que proliferam clamando para serem decifradas. Muitos artigos ricos e competentes foram escritos com esse objetivo de decifração das alegorias, as quais, diga-se de passagem, Aronofsky imprimiu propositalmente em sua obra. Todavia, pensamos que tal caminho, apesar de revelar uma interessante perspectiva do filme, acaba por desviar a investigação do que nos pareceu mais fecundo e virulento, a saber, a compreensão daquilo que no interior da obra foi capaz de produzir em nós esse efeito traumático.

Na dimensão do pesadelo

Logo no início do filme, depois de vermos uma casa que havia sido destruída pelas chamas se recompor como que por magia, a personagem de Jennifer Lawrence, cujo nome não sabemos (nenhum personagem do filme é nomeado), desperta de uma noite de sono. Ela vai em busca de seu marido que parece ter se levantado mais cedo e já não divide o leito com ela. Esse percurso pela casa escura, no qual ela procura por ele, já está submerso em um ar de mistério e angústia típico de filmes de suspense e terror. Quando ela chega na varanda iluminada pela luz da manhã (outras cenas também mostrarão isso), percebemos que essa casa é totalmente rodeada pela relva e pelas árvores e que não há, como seria de se esperar, ao menos uma estradinha que lhe dá acesso. Tal como o planeta habitado pelos Aliens em “Alien Covenant” (2017), também não há nas imediações nenhum passarinho cantando nos galhos das árvores e nenhum esquilo bonitinho perambulando. Há somente uma brisa assustadora que parece velar um silêncio profundo.

Essas cenas iniciais já são suficientes para nos indicar que essa casa se localiza num lugar distinto da realidade normal. Essa casa, e tudo o que nela acontece, pertence a uma Outra dimensão onde as situações mais corriqueiras, que aliás parecem não existir neste filme, estão permeadas por alguma forma de perturbação angustiante. O filme não pretende, portanto, em nenhum momento, ser verossímil. O caráter de anormalidade, estranhamento, angústia e mesmo de terror, predomina do começo ao fim. Isso se mostra, dentre outros, logo no início quando, sem mais delongas, vemos Jennifer tocar na casa, em suas paredes, e entrar em contato com o interior desta, que se apresenta como um organismo vivo. Jennifer sente as entranhas dessa casa que se apresenta como um ser vivo e ameaçador.

Nessa casa, viveremos, junto com a personagem de Jennifer, aquele sentimento típico de quando temos um pesadelo. O sonho-pesadelo é essa “outra cena” — como dizia Freud em sua obra sobre os sonhos, e como retoma Lacan em seu Seminário 11 sobre os conceitos fundamentais da psicanálise —, essa outra dimensão, onde encontramos um real insuportável, tal como Lacan postulou. Tentamos fugir dele acordando, e despertos nos afastamos de algo ameaçador que se localiza em nossa intimidade mais íntima, por assim dizer. Longe dela nos sentimos protegidos por retornar à realidade simbólica governada pelas leis da estabilidade. Em outros termos, despertamos de um pesadelo para continuarmos sonhando. Todavia, acabamos por nos darmos conta, não sem dificuldade, que essa estabilidade propiciada pela realidade simbólica é frágil e está sempre prestes a se desfazer. Qual cidadão americano ou europeu não tem hoje medo de que um ataque terrorista venha explodir sua rotina estável e introduzi-lo num pesadelo insuportável?

Por outro lado, todo pesadelo só é possível por nos submeter, por certo tempo, encarcerados nos domínios desse real onírico. Às vezes sabemos que estamos sonhando e, ainda assim, não é fácil acordar. Pois bem, “Mãe” é como um pesadelo do qual não é possível despertar. No decorrer do filme nos damos conta de que Jennifer sempre esteve presa naquela casa, e que não haveria saída para ela.

Coerente com a natureza onírica desse filme, é o fato de que todos os personagens que chegam nessa casa — desde o primeiro, Ed Harris, e logo depois, sua mulher, Michelle Pfeiffer, até a multidão que ao final do filme invade a casa — parecem terem caídos do céu. Na verdade, não chegam do lugar onde estavam, simplesmente aparecem do nada. A conclusão final a que chagaremos sobre isso é que foram inventados pelo marido, o personagem de Bardem.

Perversidade cruel

Nessa outra dimensão de “Mãe”, em que se dá essa estranha história entre um homem e uma mulher que deveriam estar vivendo um casamento feliz, as regras de funcionamento que regem os acontecimentos são igualmente outras. Observemos que tudo o que se passa se dirige à personagem de Jennifer, tudo acontece para ela. E, por outro lado, é da perspectiva dela que vemos tudo acontecer. A câmera colada em seu rosto durante quase todo o filme reforça essa posição central, de modo que tudo acontece para que vejamos de muito perto suas reações, seu o rosto atormentado, ferido.

É desde essa proximidade excessiva que assistimos ao caráter propriamente perverso desses acontecimentos. Primeiramente, o modo como o marido trata a personagem de Jennifer vai se mostrando cada vez mais cruel, mas, se observarmos bem, é cruel desde o início. É com frieza, irritação e desdém que, logo no início, ele recusa a sugestão de Jennifer para uma manhã de amor e sexo, preferindo subir para tomar o seu banho. Igualmente, o modo como Ed e Pfeiffer, o casal que se hospeda na casa, se beija na frente de Jennifer e de Bardem é lascivo e indecente. Impossível descrever aqui toda a lista de provocações e agressões. Vale mencionar algumas, como as pessoas que se sentam na pia repetidamente ou vão fazer sexo na cama do quarto do casal, infringindo as reiteradas proibições de Jennifer, elas o fazem de forma cínica e com a intenção de desrespeitar toda autoridade e toda regra de conduta que Jennifer tenta em vão impor na casa que deveria ser sua também. Nessa casa sem lei, o sujeito Jennifer é desrespeitado, desautorizado e violentado sob todas as formas possíveis. Em outras palavras, esse funcionamento se aproxima cada vez mais daquilo a que chamamos de supereu. O Outro é um sádico gozador que goza com o sofrimento e com a angústia vivida pela personagem Jennifer.

Este sadismo, do qual Jennifer é vítima, chega ao extremo de ela ver o filho que acaba de dar à luz ser devorado pelas pessoas presentes. Mais ainda, ao se revoltar com isso, ela leva uma surra de murros e ponta-pés como se estivesse apanhando de uma gangue de rua! E o caráter traumatizante desse filme está, dentre outros, no fato de que essa violência tem uma forma ascendente em direção a uma espécie de infinito. Temos o sentimento de que não acabará nunca. Isso nos permite concluir que o excesso é, em “Mãe”, um elemento que faz parte de seu próprio modo de funcionamento.

A mãe

Por outro lado, há um ponto instigante que a adoção de uma perspectiva psicanalítica revela, mas que parece ter passado despercebido aos críticos. É o fato de que é absolutamente evidente que a personagem de Jennifer não está, propriamente falando, no lugar de uma mãe. É verdade que ela dá à luz um bebê e que nós a vemos sofrer fazendo uma força descomunal no parto normal. É verdade também que ela se dilacera e enlouquece quando vê seu bebê devorado pelos hóspedes. Todavia, a posição em que a personagem de Jennifer se coloca e que prevalece no filme não é uma posição materna, pelo menos se nos valermos da psicanálise lacaniana para definir o “ser mãe”.

O “ser mãe” se estabelece na relação, que está calcada no que se chama comumente de “instinto materno”, com o filho. A relação mãe-criança se dá numa dialética complexa na qual, num de seus momentos fundamentais, a mãe se torna, não apenas o primeiro objeto da satisfação, mas, além disso, um ser dotado de uma completa onipotência. Neste momento da dialética mãe-criança, a criança experimenta a onipotência materna a tal ponto que, quando a mãe lhe traz o leite e o seio, estes são recebidos como presentes, “dons”, da parte daquele ser a quem nada faltaria.

E nessa forma onipotente a mãe é também caprichosa. Pois, não há lei que regule seu desejo, ou melhor, se houvesse uma, seria a “lei do capricho”, tal como definiu Lacan. Assim, a salvação da criança, por assim dizer, dependerá da intervenção do pai nessa relação. O pai, por sua vez, intervém por meio de uma mensagem endereçada à mãe:

“Essa mensagem é um ‘Não reintegrarás teu produto’, que é endereçado à mãe. Assim, são todas as conhecidas formas do chamado instinto materno que deparam aqui com um obstáculo imposto por essa mensagem. Com efeito, a forma primitiva do instinto materno manifesta-se — talvez mais ainda em alguns animais do que nos homens — pela reintegração oral, como dizemos elegantemente, daquilo que saiu por outro lado”. (Lacan, 1999).

A verdadeira mãe

Não é necessário ir mais longe com os conceitos psicanalíticos para confirmar a articulação que nos interessa quanto ao filme “Mãe”: não é a personagem de Jennifer que está na posição materna, mas a de Bardem. Que este apareça sob a forma do Deus pai, criador do Céu e da Terra, ser onipotente, isso deve ser visto como um recobrimento. A personagem de Jennifer, tal como na tela de Goya “Saturno devorando seu filho”, está, na verdade, no lugar do filho devorado. Ela está no lugar de quem irá sofrer o mesmo destino de seu bebê.

Nada nos impede ainda de estender essa noção de mãe trazida da psicanálise à conduta perversa de todos os hóspedes que entram nessa casa. Eles estão a serviço do personagem de Bardem, são, no fundo, frutos de sua criação, a casa. Todo esse funcionamento é regido por uma lei louca e caprichosa. Acrescente-se a isso o fato de que nesse mundo à parte, nesse mundo que aqui chamamos de materno, não há nenhum obstáculo, não há o “Não” paterno que viria proibir essa mãe de devorar seu rebento, sua criação. Neste ponto encontramos uma diferença fundamental entre o Deus judaico e a personagem de Bardem. Aquele estabelece a lei — os dez mandamentos — como uma referência que rege a conduta. Por mais severa que seja a lei judaica, ela serve de mediação, de refúgio e proteção contra o seu próprio Deus vingativo. Já o mundo da casa, o mundo de Bardem, é governado pela lei do capricho, a lei da eterna repetição do flagelo. Nele não há nenhuma mediação possível, o que faz com que o ato do suicído se apresente como a única saída. Em termos psicanalíticos, o mundo judaico é regido pelo supereu paterno, o de Bardem pelo supereu materno.

Poderíamos acrescentar, nesse sentido, que esse mundo materno não é outro senão a própria linguagem enquanto morada do sujeito, mas uma linguagem da qual está ausente a função significante — que Lacan chamou de função paterna — que viria fornecer a estabilidade, a referência, enfim, a lei, a esse campo desregulado. Na ausência do pai, o sujeito tem que se virar sozinho nesse mundo enlouquecido e enlouquecedor. Nesse sentido, o filme “Mãe” é uma boa metáfora dos tempos atuais onde não há mais pai, ou, o pai que há, tal como um Donald Trump, acaba por reproduzir em suas decisões o gozo enlouquecedor da estrutura desregulada. Hoje é recorrente, apenas a título de outro exemplo, encontrarmos no cotidiano aquilo que vemos no filme “Preciosa — Uma História de Esperança” (2009), a saber, um pai que é ele próprio o estuprador, o agente de um gozo destruidor. Vale lembrar que a psicanálise, por seu lado, não pretende ressuscitar o pai proibidor juntamente com o mundo da tradição, da religião. Antes, ela se propõe como um operador que permite ao sujeito inventar seus próprios meios para não sucumbir, sem recursos, tal como a personagem Jennifer sucumbiu.

“Todas as mulheres são loucas”

É muito evidente, portanto, que a posição da personagem de Jennifer é a de uma mulher apaixonada. Desde o início, nós a vemos sofrer frustrações e decepções típicas de um sujeito apaixonado. No final dessa história escabrosa, isso fica mais que atestado quando ela pronuncia as frases dilacerantes dirigidas ao seu amado, “Você nunca me amou, amava apenas o meu amor por você. Eu lhe dei tudo e você jogou fora… O que mais me doeu é eu não ter lhe bastado!”. Note-se que ela não faz nenhuma referência à perda do filho, que se torna absolutamente secundário em relação às questões do amor.

Esse amor, certamente, a levou à loucura, à loucura de incendiar e explodir a casa com ela e todo mundo dentro. Mas isso só foi feito depois dela fazer todas as concessões ao seu homem amado. O amor enlouquece as mulheres, eis o que o filme nos deixa ver. A fórmula de Lacan, quanto a isso, é precisa: “Todas as mulheres são loucas, mas não loucas-de-todo, mas, antes, conciliadoras, a ponto de não haver limites para as concessões que cada uma faz a um homem: de seu corpo, de sua alma, de seus bens” (Lacan, 2003).

“Amor e dor”

No fundo, o traumático nesse filme, é nossa conclusão, decorre da ligação íntima que apresenta e realiza entre “amor e dor”. Nesse sentido, de todas as cenas, as mais insuportáveis talvez sejam as últimas, nas quais, Bardem, numa crueldade sem limite, diz à sua mulher que, queimada e carbonizada, já se encontra no último fio de vida:

“Agora tenho que tentar tudo outra vez”.

Em resposta, ela lhe suplica: “Não, me deixe ir”.

“Preciso de uma última coisa”, diz ele.

“Não tenho nada mais para te dar”, declara ela.

Ele lhe pergunta apontando para seu peito: “O seu amor, ainda está aí?”

Ela lhe responde: “Anda, pegue”. Ele então lhe arranca o coração com as próprias mãos.

Esse ato de ter o coração arrancado, amputação dilacerante de um amor não correspondido, cena ao mesmo tempo belíssima e insuportável, é uma representação extrema do que uma mulher tem que fazer quando não tem outra alternativa senão romper com o objeto amado. Há que ser valente! É preciso estar a altura do ato que essas palavras fundam: “Arranque isso, por favor”.

Cristiano Pimenta é psicanalista, graduado em Filosofia (USP), mestre em Psicologia Clínica (UNB), membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise.

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Carol

Maravilhosa análise Parabéns!

Katia Safatle Barros

Excelente análise dentro do discurso psicanalítico.

glaucia cavalcante

Foi não apenas esclarecedor, foi profundo…

Dcmoreira1

Por isso que psicanálise não é ciência. Apenas confabulações baseadas no achismo.

Andre Nor

Cara, “mãe ” é de mãe-natureza. A intenção do diretor foi alertar sobre a contumaz agressão à natureza, principalmente pela cultura judaico-cristã. A mensagem do filme é primordialmente ambientalista. Interpretação psicanalítica é viagem.

Jean

Segundo o próprio Aronofsky, a personagem Verônica (sim, ela tem nome) representa a mãe natureza, e nada pode fazer em relação aos seres que a destroem (nem seu criador).. a palavra mãe tem tantos significados e interpretações que fica difícil falar que Jeniffer Lawrence não está no papel de uma mãe..

WeslleyB!tch

Da onde vc tirou que a personagem da Jennifer se chama Verônica?? Nem nos créditos do filme a personagem é nomeada

Rodrigo

Excelente! Uma análise que traz novos aspectos discutíveis sobre este filme maravilhoso. Também tive a impressão de que a personagem da Jennifer não era exatamente uma figura materna, apesar do nascimento do filho, etc. Mas não refleti tanto sobre por não ter tanto conhecimento sobre psicologia e afins, por isso, adorei ter lido mais esta análise, já que expande um pouco mais tudo que assimilei da obra. Um grande filme, com certeza.

Eduardo Grigolli

ANÁLISE psicanalítica ótima , de um profissional de ponta, porém na minha simples opinião, cada qual tem o seu significado e seus valores de interpretação de ser mãe , da vida , do universo de Deus….deixem a simplicidade do olhar e simplifiquem mais a vida…nem todos tem o alcance necessário, mas todos conseguem sentir ….essa é a maravilha do cinema e dos roteiros , das histórias, do lúdico nos questionando e provocando nossas eternas dúvidas e questões sobre a existência…

Sônia dos Santos

Fascinante e horripilante!!

Roberto Abdala Jr

Quando o cinema conta a estória que não é possível contar, torna-se mito. O filme, assim como os mitos, explica o psicanalista, instiga debates sobre aspectos mais profundos e insondáveis da existência humana. Até mesmo da experiência humana no planeta? Talvez! Mas, a função da obra de arte é fazer pensar! Fascinante interpretação! Parabéns!

Walkyria Spinelli

Brilhante, de uma lucidez incrível.

Jhonatanmarllos

Parabéns pela análise perfeita!! Mas, continuo com uma dúvida: por que a história provavalmente irá se repetir, porém, com outra pessoa no lugar da mãe natureza, com suas características?!

Ricardo Curotto

Quando a natureza se revolta, matando todos os seres humanos e se autodestruindo, ocorre o Apocalipse. Tornando-se necessário que Deus tente de novo, recriando a mãe natureza.

Opção Moto LC Motopeças

única tradução e visão desse filme (suspense/terror psicológico) é uma versão conceituada de toda passagem da BÍBLIA. Ela é a mãe natureza, esposa de Deus, a casa seria a terra sozinha no universo, que veio da escuridão, cinzas. Os visitantes desse tal paraíso, é o primeiro homem “Adão”, seguido de “Eva” na qual são expulsos do paraíso, por tocar no fruto proibido (o diamante em forma de coração), seus filhos Caim e Abel, que um mata o outro por inveja. Em seguida a super-população entra em guerra e luxúria, pondo ao fim do mundo, como em Sodoma e Gomorra, e… Leia mais

Lisiane Wecker

Assisti ao filme ontem e quase não dormi, tentando significar tudo (o que é impossível quando nos vemos intensamente na história). Ao ler sua análise, encontrei muitas respostas e mais perguntas, e agradeço por isso, Achei intrigante quanto a mãe ser o personagem do Bardem, pois só conseguia ver na personagem da Jennifer uma neurótica que entrega a realização do seu desejo ao outro que usa esse lugar perversamente.