Euler de França Belém
Euler de França Belém

Combate à milícia das fake news não deve se tornar arma política contra a direita

Assim como a esquerda, a direita tem o direito de expressar suas opiniões. Mas Alexandre Morais tem razão no combate sistemático às milícias digitais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tem acertado nas condenações daqueles que espalham fake news — que, se eventualmente podem ser até inocentes, quase sempre prejudicam pessoas, inclusive em termo de saúde. No campo da “honra”, nem se fala — o estrago é tremendo e, em geral, incontornável, porque não há possibilidade e tempo para uma defesa ampla e adequada. A Justiça chega tarde na maioria das vezes e as redes sociais não atendem de bate-pronto aqueles que foram vilipendiados.

Não há dúvida de que o bolsonarismo esmera-se em espalhar fake news — num trabalho praticamente miliciano. Pessoas não são criticadas, e sim atacadas. As gangues digitais espalham maledicências sobre pessoas e instituições — na maioria das vezes de maneira inteiramente inconsequente. Não há nenhuma preocupação em apresentar, ao lado das “notícias”, as devidas evidências para se comprovar o que se está dizendo. O objetivo é “destruir” e conquistar e fanatizar seguidores.

Alexandre de Moraes: ministro do Supremo Tribunal Federal está acertando no combate sistemático às redes de fake news que assolam o Brasil | Foto: Reprodução

Elaboradas, e postadas, as fake news caem nas “mãos” de incautos, que, acreditando ou não na sua veracidade, multiplicam os malfeitos — produzindo “verdades” a partir de mentiras repetidas várias vezes.

Há, porém, um risco: a batalha necessária — e, às vezes, inglória — contra as redes de fake news não deve se transformar, e às vezes se transforma, num combate puramente ideológico. Pode-se falar que os jornalistas Augusto Nunes e Guilherme Fiuza são espalhadores de fake news? É provável que não. Eles são críticos, posicionam-se à direita — aqui e ali, excedem nas críticas —, mas, no geral, lidam com fatos. Pode-se censurá-los por defender o presidente Jair Bolsonaro? Não. É possível discordar deles, mas não se deve exigir que pensem como integrantes da esquerda.

Por enquanto, Alexandre Morais está se limitando a “enquadrar” os espalhadores de fake news. Mas é preciso ter cuidado para que, adiante, o “combate” não se estenda ao campo ideológico. A sociedade democrática precisa do debate crítico e livre entre suas vários correntes políticas e ideológicas. A direita precisa ter voz, e espaço para colocá-la. Assim como a esquerda e o centro político.

Recentemente, quando o pré-candidato do PT a presidente da República, Lula da Silva, disse que, se for eleito, vai propor uma regulação da Imprensa, quer dizer, seu controle, poucas vozes se elevaram para criticá-lo. Controlar a imprensa não é tarefa de presidente (excessos do jornalismo devem denunciados à Justiça), mas líderes políticos, vários deles, apreciam uma imprensa domesticada. É o que o petista quer. Nem Bolsonaro, um presidente sem estatura, ousa dizer o que o líder do PT diz. Se dissesse, seria massacrado.

Recentemente, um deputado do PT elaborou uma PEC para controlar o Ministério Público. Ao saber da história, quem não pensou que era uma proposta do Centrão e de Bolsonaro (que tem apreço por ditadores)? Pois é: trata-se de uma ideia do petismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.