Mesmo com o Google à mão, percebo que a ignorância continua sendo a maior multinacional do mundo. Às vezes escrevo os nomes de Bernard Shaw, de Isaiah Berlin (um grande filósofo) e de John Gray (o filósofo vivo que leio com mais prazer, dada sua desconfiança nas certezas do iluminismo) em artigos e notas, e algumas pessoas perguntam: “Quem são?” Desconfio que a maioria só sabe mesmo, de cor e salteado, nomes de atores de cinema e televisão. Aliás, mesmo pessoas civilizadas, até professores universitários, não citam mais livros para sustentar seus argumentos; citam filmes.

O Google, deus da internet, deveria servir, e não raro serve, aos que não têm preguiça, para consultas básicas. Eu, mesmo tendo uma memória de elefante, consulto o sistema de busca com frequência. Há informações desencontradas, mas quase sempre minhas consultas são produtivas.