Euler de França Belém
Euler de França Belém

Barriga do ano: O Popular põe o coronel Brilhante Ustra no cenário da Guerrilha do Araguaia

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Se estiver certo, o “Pop” (os repórteres Rogério Borges e Alfredo Mergulhão) publicou o furo jornalístico do ano. Pesquisadores categorizados, como Elio Gaspari, Leonencio Nossa, Luiz Maklouf Carvalho e Hugo Studart, vasculharam dezenas de documentos, ouviram centenas de pessoas, entre militares e civis, e não encontraram vestígios do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (na foto acima)no cenário da Guerrilha do Araguaia (1972-1974). Como se sabe fora da redação do jornal goiano, Brilhante Ustra esteve noutras paradas — sua equipe chegou a prender um integrante do PC do B, mas longe de Goiás (Tocantins) e do Pará. O “Pop” poderia ter citado o general Bandeira, o general Nilton Cerqueira (na época, coronel), o coronel Léo Frederico Cinelli, Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió (este, citado), o coronel José Teixeira Brant (doutor César), entre outros, mas preferiu mencionar, errado, Brilhante Ustra. Sem contar que inventou um tenente-coronel Lício da Mata, que, na verdade, não existe. O nome do oficial é Lício Augusto Ribeiro Maciel.

Para o leitor verificar por si o equívoco do “Pop”, transcrevo trecho da reportagem “Araguaia, a guerrilha aniquilada” (terça-feira, 1º): “Além dele [Lício Maciel], foram apresentadas denúncias, pelos crimes cometidos durante a repressão à Guerrilha do Araguaia, contra o coronel da reserva Sebastião Curió e o coronel reformado Carlos Brilhante Ustra, além do delegado da Polícia Civil paulista Dirceu Gravina”. Outro “furo” (a rigor, uma barriga): Gravina não é citado nos livros sobre a Guerrilha do Araguaia.

O “Pop” deve fazer uma correção urgente, porque quem conhece Brilhante Ustra, que não deixa nada sem resposta, sabe que pode mover processo judicial contra o jornal.

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