Euler de França Belém
Euler de França Belém

Ao expor crueldade da guerra, jornalista americano é morto na Ucrânia

Brent Renaud estava filmando civis que fugiam de bombardeiros das tropas de Putin quando foi baleado

O jornalismo não para guerras, mas às vezes contribui, ao mostrar sua crueldade, para estarrecer as pessoas do mundo inteiro. Quando isto acontece, os homens da guerra — não se sabe se Vladimir Putin, o czar-presidente da Rússia — não raro se assustam. O chefão da Rússia, que opera a invasão e destruição da Ucrânia, há vários dias, finge que está negociando e mantém o ataque, matando militares e civis do país vizinho (o que já havia feito na Chechênia, tempos atrás).

Ao final da invasão, a Ucrânia terá milhares de mortos, famílias destruídas, e a economia em frangalhos, que terá de ser recuperada, junto com a infraestrutura, às custas de empréstimos externos e de ajuda a fundo perdido de alguns países. Agora, com a morte do jornalista, cinegrafista e cineasta americano Brent Renaud, de 50 anos, fica evidente que os russos não estão atacando apenas unidades militares. Na verdade, todo mundo sabe disso, mas os putinistas, mentindo o tempo inteiro, dizem que não atacam civis. Como não há guerra cirúrgica, civis continuam morrendo.

Brent Renaud, jornalista e cinegrafista americano | Foto: Reprodução

Brent Renaud, jornalista e cineasta, trabalhou para a HBO, NBC e “New York Times”. No momento, estava colhendo informações e imagens possivelmente para algum documentário ou mesmo para repassar para alguma agência de notícias. Como usava o crachá do “Times”, certamente para abrir portas e se proteger, acreditou-se inicialmente que estava a serviço do jornal americano.

O jornalista foi morto num subúrbio de Irpin, onde os russos atacaram fortemente.  Ele estava colhendo informações a respeito de civis fugindo dos combates.

O jornalista Juan Arredondo, que estava com Brent Renaud, foi ferido e está internado. Ele contou que estava junto com o profissional americano, num carro, quando foram baleados.

Junto com o irmão Craig Renaud, Brent Renaud cobriu as guerras no Iraque e no Afeganistão, o terremoto do Haiti e a violência dos carteis de drogas no México. Ele ganhou um prêmio Peabody com um documentário.

A porta-voz do “Times”, Danielle Rhoades Ha, disse: “Estamos profundamente tristes ao saber da morte de Brent Renaud. Brent era um cineasta talentoso”. A curadora da Fundação Nieman (de Harvard), Ann Marie Lipinski, declarou sobre o jornalista: “Era talentoso e gentil, e seu trabalho estava cheio de humanidade. O mundo e o jornalismo ficaram menores por isso” (a morte do profissional). Brent Renaud foi bolsonista da fundação. O conselheiro do ministro do Interior da Ucrânia, Anton Gerashchenko, sublinhou: “Pagou com a vida por tentar expor a ‘crueldade’ da Rússia”.

O tribunal internacional de Haia vai julgar Putin como “criminoso de guerra”? Provavelmente, não. Porque o presidente russo opera um país que tem um imenso arsenal nuclear (por falar nisso, não custa lembrar que a União Soviética, da qual a Rússia era a mais importante República, roubou o “segredo” da bomba atômica dos Estados Unidos).

O jornalista David Nasser escreveu um livro, com o título de “Falta Alguém em Nuremberg” (referia-se a Filinto Müller, o cruel chefe de polícia do governo de Getúlio Vargas). Sempre falta. Mas, diria Drummond, “Nuremberg não há mais”.

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