Euler de França Belém
Euler de França Belém

Chico Pinheiro é o jornalista mais simpático da televisão brasileira

O apresentador “desengessou” o “Bom Dia Brasil” e sugere que se vive num mundo menos pior do que é mostrado nos jornais

Chico Pinheiro levou a descontração para o telejornalismo da TV Globo, tanto no “Bom Dia Brasil” quanto no “Jornal Nacional”. Ele escapa ao padrão sisudo dos demais apresentadores

A função principal de um jornalista de televisão não é ser simpático, mas informar bem e, portanto, contribuir para esclarecer os telespectadores. A informação rápida da tevê, com sua abrangência de assuntos, transmite a ilusão de que deixa as pessoas informadas de maneira ampla. Na verdade, as informações, dado o tempo curto, são mal processadas tanto pelos repórteres quanto pelos apresentadores e, por isso, não informam direito nem formam opiniões equilibradas sobre o que se narra. Os indivíduos que querem se informar, para além de se formar, precisam buscar informações matizadas e análises categorizadas noutros lugares, quase sempre em jornais e revistas (alguns blogs começam a avançar, para além do sensacionalismo). E, claro, há os livros, mas, para o dia a dia, não têm como competir com bons jornais e revistas.

A simpatia não é credencial, por certo, para o bom jornalista. Mas que mal faz ser simpático ao divulgar as notícias — ao menos algumas delas — e ao manter contato com os telespectadores? Não faz mal. O apresentador do “Bom Dia Brasil”, Chico Pinheiro, eventualmente do “Jornal Nacio­nal”, é, sem dúvida, o mais simpático da televisão brasileira. Se fosse apenas simpático, com aquele sorrisão de quem está de bem com a vida, seria apenas uma hiena falante.

Na verdade, Chico Pinheiro domina a televisão como poucos, mas sabe acrescentar sua personalidade à apresentação padronizada da TV Globo. Num mundo que parece desmoronar, o jornalista consegue um espaço para sugerir que as pessoas aproveitem o dia e o fim de semana. Com um sorriso paternal — talvez de avô para netos —, Chico Pinheiro sugere que, apesar das desgraças, dos corruptos que castigam as contas do Erário e dos criminosos que matam nas ruas, a vida é mesmo bela. Claro que não se trata de um Pangloss, mas também não quer e não precisa ser um Hardy (“Oh céus! Oh vida! Oh azar! … Isto não vai dar certo!”).

Chico Pinheiro não está preocupado apenas em ser simpático, em agradar os telespectadores e se tornar popular. Aos 64 anos, o gaúcho de Santa Maria (a família mudou-se cedo para Minas Gerais), cujo nome completo é Francisco de Assis Pinheiro, parece tão de bem com a vida e com a profissão que não se preocupa única e exclusivamente com os fatos narrados de modo cru pelos repórteres. Para além da circunstância, da desgraceira noticiada pelos colegas, parece sugerir que há um outro mundo possível e que, apesar de alguns não notarem, vive-se nele. Paralela­mente à simpatia, Chico Pinheiro expõe as no­tícias com o máximo de correção, adicionando, aqui e ali, comentários pertinentes — contribuindo para que o telespectador pense, e até tenha tempo para pensar, junto com o apresentador. No lugar de “diluir” a notícia, de explorar apenas as “sensações” — que é o que produz audiência —, Chico Pi­nhei­ro a aprimora, a torna, não necessariamente mais palatável (via simpatia), e sim mais nuançada. Por certo, o jornalista usa te­leprompter, mas a firmeza com que lê a notícia, como se estivesse comentando-a, deixa a im­pressão de que está falando naturalmente, co­mo se estivesse conversando com as pessoas.

Força das mulheres

Ana Paula Araújo ganhou fôlego novo na apresentação do “Bom Dia Brasil”. Renata Vasconcellos fica descontraída. Renata lo Prete se tornou a grande estrela da Globo News

As mulheres ganharam força na apresentação dos telejornais da Globo. Mas, quando fazem parceria com Chico Pinheiro, percebe-se que ficam mais descontraídas e livres, inclusive para posicionarem-se. Ana Paula Araújo chega a ser mais incisiva e posicionada do que Chico Pinheiro, e o colega não se agasta. Ao contrário, deixa a impressão de que se sente bem com o crescimento da parceira de apresentação. As pontuações de Ana Paula Araújo melhoraram, ganharam consistência, desde que se tornou colega do gaúcho que se tornou mineiro e, finalmente, se tornou carioca.

Observe quando Chico Pinheiro apresenta o “Jornal Nacional” ao lado de Renata Vasconcellos. Fica-se com a impressão de que se trata de outra jornalista. Ela fica mais descontraída, não tropeça ao divulgar as informações e sorri, mesmo mantendo aquela sobriedade que parece ser tipicamente sua. Ao lado de William Bonner, sem dúvida o mais gabaritado apresentador da televisão brasileira, Renata Vasconcellos aparenta-se intimidada, às vezes erra, e seu sorriso parece mais forçado do que espontâneo. Os dois formam uma dupla consistente, que apresenta as notícias com o máximo de correção — poucas vezes se ouviu os dois lados de uma questão como no “Jornal Nacional” —, mas falta sinergia, empatia. Um parece da Espanha e a outra da Catalunha.

Quando termina o “Bom Dia Brasil”, Chico Pinheiro diz “tenham todos um bom dia”. “Comece bem o dia” — é o que está dizendo. Depois da fala bem-humorada do colega, Ana Paula Araújo e os demais jornalistas, como a bela Cecília Malan, aparecem sorrindo.

Entre os homens, Chico Pinheiro é hors concours. Ninguém é tão simpático, e parece tão naturalmente simpático, quanto ele.

Renata lo Prete

Na Globo News, é impossível não falar de Renata lo Prete como a grande revelação tanto como apresentadora quanto como comentarista. Pensa-se comumente que é fácil ser um ás do jornalismo televisual. Não é. Exige aprendizagem, tempo. Jornalista dos meios impressos têm uma visão equivocada dos colegas da televisão, apresentando-os, às vezes, como meros ledores de notícia. Não é bem assim. A maioria deles é competente e processa as informações, de modo altamente condensado, com extrema precisão. Na Globo News, que abre mais espaço para a análise, é comum encontrar comentários e interpretações pertinentes de Renata lo Prete, Eliane Cantanhêde, Natuza Nery, Thaís Herédia, Jorge Pontual (o lorde da televisão), Guga Chacra e Gerson Camarotti (cada vez melhor, e sempre ponderado; mesmo quando acossado pela análise excessiva do “oráculo” Merval Pereira, mantém seu tom sereno e muito bem informado. Como repórter de primeira linha, sabe que a opinião, embora relevante, não pode substituir os fatos, não pode forçá-los a dizer o que não dizem).

A respeito de Renata lo Prete, tanto por sua competência quanto por sua seriedade e independência, há que se dizer que parece ter nascido para a televisão, embora tenha brilhado, inicialmente, na “Folha de S. Paulo” (é autora da grande entrevista na qual Roberto Jefferson detonou a República Petista), como repórter, editora e ombudsman. Talvez seja possível apresentar um senão: sua pressa excessiva. O coração da apresentadora, pressionada pelo tempo da tevê, parece que vai sair pela boca — tal a ansiedade que aparenta.

William Bonner e Boris Casoy são excelentes apresentadores. Mas, quando surgem no vídeo, parece que o apocalipse chegou

Retomando William Bonner, em confronto com Boris Casoy. William Bonner é craquíssimo e exigir que mude agora, que deixe de ser sisudo e se torne o Mr. Simpatia, é impossível. Ele até tenta, dá um sorrisinho meio forçado, mas foi forjado pelo padrão Globo de qualidade, que cobra(va) um distanciamento asséptico, para tornar o apresentador um deus do Olimpo. Assim, não dá mais para mudá-lo. Forçar um excelente apresentador, o senhor do tempo na tevê, a se tornar mais empático, a se mostrar sorridente, para se aproximar Chico Pinheiro, não funciona. William Bonner “virando” Chico Pinheiro seria não um William Bonner renovado, e sim uma caricatura. O melhor, então, é manter apresentadores com perspectivas diferentes, o que reforça a diversidade da Globo, contribuindo para dinamitar o velho padrão cara-fechada.

Quando William Bonner surge fica-se com a impressão de que vai anunciar o apocalipse. Talvez isto resulte da falta de suavidade com que é apresentado para ler as notícias do dia. Jornalista competente, que não é um mero ledor de informações, talvez tenha chegado a hora de pontuar algumas notícias. Diga-se que o problema não é o jornalista, mas o modelo de jornalismo do “Jornal Nacional”. No modelo atual, é quase impossível “desengessar” William Bonner. Nem mesmo o sorridente Chico Pinheiro “desentorta” o “JN”. Para o padrão atual, não há ninguém que supere William Bonner na apresentação do telejornal. Ele e o jornal são irmãos siameses.

Boris Casoy, da Rede TV!, que brilhou no SBT e na Band, é um jornalista que, além de apresentar, é capaz de dissecar as notícias. Por onde passou, quase se tornou uma espécie de voz do Brasil. Mas, como William Bonner e diferentemente de Chico Pinheiro, parece que está sempre anunciando o apocalipse, o fim do mundo. Seu sorriso, quase imperceptível, lembra mais um esgar.

Ah, quando digo que Chico Pinheiro é o jornalista mais simpático da televisão brasileira, não estou mencionando pesquisa. Estou sugerindo o que vejo no dia a dia. Sei que não é galã, que não tem milhões de fãs. Mas isto não invalida a minha tese de que, no ar, é a figura mais simpática do telejornalismo do país. Para acrescentar mais qualidades, o jornalista é expert em música, sobretudo brasileira.

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Ricardo Bagnete

Parabéns pelo texto! Extraiu bem a essência de cada um dos jornalistas, pelo menos o que eles demonstram no vídeo. Também tenho a mesma percepção de cada apresentador. Em uma próxima oportunidade gostaria de ler, as impressões que o amigo tem do apresentador Ricardo Boechat e dos apresentadores dos telejornais goianos. Forte abraço.

Jales Naves

Admiro o jornalista Chico Pinheiro pelo trabalho que realiza. Ele passa credibilidade.

Maria de Lourdes Santos

Chico Pinheiro é uma ótima pessoa, querido por tds. E não tem aquele jeito de tobô global como acontece a muitos. Já à snra Renata Lo prete falta simpatia. Empatia nenhuma. Deve ser boa jornalista pelo padrão global,sim, mas para nós telespectadores é uma máquina repetidora. É mt chata! Foi um gde erro e total prepotência da Globo demitir o William Waack. O melhor programa de política da Globo deve terdespencado. Estamos esperando paraver onde ele vai trabalhar para acompanhá-lo. Outro erro grave foi tirara Thais Heredia. Isso foi inveja ou incompetência mm.

CARLOS CESAR

Chico Pinheiro saiu de uma escola chamada bandeirantes,Bom Dia Brasil sm dúvida é o melhor telejornal da TV brasileira.

Marcel

Lixo de esquerda.