Euler de França Belém
Euler de França Belém

Condenado por terrorismo na França, professor da UFRJ diz que vai sair do Brasil

Adlène Hicheur afirma que se sente pressionado pelo governo federal, o que não é fato; na verdade, está “fugindo” porque foi descoberto pela Imprensa

Adlène Hicheur terrorista

A Imprensa funciona? Tudo indica que sim. O terrorista ou ex-terrorista franco-argelino Adlène Hicheur, professor de física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bolsista do CNPq, chegou ao Brasil e adaptou-se rapidamente ao sistema de ensino, sem concurso público, e estava tudo muito bem. Como ninguém é ingênuo, é provável que alguém, sobretudo na universidade, sabia do passado do cientista, condenado a prisão na França por envolvimento com pelo menos um terrorista da al-Qaeda. Adlène Hicheur chegou a sugerir ao seu interlocutor na organização criada por Osama bin Laden atos terroristas contra embaixadas e, portanto, assassinatos de inocentes. Porém, mesmo não servindo para a França e para a Suíça — onde está proibido de entrar —, obteve, com extrema facilidade, mal chegou ao país, um emprego com salário de 11 mil reais e mais bolsa de 56 mil reais do CNPq.

A revista “Época” rompeu o coro dos contentes da universidade e contou, na edição que está nas bancas, a história apavorante de Adlène Hicheur. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, concedeu entrevista condenando a contratação do físico pela UFRJ. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pronunciou-se ao seu modo, sempre sugerindo mais coisas do que de fato diz. Não se sabe se Adlène Hicheur era uma ponte da al-Qaeda no Brasil — por ser um físico brilhante, apesar do histórico negativo, aparentemente é ou era menos insuspeito —, mas, ao perceber que se tornou persona non grata, decidiu anunciar que vai sair por contra própria do Brasil. Como se houvesse uma articulação para livrar a cara do governo, que nada fez para deportá-lo, o homem ou ex-homem da al-Qaeda está dizendo que se sente pressionado pelo poder público. Qual pressão, não diz. Pois o governo federal, que mantém a URJ, não lhe retirou o salário de 11 mil reais e tampouco cortou a bolsa do CNPq. Se cortou, não anunciou.

Adlène Hicheur, na verdade, está saindo do Brasil por um motivo mais prosaico: foi descoberto.

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Gabriel Simão

Existe ex-terrorista?