Euler de França Belém
Euler de França Belém

Ao “entrevistar” Felipão, Mario Sergio Conti quase cria o seu boimate

O colunista da Folha de S. Paulo entrevistou um ator acreditando que havia falado com o técnico da seleção brasileira de futebol

O jornalista Otávio Cabral escreveu uma biografia muito boa, ainda que lacunar – o ex-deputado não quis conceder entrevista (e não se pode fazer com todo mundo o que Gay Talese fez com Frank Sinatra, pois se tratava, no caso dos americanos, de um mero perfil. Talese ouviu as pessoas que conviviam com o cantor) – sobre José Dirceu, o ex-mandachuva do PT, espécie de Lula sofisticado. “Dirceu – A Biografia” (Record, 364 páginas) foi lida como uma tentativa de demolir um dos pais do mensalão. Lida atentamente, a biografia mostra o quanto Dirceu foi decisivo para a criação do PT e, sobretudo, para que o partido chegasse ao poder. Mais do que qualquer outro líder, ou intelectual do PT, o hoje presidiário contribuiu, com rara firmeza, para moderar o Partido dos Trabalhadores e para conter o próprio Lula – que, mesmo nunca tendo sido radical, é dado a arroubos autoritários. Quando o livro foi lançado, Mario Sergio Conti, então na revista “Piauí”, escreveu uma resenha, apresentada como “devastadora” pelos dirceuzistas – um deles o panglossiano jornalista Renato Dias –, quando, na verdade, era um ataque gratuito a Otávio Cabral. Nenhum dos erros apontados compromete a história central contada no livro.

Repórter cuidadoso, durante anos editor exigente da “Veja” – implacável com aqueles que erravam –, Mario Sergio Conti pode ter cometido a barriga do ano. Colunista da “Folha de S. Paulo”, Conti escreveu um dos textos mais lidos da semana, “Felipão sobre Neymar: ‘Se tivéssemos três como ele, a Copa seria uma tranquilidade’”.  O repórter teria entrevistado o técnico Felipão num voo do Rio de Janeiro para São Paulo. No período da Copa, quando Felipão faz opção pelas entrevistas coletivas, era praticamente um furo. No caso, um furo na credibilidade de Conti.

O rigoroso Conti entrevistou, na verdade, o ator Vladimir Palomo, um sósia de Luiz Felipe Scolari. O técnico estava em Fortaleza. Conti também “viu” Neymar, outro ator. O jornalista chegou a convidar o falso Felipão para uma entrevista ao seu programa na Globonews, “Diálogos”. Palomo entregou-lhe, então, um cartão: “Vladimir Palomo – Sósia de Felipão – Eventos”. Nem assim Conti percebeu o que estava acontecendo. Estaria sóbrio? A “entrevista” é o seu boi que “produz” tomate – o boimate?

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paula

e quem autorizou? não se do conta da impossibilidade geográfica?