Euler de França Belém
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Connor McGregor deve lutar (boxe) contra Manny Pacquiao em março

O irlandês não é páreo para o lutador filipino. Mas tal tipo “batalha” é mais uma guerra de mentira do que uma luta de verdade

Wilson Baldini Jr., o melhor comentarista de boxe do Brasil em atividade, comenta, no “Estadão”, que o irlandês Connor McGregor — nocauteado no sábado, 23, pelo americano Dustin Poirier — deve enfrentar Manny Pacquiao em breve, possivelmente em março.

Connor McGregor é lutador de MMA e tem um boxe afiado, mas não é páreo para um boxeador profissional como Manny Pacquiao, dono de uma pegada devastadora. Baldini sugere que a luta não deveria acontecer. “Depois vão encher o boxe de críticas, pois será um massacre com grandes chances de o irlandês ser gravemente ferido”, postula o jornalista.

Manny Pacquiao e Connor McGregor: luta-espetáculo | Fotos: Reproduções

Pode ser que Baldini tenha razão. Porque McGregor e Pacquiao vão lutar boxe, e não MMA. Mesmo aos 42 anos, o lutador das Filipinas é tremendamente forte e, segundo o jornalista, está em forma. Mas, cá entre nós, e que o Baldini não leia este texto, a luta é, sim, do interesse (do) público. Falou-se muito da “drôle de guerre” entre o irlandês e o americano Floyd Maywearther, que, tudo indica, não quis nocautear o rival europeu, por certo por entender que, mais do que uma luta, era um espetáculo altamente rentável.

Mas quem, amante de boxe, a nobre arte — talvez a sétima arte —, deixou de assistir as lutas de McGregor versus Maywearther e de Mike Tyson versus Roy Jones (dois senhores que estão com quase 60 anos)? Poucos. A imprensa cobriu as duas “batalhas” — guerras de mentiras, diria um francês que se lembre de 1940 — como grandes acontecimentos esportivos. Porque, espetáculo circense à parte, são mesmo fatos notáveis.

Pacquiao nocauteará McGregor facilmente? Talvez sim. Talvez não. O irlandês, fica-se com a impressão, não se preocupa tanto em vencer os oponentes. Sua preocupação parece ser ganhar dinheiro. Se for necessário “apanhar”, a causa, $, é pra lá de justa.

Dana White, o chefão do UFC, diz que McGregor não está mais “faminto”, dados os carrões e o iate. A vida de luxo desmotiva lutadores. E, ademais, o irlandês, um personagem fascinante — quiçá tenha escapado de algum conto de James Joyce, Jack London ou Ernest Hemingway —, se tornou um capitalista das lutas. Perdendo, ganha. Ganhando, fatura a mesma coisa. Porque é um espetáculo à parte. Paga-se para vê-lo, porque é uma estrela — e as estrelas estão em extinção no UFC.

Os marqueteiros do boxe certamente vão vender a peleja entre Pacquiao e McGregor como a “luta do século”. Mesmo não acreditando que será a luta da semana, estarei a postos para assisti-la, em ritmo de concentração.

Pacquiao, como se sabe do Zaire aos Steites, é um Muhammad Ali mignon. É pequeno como uma abelha, mas bate como um elefante ou um tigre.

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