Euler de França Belém
Euler de França Belém

Cristina Serra chega para fortalecer o portal Metrópoles

A jornalista vai escrever reportagens especiais para o portal de notícias de Brasília

Foto: Reprodução

Fica-se com a impressão que repórteres de jornais e revistas avaliam seus pares de televisão como meros “robôs”, reprodutores de notícias. É uma ideia falsa, redutora. Há excelentes repórteres na televisão patropi. Um deles é Cristina Serra, que, recentemente, deu aos leitores um livro sensacional e candente: “Tragédia em Mariana — A História do Maior Desastre Ambiental do Brasil” (Record, 486 páginas). Espera-se que nos honre com um livro sobre a tragédia, talvez crime, de Brumadinho. Os dirigentes da Vale por certo não leram o livro da jornalista, inclusive para terem “mais” humanidade ao tratar das vidas perdidas, pela segunda vez, em Minas Gerais. Vidas perdidas não apenas dos que morreram, mas também dos que sobreviveram, mas perderam parentes e parte de suas histórias-memórias.

Talvez por ter uma direção de jornalismo pouco flexível, a TV Globo está perdendo jornalistas gabaritados, como Cristina Serra. Provando a força dos veículos circunscritos à internet, o portal Metrópoles, do ex-senador Luiz Estevão e muito bem dirigido por Lilian Tahan — o “Correio Braziliense” está perdendo terreno em Brasília —, contratou os serviços de Cristina Serra. Ela fará parte de uma equipe de 200 profissionais (número que, por si, impressiona).

Cristina Serra vai escrever reportagens especiais — daquelas que os leitores tanto podem ler hoje como amanhã, porque, dada a qualidade, sobrevivem por longo tempo — e, segundo o Portal dos Jornalistas, comandará um podcast de política. A jornalista conta que testará formatos, como “entrevistas ou bate-papos com análise e informação” (política, economia, sociedade). A repórter terá o Rio de Janeiro como base, mas irá a Brasília, “duas vezes por mês”, para conversar com congressistas e vasculhar os bastidores da Câmara dos Deputados e do Senado (sem deixar de verificar o que acontece pelo Planalto, por certo). “Quero fazer pautas ligadas a questões ambientais e a direitos humanos. Quero poder viajar pelo país, conhecer os problemas de perto, enfim, sujar o sapato de lama ou poeira, em busca de notícia”, afirma. Eis o que muitos repórteres, mesmo jovens, não querem fazer. Afinal, as redações e gabinetes de políticos, com ar condicionado e cafezinho, são mais confortáveis.

Experimentada, Cristiana Serra trabalhou no “Jornal do Brasil”, na “Veja” e na TV Globo (tanto no Brasil quanto em Nova York).

A contratação de Cristina Serra pelo Metrópoles — assim como a contratação de outros profissionais por emissoras e veículos exclusivos da internet, como o “MyNews” — prova, em definitivo, que há vida, e vida rica (não se está falando de dinheiro), fora da Globo.

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