As traduções de “Ulysses”, de James Joyce. Brasil vai ganhar a quarta este ano

O romance, que completou 100 anos (e Joyce nasceu há 140 anos), tem três traduções brasileiras e vai ganhar a quarta este ano

Marcelo Franco

Ontem (quarta-feira, 2) foi o centenário da publicação de “Ulysses”, do escritor irlandês James Joyce (1882-1941).

Traduções de “Ulysses”, de James Joyce | Fotos: Reproduções

A primeira tradução de “Ulysses” foi a alemã, em três volumes, de 1927 (muitos sites informam o ano de 1928, mas o exemplar que consegui mostra 1927). A francesa saiu em 1929, o que é curioso, pois o livro nasceu e foi publicado em Paris no annus mirabilis de 1922, que também viu “The Waste Land” — em 2/2/22, como sabemos, quadragésimo aniversário de Joyce, a glória da primeiríssima publicação coube a Sylvia Beach e sua Shakespeare and Company.

A primeira tradução para o espanhol ocorreu na Argentina, em 1945 (o tradutor, o publicitário José Salas Subirat, mantinha contato com Mário de Andrade); já a primeira em português é a brasileira, feita por Antonio Houaiss em 1966 — em Portugal, a primeira tradução chegou somente em 1989, apesar de ter havido antes uma edição do livro do Houaiss, com a ortografia adaptada, creio que em 1983 ou 84.

Uma curiosidade. Houaiss traduz estranhamente algumas frases, como a primeira, “Stately, plump Buck Mulligan…”, que se tornou “Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan…” — o texto flui mais livre nas duas outras edições brasileiras, de Bernardina da Silveira Pinheiro, “Majestoso, o gorducho Buck Mulligan…”, e de Caetano W. Galindo, “Solene, o roliço…” (convenhamos: “fornido” e “sobranceiro” são de lascar). Ah, sim, na edição alemã de 27 ficou “Gravitätisch kam der dicke Buck Mulligan…”, o que não entendo mas me soa belo (dos meus parcos estudos da língua de Goethe ainda me resta o som das letras).

Antonio Houaiss | Foto: Reprodução

Na (péssima) fotografia, então, a primeira tradução alemã, argentina e brasileira; como obviamente jamais terei a edição de 1922 (sai a uns 90.000 dólares na AbeBooks), aceito a portuguesa de 1989 como presente para completar uma coleção que iniciei sem saber por quê, apesar de admitir que reconheço, aqui no lado esquerdo do peito e na parte ainda não necrosada, os motivos que me levam a querer terminá-la (ou a continuar juntando as suas peças, pois isto é obra que não se encerra).

Salas Subirat: primeiro tradutor de “Ulysses” para o espanhol | Foto: Reprodução

“O Globo” anuncia que sairá este ano a quarta tradução brasileira de “Ulysses”, feita por 18 profissionais do ramo, como Donaldo Schüler (tradutor de “Finnegans Wake”) e Dirce Waltrick. O livro sairá pela Ateliê Editorial, casa de um goiano-tocantinense (nasceu em Pium), Plínio Martins Filho, professor da USP e ex-editor da Edusp.

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