Euler de França Belém
Euler de França Belém

Carlos Monforte pede demissão e deixa o jornalismo da Globo News

Jornalista foi responsável pela “entrevista” em que um ministro da Fazenda do governo Itamar Franco disse não ter escrúpulos e acabou demitido

Poucos jornalistas tiveram uma identificação tão forte com o jornalismo da TV Globo — seja no “Jornal da Globo”, seja no “Bom Dia Brasil”, do qual foi apresentador — quanto Carlos Monforte. Ele trabalhou 36 anos para o Grupo Globo, em várias funções. Segundo Anderson Scardoelli, do Portal Comunique, ele respondia “por cargos de gestão da Globo News desde o início dos anos 2000”. O site Na Telinha informa que Carlos Monforte, de 67 anos, pediu demissão. Não houve explicação dos motivos — se foi pressionado para sair ou não.

A cúpula da Globo divulgou uma nota sobre a saída do jornalista: “Depois de muitos anos de um brilhante e maravilhoso trabalho na Globo, Carlos Monforte não mais colabora para a empresa. A Globo só tem a agradecer a ele tudo o que fez para que o seu jornalismo tenha essa enorme credibilidade junto aos espectadores. Monforte tem e sempre terá lugar de destaque na história da Globo”. As palavras certamente são verdadeiras e, provavelmente, quem as redigiu acredita nelas. Mas são semelhantes a quase todas as notas sobre profissionais que se demitem ou são demitidos do Grupo Globo. É quase uma resposta padrão.

Carlos Monforte entrevista Rubens Ricupero, ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco | Foto de Egberto Nogueira

No governo do presidente Itamar Franco, que assumiu com o impeachment de Fernando Collor, o repórter Carlos Monforte entrevistou o ministro da Fazenda, o diplomata Rubens Ricupero. Ao término da entrevista, o ministro continuou conversando com o jornalista e, ao dizer que “o que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde”, admitiu que não tinha “escrúpulos”. O problema é que as palavras do ministro foram captadas pelo sinal de antenas parabólicas, quer dizer, foram tornadas públicas, o que provocou sua demissão.

Por sinal, as palavras são traiçoeiras, porque, na verdade, Rubens Ricupero não era (não é) um homem público inescrupuloso. Pelo contrário, sempre foi um homem exemplar, intelectualmente muito bem preparado. Não há nada que o desabone como homem de Estado. Assim como Carlos Monforte é, de fato, um profissional de primeira linha do jornalismo televisual (ele também foi repórter de “O Estado de S. Paulo”).

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