Euler de França Belém
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Carla Lacerda lança livro sobre as vítimas do césio 137

Com o apoio do repórter Yago Sales, a jornalista revisa os dados do acidente radiológico e exibe a verdade das vítimas

Os jornalistas Carla Lacerda e Yago Sales, como colaborador, lançam na quinta-feira, 9, o livro “Sobreviventes do Césio 137” (Nega Lilu-Eclea). O prefácio é de Vinicius Sassine, repórter especial de “O Globo”. A obra — uma segunda edição que, na verdade, é outro livro — foi bancada por financiamento coletivo (crownfunding).

Carla Lacerda e Yago Sales são, antes de tudo, repórteres e não, como está na moda, “recórteres”. Eles entrevistam as pessoas, ouvem-nas detidamente, confrontam versões e só depois escrevem.

O livro questiona inclusive os dados sobre as mortes em decorrência do “acidente” do césio. Falaram em seis, 12 e, em seguida, 15. A repórter atropela o oficialismo e repõe a verdade na ordem do dia. “O livro levanta esta denúncia em manifesto contra o apagamento desta história que se iniciou em 1987 e ainda não acabou”, afirma Carla Lacerda. Talvez jamais acabe — assim como a história de Jesus Cristo, que está sempre sendo recontada.

Carla Lacerda: recontando a história das vítimas do césio e do descaso

Adepta do jornalismo literário de Gay Talese e Tom Wolfe, Carla Lacerda diz que, “a partir” do que escreveram seus predecessores — sobretudo o John Hersey de “Hiroshima” —, recontou “o trágico episódio do acidente radiológico sob o ponto de vista das vítimas”. Talvez mais do que isto: do ponto de vista da verdade — nuançada pelas informações gerais — e não dos relatórios oficiais.

“Como viviam as vítimas? O que sentiram durante a crise? Essas foram algumas perguntas que me motivaram a escrever e a registrar, por meio da história oral, a memória destas pessoas, como um patrimônio”, assinala Carla Lacerda. Há matiz um antropológico (verificável na excelente primeira edição) — para além do jornalismo.

Yago Sales: investigando a história das vítimas do acidente radiológico

Repórter persistente, Carla Lacerda não desistiu daquelas personagens que, por um motivo ou outro — abordagens sensacionalistas, quiçá —, optaram por não falar com a imprensa. Ela ouviu Lucimar e Lucélia, irmãos da menina Leide das Neves, uma das vítimas mais célebres. Ela escutou Wagner Mota e, como ele morreu, seu testemunho é raro. Há outras entrevistas.

Yago Sales, um jornalista investigativo de primeira linha, desses que gostam de gente e não das redações refrigeradas — onde as “recortagens” são escritas, ou, às vezes, quase copiadas —, entrevistou Lourdes das Neves e Odesson. Quando trabalhava no Jornal Opção, publicou uma impactante entrevista de Lourdes, a mãe de Leide das Neves.

Em poucas palavras, um livro imperdível.

Serviço

“Sobreviventes do Césio 137” será lançado na quinta-feira, 9, às 19, no Coruja Café (um dos mais charmosos de Goiânia), na Rua T-12 com a Rua T-37, no Edifício Connect Park Business, em frente à Athletics Sports, no Setor Bueno.

O livro custa 40 reais.

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