Euler de França Belém
Euler de França Belém

Chega às livrarias a biografia do genial Aldir Blanc

O livro, escrito pelo jornalista e expert em música Luiz Fernando Vianna, revela que o genial Aldir Blanc é autor de 450 composições

Pare as máquinas! Ah, esqueci: não tem mais ou quase não tem mais máquinas (impressoras). Pois bem: então, please, pare os computadores! O que quero mesmo dizer é que já entrou para minha lista penelopiana de leituras o livro “Aldir Blanc: Resposta ao Tempo — Vida e Letras” (Casa da Palavra, 352 páginas), do jornalista e escritor Luiz Fernando Vianna, craquíssimo. Sabe tudo de música. Pã (ou Pan) diria: é o cara.

Aldir Blanc Mendes (1946-1920), todos sabem, é autor da famosa música “O Bêbado e a Equilibrista”, que Elis Regina, a deusa da música brasileira, transformou em “Hino da Anistia”. Mas Aldir Blanc era e é mais do que esta composição (e vale dizer que, sem João Bosco, a música talvez não tivesse se tornado o que se tornou). Era psiquiatra e desistiu da profissão. Encontrou-se na música, seu carma, sua vida, sua alma.

Aldir Blanc, compositor e escritor: em sua biblioteca | Foto: Reprodução

Indivíduo múltiplo, Aldir Blanc escreveu romances, contos e crônicas e arejou “O Pasquim”, o jornal que debochou, com inteligência, da ditadura e, desconfio, de todos nós.

Mas o que vai imortalizar Aldir Blanc são as letras, notáveis, que escreveu — “Bala com Bala”, “O Mestre-sala dos Mares”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá”, “De Frente pro Crime”, “Kid Cavaquinho”, “Incompatibilidade de Gênios”, “O Ronco da Cuíca”, “Transversal do Tempo”, “Corsário”, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Catavento e Girassol”, “Coração do Agreste” e “Resposta ao Tempo”. A lista sugere: se está falando de um gênio… dos mais criativos.

Leio no release da editora, a ótima Casa da Palavra (que cuida tão bem de suas edições), que o livro informa que Aldir Blanc é autor de 450 composições. Pensei cá comigo: seria isto tudo mesmo? Parece que sim. Ninguém ficou menor por se aproximar de Aldir Blanc, mas todos ficaram maiores depois de terem contato com o letrista. Uma lista mínima: Elis Regina (ela existe antes e depois de “O Bêbado e a Equilibrista”? Talvez, talvez, talvez), João Bosco (grande parceiro), Ivan Lins, Guinga, Moacyr Luz e Danilo Caymmi (que também o interpretou).

Sim, como todos os mortais, Aldir Blanc tinha ao menos um defeito quase grave: não torcia para o Santos, e sim para o Vasco da Gama. Mas, como diz Jack Lemmon naquele filme célebre de Billy Wilder, ninguém é perfeito.

(Eu queria ser o primeiro a comprar, mas fiquei sabendo que meu amigo Talmon Pinheiro Lima já pediu o seu exemplar.)

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