Euler de França Belém
Euler de França Belém

Brasil é o campeão em número de mortes de jornalistas por Covid

Entre 2020 e 2022, morreram pelo menos 314 jornalistas (a estatística pode ser subestimada) no país

Na Guerra Civil Americana, entre 1861 e 1865, morreram cerca de 600 mil habitantes dos Estados Unidos. A batalha do Norte contra o Sul, em termos de mortes, prenunciou as duas grandes guerras — a Primeira, de 1914 a 1918, e a Segunda, de 1939 a 1945. Terminada a luta, a violência contra os sulistas continuou e muitos, de 3 mil a 5 mil, decidiram imigrar para o Brasil (criaram colônias em São Paulo, Rio de Janeiro e Pará; ao menos dois sulistas moraram em Goiás).

No Brasil, a Guerra da Covid-19 ceifou a vida de 659 mil indivíduos — superando a mortandade do país de Abraham Lincoln e Robert Lee (nome do qual deriva o Lee da cantora Rita Lee; não que exista parentesco entre ambos).

Não se trata a luta contra o novo coronavírus como uma guerra, mas, a rigor, é uma guerra, e das mais letais, pois já morreram, em todo o mundo, 6,12 milhões de pessoas.

Vários “correspondentes” no front da Saúde, na cobertura da Covid-19, morreram. Segundo levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas, 314 jornalistas brasileiros falederam em decorrência de complicações derivadas do coronavírus. Deles, cinco são goianos: Fernando Arivelton de Souza Gomes-Fernando Lobão (cujo nome não é citado no relatório da Fenaj), de 44 anos; Fernando Contart, de 69 anos; Luiz Fernando Avelar, de 47 anos; Robson Filene, de 52 anos; e Valdeci Rodrigues, de 61 anos.

O diretor do Departamento de Saúde e Segurança da Fenaj, Norian Segatto, afirma, de acordo com texto da Fenaj, que “é plausível imaginar que os números estejam subestimados e não reflitam integralmente o tamanho da tragédia dentro da categoria”. Mais jornalistas certamente morreram de Covid.

O Brasil é campeão em número de mortes de jornalistas em decorrência da Covid em todo o mundo, superando Índia, Peru e México, informa o portal Press Emblem Campaign.

O levantamento contabilizou 699 dias da pandemia, entre abril de 2020 e fevereiro de 2022. Ocorreu uma morte a cada 2,2 dias.

Robson Filene: morte aos 52 anos

Por causa da vacinação, o número de mortes de jornalistas caiu de maneira expressiva. “Nos dois primeiros meses de 2022 foram registrados 11 casos, contra 42 do mesmo período do ano anterior”, registra a Fenaj.

Morreram mais jornalistas em São Paulo (42), Rio de Janeiro (33), Pará (24), Paraná (24), Minas Gerais (20) e Mato Grosso (19).

A Fenaj revela que morreram mais jornalistas em 2021. Foram 222 profissionais. Em 2020, faleceram 81 e, em 2022, onze.

O número de mortes de homens é mais alto: 275. Morreram 39 mulheres. Média de idade dos que pereceram — mulheres: 48,7 anos; homens: 46,6 anos. Várias pessoas jovens perderam a vida.

A Fenaj teve um papel importante na preservação de vidas. Como se sabe, muitos jornalistas puderam trabalhar em home office, mas outros não, notadamente os profissionais de televisão. Por isso, de maneira insistente, a entidade, liderada pela goiana Maria José Braga, defendeu que os profissionais deveriam ser vacinados prioritariamente. Alguns governos, como o de Goiás, acolheram sua proposta. O resultado é que, com a vacinação, caiu o número de mortes de jornalistas.

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