Euler de França Belém
Euler de França Belém

Anita Leocádia Prestes lança livro de memórias pela Editora Boitempo

Goste-se ou não, o que a filha de Olga Benario e Luiz Prestes escreve acaba por ser um documento de um tempo

O brasileiro Luiz Carlos Prestes e a alemã Olga Benario chegaram ao Brasil, no início da década de 1930, oriundos da União Soviética, com uma missão: comandar a revolução comunista no país. Eram aliados políticos e acabaram se apaixonando. A revolução, porém, faltou ao encontro, com a Intentona Comunista, que, como o nome, sugere, não passou de uma “intentona”. Os dois acabaram presos e Olga Benario foi entregue ao governo nazista de Adolf Hitler e morreu na Alemanha, num campo de concentração, com apenas 34 anos. Foi assassinada. Foi entregue pelo governo do presidente Getúlio Vargas — que tinha simpatia pelo regime alemão e só mais tarde integrou-se aos Aliados, sob pressão dos Estados Unidos e da sociedade patropi.

Anita Leocádia Prestes: historiadora | Foto: Reprodução

Olga Benario deixou uma filha, Anita Leocádia Prestes. Depois de uma batalha global, a menina foi entregue à família de Luiz Carlos Prestes. Anita se tornou historiadora, professora universitária com doutorado, e escreveu vários livros — sobre a Coluna Prestes e uma biografia do pai (espécie de “rival” da biografia mais nuançada de Daniel Aarão Reis Filho). Trata-se de uma mulher radical, uma defensora apologética do genitor, mas, acima de tudo, é de uma integridade ímpar. A biografia que escreveu do pai beira à hagiografia, mas é extremamente útil para compreendê-lo. Porque, apesar do engajamento comunista, há em Anita uma pesquisadora escrupulosa. O livro, portanto, é um documento valioso.

Agora, Anita está lançando “Viver e Tomar Partido — Memórias” (Boitempo, 376 páginas). Mesmo quem não aprecia as ideias comunistas, às quais Anita é fiel, deve, se interessado na história do Brasil no século 20, deve ler a obra. O que Anita escreve acaba por ser, para além de suas interpretações, verdadeiro documento de um tempo.

Anita Leocádia Prestes, em 1957, lendo “Última Hora”, jornal anti-udenista| Foto: Reprodução

A Editora Boitempo informa, na sinopse: “Nesta obra, Anita registra as impressões dos episódios que marcaram sua vida, explorando acontecimentos pouco divulgados pelos meios de comunicação, na expectativa de que sejam experiências úteis para as novas gerações. Os onze capítulos que compõem o livro acompanham o percurso da filha de presos políticos nascida num campo de concentração da Alemanha nazista, sua libertação, a infância junto da avó, costurado sobre o pano de fundo da história do século 20. A ascensão e a queda do governo Vargas, os diversos fechamentos do PCB, a prisão de seus pais, a execução de sua mãe pelo governo Hitler, golpes e anistias são feitos tecido de uma vida de militância, que nunca hesitou em declarar seu caráter partidário, comunista. O texto articula com rigor e delicadeza objetividade histórica e estratégias subjetivas de sobrevivência e luta, representando ao mesmo tempo preciosa fonte historiográfica e de inspiração militante. No anexo, cartas inéditas, poemas e trechos de jornais contextualizam o relato em meio a fatos. O título ‘Viver É Tomar Partido’, frase do poeta e dramaturgo alemão Christian Friedrich Hebbel retomada pelo intelectual italiano Antonio Gramsci, resume o modo peculiar como a autora encara sua vida, totalmente imbricada em seu ativismo político”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.