Euler de França Belém
Euler de França Belém

Ao deixar o acordo do clima, Donald Trump joga para a torcida americana

O presidente republicano susgere que está “fechando” os Estados Unidos para o povo do país de Faulkner


Donald Trump: de olho na competição acirrada com a China, o principal adversário dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um radical de direita. Não uma direita solidamente ideológica, e sim uma direita comercial, que quer tornar o mundo, cada vez mais multipolar, um quintal do país de Henry James e William Faulkner. A decisão de retirar os EUA do acordo do clima é intempestiva, na avaliação dos comentaristas da Globo News, que parecem à beira de um ataque de nervos.

A retirada não é realmente positiva para o mundo, nem mesmo para os Estados Unidos, quando se trata de se preocupar com a sobrevivência de todos. Mas, ao que parece, Donald Trump está preocupado com o imediato, com a economia americana, e por isso provavelmente foi eleito. “Fechar”, sem fechar inteiramente, os Estados Unidos pode ser uma decisão positiva, do ponto de vista dos americanos. Atrair empresas antes desprezadas, porque poluentes, pode gerar mais empregos internos. Afinal, a China, país que ameaça a hegemonia econômica dos States, é campeã em poluição, e, apesar da suposta boa vontade, não faz muito para requalificar sua indústria. Pelo contrário, o país que funde comunismo (na política) e capitalismo (na economia) passa por uma revolução industrial altamente acelerada, nos moldes dos primórdios da Revolução Industrial da Inglaterra. Esse tipo de revolução não se preocupa com as pessoas e com a natureza. O que se quer, e o que se faz, é uma poderosa acumulação primitiva, sem medir consequências.

Os Estados Unidos são poluentes, dada a vitalidade e o gigantismo de seu setor industrial e à sua imensa capacidade de consumir, mas, mesmo o governo refutando o acordo de Paris, não significa, necessariamente, que o país vai se tornar muito mais poluente. Há, na terra do cientista Edward Osborne Wilson, uma consciência, tanto por parte da população quanto dos empresários, de que é preciso manter a poluição em níveis suportáveis. Mas o recado de Donald Trump está dando: os Estados Unidos querem submeter, não pretendem se subordinar aos ditames de outros países. O republicano pode não ser reeleito? Sim. Mas ele está jogando para a torcida americana, sugerindo que, com sua decisão, o país poderá gerar mais empregos internos, portanto mais renda para todos. Consumir, em larga escala, é o grande “negócio” americano.

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