Apostas: Flamengo ganha do River e do Liverpool. E pode perder Jesus pra Seleção Brasileira?

Se tivesse o Flamengo como base, a Seleção Brasileira estaria ganhando todas as partidas. O time joga bonito e faz gols. Quer mais?

Cilas Gontijo

Saiba: no sábado, 23, a partir das 17 horas, pelo menos três países vão parar: o Brasil, a Argentina e o Peru. O Flamengo joga contra o River Plate, da Argentina, pelo título de campeão da Copa Libertadores da América. O jogo será em Lima, no Peru. Argentinos e brasileiros já estão chegando ao país do prosador Mario Vargas Llosa e do poeta César Vallejo e prometem lotar as ruas e o estádio. Espera-se, porém, que a guerra se dê apenas em campo — e, claro, em termos de bom futebol. No Brasil, sabe-se, a nação se tornará rubro-negra. No caso, o Flamengo é como se fosse a nossa seleção.

Gabigol: estrela do Flamengo

Voando no Campeonato Brasileiro, o Flamengo poderá conquistar dois títulos num só final de semana. No sábado, tende a se sagrar campeão da América. No domingo, 24, se o Palmeiras não ganhar do Grêmio, o Fla será campeão brasileiro — merecidamente, diga-se. Se a política não esta dando alegrias aos brasileiros, em 2019,  ao menos se tem o Flamengo para contentá-los.

Trata-se da 13ª participação do Flamengo na disputa sul-americana. O último título do Fla numa Libertadores aconteceu há 38 anos, em 1981, quando derrotou o Cobraloa, do Chile. Um ano antes havia conquistado seu primeiro Brasileirão.

Consta no calendário esportivo que 1981 foi o ano (do) Flamengo. O clube ganhou três títulos importantíssimos: Campeonato Carioca, Libertadores e Mundial de Clubes. Em 2019, jogando com 12 jogadores — ah, sim, o craque do time é o técnico Jorge Jesus, e ele “joga” um bolão: orientando, dando broncas, bolando táticas antes e durante o jogo —, o Fla pode ganhar quatro títulos: Campeonato Carioca (já conquistado), Brasileirão (o título é inhambu na capanga — anote e me cobre depois), Libertadores e Mundial.

Jorge Jesus: o técnico se tornou o 12º jogador do Flamengo | Foto: Reprodução

Quanto a Libertadores, nada de já ganhou. Porque o Flamengo enfrentará uma equipe muito difícil, tradicional — acostumada a ganhar a Libertadores. São quatro títulos. O River Plate joga bem e é altamente competitivo, como a maioria dos times argentinos. Aliando jogo pesado com uma imensa habilidade técnica, o clube sabe como desestabilizar os adversários. Jorge Jesus certamente rezou o rosário para os jogadores do Flamengo: devem enfrentar a catimba portenha com galhardia e tranquilidade.

O escrete rubro-negro mostrou, este ano, que está preparando para as grandes batalhas. Pode-se dizer, até, que o time está jogando por música. O mesmo ocorreu em 1981 contra o Cobreloa. Consta que o Flamengo jogava tão bem que até a bola “chamava” os jogadores de “irmãos”. O clube tinha tantos craques que, se brincar, até o gandula jogava, digamos, 10% do que jogava Zico.

O time atual do Flamengo tem jogado como o de 1981 — com uma excelência rara e, para a surpresa de alguns, parece que tudo dá certo. Sorte? Não. Trata-se de disciplina tática. Mais: um bom conjunto armado pelo técnico e, claro, talento. O Fla joga bonito, pra cima dos adversários, desconcertando-os — e sempre buscando o gol. Trata-se de um futebol objetivo e sem firulas. Dá gosto ir ao estádio ou ver pela televisão o time jogar. É uma eficiência que surpreende.

Diego Alves, goleiro, é a muralha do Flamengo | Foto: Reprodução

Jorge Jesus, um deus entre os técnicos, armou um time que busca o gol o tempo inteiro e não sobra espaço para os adversários, que ficam desnorteados com o bombardeiro que dura 90 ou mais minutos.

Se quiser ganhar do River Plate, um time ofensivo, com jogadores oportunistas, o Flamengo não precisa inventar. Basta jogar como vem jogando no Campeonato Brasileiro: sempre partindo pra cima. Os argentinos, que jogam ofensivamente, ficam perdidos quando são atacados por um rolo compressor.

O que o Flamengo não deve fazer é entrar na pilha dos hermanos da terra de Jorge Luis Borges e Oliverio Girondo.

O Flamengo jogará com seu time completo — inclusive com a presença dos cinco magos — que, com um futebol objetivo e bonito, está aterrorizando os rivais (sem trocadilho com River, diga-se). Éverton, Arrascaeta, Bruno Henrique, Gabigol e Diego Alves são craques. Há quem diga que o goleiro Diego Alves, quando entra em campo, constrói um muro que impede os oponentes de vazarem suas redes. Seu apelido, nos bastidores, é Diego Fecha Tudo.

O leitor pode achar que estou exagerando, mas não vou me surpreender se o Flamengo golear o River Plate (há quem diga que até os torcedores do Boca Juniors estão torcendo pelo Flamengo). Passando pelo time argentino, pode-se reeditar o final do Mundial de Cubes de 13 de dezembro de 1981 — contra o temível (mas não invencível) time do Liverpool. Por sinal, o Liverpool já está na final, pois venceu a Champions League.

Além do Brasil, da Argentina e do Peru (frise-se que o brasileiro Didi dirigiu a seleção peruana na copa de 1970, no México), aproximadamente 184 países vão parar, por alguns minutos, por causa do jogo entre o Flamengo e o River. Estima-se que pelo menos 550 emissoras de televisão farão a transmissão. Espanha, Portugal, Alemanha e Inglaterra terão transmissão ao vivo, em canal aberto. Todo o mundo está de olho no Fla e em seus jogadores maravilhosos. O duro é que as contratações por parte dos europeus vão começar assim que o Fla derrotar o Liverpool. Sou otimista por demais? Nada disso. Sou realista.

Um torcedor do Flamengo conta que comprou uma camisa nova e um calção do time e vai usar até chuteiras para assistir o jogo. Alega que quer passar energia positiva, como se fosse o 13º jogador (sabe-se que o 12º jogador é Jorge Jesus — que é forte até no nome). O Brasil — e vários países — se mobilizará como se estivesse em tempo de Copa do Mundo. O time de maior torcida do mundo irá jogar a Libertadores com uma torcida mundial ao seu lado.

Os jogos do Flamengo hoje são mais vistos do que os jogos da Seleção Brasileira. Por quê? Porque o Fla está jogando melhor, com mais charme e, sobretudo, resultados positivos.

Não sei se procede, mas comenta-se, até, que Jorge Jesus pode comandar a Seleção Brasileira a partir de 2020. Tite não está conseguindo estruturar um time competitivo. É provável que, se convocasse pelo menos seis jogadores do Flamengo, estaria ganhando todas.

Enfim, no sábado, o Flamengo é o Brasil e o mundo que gosta de um futebol vistoso e que faz gols.

Cilas Gontijo é comentarista esportivo.

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