Euler de França Belém
Euler de França Belém

Bolsonaro, se indicar ministro do STF por ser evangélico, investe numa República teocrática

Para piorar as coisas, o presidente pretende indicar o filho Eduardo Bolsonaro para embaixador nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro, deputado federal por São Paulo | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil

O Brasil, se não fosse um país democrático, se tornaria uma República religiosa e, ao mesmo tempo, personalista. O presidente Jair Bolsonaro parece que está confundindo o público com o privado. Na democracia, não pode se comportar como rei: “O Estado sou eu”. Ao tentar nomear o filho Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos — país mais rico do mundo — mostra falta de compostura. Não só pelo fato de que o jovem não tem preparo técnico adequado para ser embaixador — não basta saber inglês; é vital entender a lógica do funcionamento das relações comerciais e geopolíticas internacionais (que são avessas às questões puramente ideológicas — imperando antes o pragmatismo). Há o problema também de o jovem deputado federal ser filho de Jair Bolsonaro. Mesmo que, legalmente, não se configure como nepotismo, do ponto de vista da legitimidade moral acaba sendo visto pela sociedade como tal. Por que não nomear uma figura de proa da sociedade brasileira — que nem precisa ser diplomata? Alguém do porte dos falecidos Roberto Campos e José Guilherme Merquior seria mais adequado.

Um garoto inexperiente como Eduardo Bolsonaro se tornaria, em questão de dias, serviçal do governo do Estados Unidos, que, ideologia de direita à parte, joga para manter a força de seu império — inclusive à revelia de aliados, como o Brasil. O Brasil, para voltar a crescer, depende mais da China do que do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do que dos Estados Unidos. Se a embaixada se tornar um canal anti-China, com Eduardo Bolsonaro sem estofo diplomático, como ficará a situação do país patropi? Mal, por certo.

André Luiz Mendonça pode se ministro do STF por ser evangélico | Foto: Reprodução

Jair Messias Bolsonaro planeja indicar um evangélico para ministro do Supremo Tribunal Federal — aparentemente tratando o Brasil como uma teocracia. É outro equívoco grave, sobretudo porque no Supremo, que deve ser laico em suas ações — até porque o Estado brasileiro é laico —, há ministros que, embora cristãos, não decidem necessariamente seguindo preceitos religiosos. Eles, como deve ser, seguem as leis do país.

Os jornais comentam que o advogado-geral da União, André Mendonça, deverá ser o próximo ministro do Supremo. Não pela competência, que deve existir, e sim porque é “radicalmente evangélico”. Jair Bolsonaro, que leva o nome de Messias como complemento de Jair, vem sustentando que vai mesmo indicar um ministro evangélico.

Bolsonaro teria rifado Marcos Pereira e Marcelo Bretas (competente e sério, por sinal), que também são evangélicos.

No momento, preocupado com questões menores mas midiáticas, Bolsonaro deixa de perceber que os brasileiros querem — mais do que chacotas e a ideologização da política e da vida pública — empregos, quer dizer, a recuperação da economia. A maioria dos brasileiros não se interessa pelo combate de Bolsonaro aos esquerdistas. Querem vê-lo combatendo é a crise econômica.

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