Euler de França Belém
Euler de França Belém

Carlos Gil é o novo correspondente da Globo no Japão. Substitui Márcio Gomes

O jornalista vai trabalhar como repórter na TV Globo em São Paulo, a partir de junho

Márcio Gomes troca uma metrópole, Tóquio, por outra, São Paulo

As redes de televisão do Brasil inventaram um novo tipo de correspondente internacional: aquele que, de Londres, fala do Oriente Médio e, entre outros, da África. Com imagens adquiridas de outras redes, as que vão realmente aos locais, ou com imagens velhas, repórteres — quiçá recórteres — dão pitacos sobre os acontecimentos internacionais. Se não querem enviar jornalistas aos locais onde os fatos estão ocorrendo, seria mais instrutivo contratar comentaristas especializados para explicá-los. O professor Demétrio Magnoli faz comentários de primeira linha e nem sai do Brasil. Mas é um estudioso dos assuntos que discute.

O problema não são os jornalistas em si, e sim a políticas das redes — que querem economizar, mas sem perder o glamour (afinal, alguém falando de Londres sobre a Palestina, por exemplo, é mais glamoroso do que alguém falando do Brasil sobre o mesmo local). Há exceções, como Herbert Moraes, da TV Record em Israel. Ele produz reportagens de primeira linha sobre o Oriente Médio. Há pouco tempo, entrevistou, para o Jornal Opção, a sobrevivente do Holocausto que é conhecida como “a bibliotecária de Auschwitz”. O repórter falou com Dita Kraus, observou (e transcreveu) com atenção suas palavras e mesmo sua ação corporal. Logo depois da publicação da reportagem, ela ressaltou, numa carta, a perspicácia de Herbert Moraes ao registrar inclusive sua emoção durante a entrevista na qual relembrou como era a vida no campo de extermínio.

Carlos Gil é o novo correspondente da Globo em Tóquio

Outra exceção é Márcio Gomes, correspondente da TV Globo no Japão.  Nos cinco anos em que permaneceu no país, Márcio Gomes trouxe a Ásia, e não apenas o Japão, para nossas casas. Quando estive no Japão em 1996, percebi que o país, apesar de sua riqueza, não era nenhuma Shangri-la. O índice de suicídio de jovens e velhos era alto. Jovens, porque não há espaço adequado nas melhores universidades e no mercado (quase 130 milhões de japoneses vivem num país pouco maior do que Goiás). Velhos, porque, aposentando-se muito cedo, antes dos 60 anos, não conseguem novos empregos e, às vezes, sucumbem à depressão. Márcio Gomes exibiu os países da Ásia, notadamente o Japão e a China, tanto em termos de economia e política quanto de comportamento. Lembro-me de várias de suas reportagens. Numa delas, o dono de uma série de imóveis, rico portanto, promovia a limpeza da rua. Noutra, mostrou homens mais velhos que, finalmente, haviam conseguido um novo trabalho e estavam contentes.

O que se está dizendo é que Márcio Gomes é, de fato, um repórter. Não é um jornalista de gabinete ou um recórter.

Márcio Gomes está deixando Tóquio, capital do Japão, em junho e vai trabalhar na Globo de São Paulo. Ele será substituído por Carlos Gil, que apresenta algumas vezes o “Globo Esporte” e notícias esportivas do “Bom Dia Brasil”.

Aos 47 anos, com 23 anos de Globo — começou na GloboNews —, Márcio Gomes adquiriu experiência internacional e existencial, porque conversava com pessoas de carne e osso, sem a mediação pura e simples de telefones, e-mails e redes sociais. É um grande repórter, sério (parece meio alemão) e de grande empatia com os entrevistados — o que é transmitido aos telespectadores.

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Naralia

Marcio Gomes é um excelente Jornalista/reportter. Vai ser uma pena não ver mais as reportagens dele sobre a asia. Pena.