O jornal “Valor Econômico” publicou uma reportagem na sexta-feira, 2, sob o título “Entretenimento e mídia devem ter expansão de 7% no mundo neste ano”, assinada por Ricardo Lessa, com notícias positivas tanto para o Brasil quanto para todos os outros países.

De acordo com o economista Nouriel Roubini, o Doutor Apocalipse, 2023 será um ano de crise global — com uma estagflação profunda (mix de inflação com estagnação). Porém, de acordo com a empresa de consultoria e auditoria PwC, o setor de mídia e entretenimento tende a “escapar das tormentas econômicas”.

A área de mídia e entretenimento deve fechar 2022 “com faturamento de 2,5 trilhões de dólares — 7,3% a mais do que no ano passado, muito acima do crescimento do PIB global de 2,9%”.

Dan Calladine: crescimento vai ser mais lento | Foto: Reprodução

Se houve um tombo em 2020, a publicidade voltou a crescer e, sublinha o “Valor”, “caminha para chegar ao faturamento de 1 trilhão no mundo em 2026. No Brasil deve ficar em 10 bilhões de dólares no mesmo ano”. Tais previsões são da 23ª pesquisa global sobre entretenimento e mídia da PwC.

O jornal patropi frisa que, “no Brasil, entretenimento e mídia, que na pesquisa agrupa 14 segmentos, desde livros, cinema até publicidade, devem fechar o ano com 33 bilhões de dólares em receitas, avanço de 8,6%, maior que a média mundial. Até 2026, chegará pertos dos 40 bilhões de dólares”.

Os canais de televisão tradicionais — como Globo, Record, SBT e Band — “devem ter crescimento anual de 3% nas receitas de publicidade até 2026”.

Ricardo Queiroz, sócio da PwC Brasil, destaca que “a tevê aberta, que vinha perdendo um ou dois pontos percentuais anualmente na distribuição dos gastos de publicidade no” país, “deve se estabilizar, nos próximos quatro anos”.

Silvia Visani: mais serviços gratuitos na televisão | Foto: Reprodução

Dan Calladine, da agência Dentsu Internacional, pondera que “escapar [da crise de 2023 — que, segundo Roubini, será gigantesca] é uma palavra muito forte”. Portanto, “haverá crescimento, mas em ritmo lento”.

Silvia Visani, da Dentsu, acrescenta uma questão específica do Brasil: “O brasileiro tem muito senso de eu ‘eu mereço’ e demora a cortar serviços de entretenimento”. A executiva ressalva que a inflação, que está alta, tende a conter parte do consumo. A indústria automobilista, sugere, deve enfrentar dificuldades. E é um setor que anuncia muito na televisão.

Dirigente de inteligência de dados da Dentsu, Silvia Visani afirma, na reportagem do “Valor”, que “outra característica” peculiar “é que no Brasil a tecnologia de banda larga não tem tanta penetração”, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, “portanto o impacto de custos na população em geral não é tão grande. Enquanto nos Estados Unidos 90% da população dispõe de banda larga, no Brasil o percentual é de 63% e 67% para os telefones móveis, segundo a PwC. No Brasil as receitas com acesso à internet aumentaram de forma acentuada entre 2017 e 2020, mantendo a tendência de crescimento”.

O estudo da PwC indica que, no Brasil, “a receita da publicidade na internet vai crescer 10,1%. (…) A maior parte disso será aplicada em anúncios de vídeo para dispositivos móveis (59%)”.

Nos Estados Unidos e na Europa, as empresas de streaming e vídeos on demand, como Netflix e Disney plus, começam a oferecer produtos gratuitamente, porém com adoção de anúncios. No Brasil ainda prevalece o sistema de assinatura. “A diferença é a preponderância e abrangência da TV aberta no país, que já oferece canais gratuitos na versão digital e por streaming”, afirma Silvia Visani.

Ricardo Queiroz registra que crucial é a audiência. Ao contrário dos catastrofistas, o executivo postula que “a audiência da TV aberta sempre terá relevância”.

O retorno dos consumidores aos cinemas está gerando mais receitas para os produtores. “As superproduções não se sustentam só com o que é pago pelo streaming”, assegura Ricardo Queiroz. O filme “Maverick”, com Tom Cruise, “gerou mais de 1,4 bilhão de receita”, e isto nas salas de cinema.

Jogos eletrônicos vão atrair mais publicidade

Os jogos eletrônicos estão absorvendo parte dos investimentos publicitários. “São 60 a 70 milhões de pessoas que jogam no Brasil, 75% aceitariam receber publicidade e 44% já compraram alguma coisa dentro do ambiente dos jogos”, declara Ricardo Queiroz. “Embora ainda fique com uma parte pequena (23%) do total dos investimentos em publicidade, eles cresceram 33% este ano em relação ao ano passado e devem chegar a 1 bilhão de dólares em 2026, multiplicando por cinco os valores atuais”, afirma o especialista.

Os jogos eletrônicos contam com a participação de 3,2 bilhões de jogadores em todo o mundo (quase a metade da população global). “Os jogos estão em todos os lugares”, diz Ricardo Queiroz. Os jogadores são de todas as idades, e não apenas adolescentes.

A Dentsu sugere que é preciso “medir a atenção dos usuários, diante da multiplicidade de canais a seu alcance”. Isto, acredita a agência, exige que a publicidade seja mais criativa.

A PwC e a Dentsu evidenciam que seus estudos consideram que os consumidores estão cada vez mais preocupados “com sustentabilidade”. “A mídia pode construir comunidades como nunca antes, mas a maneira como isso funciona está mudando. A responsabilidade das marcas ocupa o centro do palco”, informa a Dentsu.

O relatório da Dentsu postula que, “em vez de ‘quem segue quem’, as pessoas estão procurando mais entretenimento”. Um exemplo de sucesso é o Tik Tok. Silvia Visani, na síntese do “Valor”, anota que “as pessoas buscam se divertir, mostrar uma para as outras as imagens, mas ninguém discute com ninguém, como estava acontecendo em plataformas como Twitter”.