Euler de França Belém
Euler de França Belém

André Petry opera para retirar o espírito de “cruzado” da revista “Veja”

Novo diretor opera um jornalismo mais rigoroso e menos ferino. O que se busca? Novos leitores

Divulgação

André Petry, que assumiu a direção de redação da “Veja” há pouco tempo, está mudando, por enquanto levemente, o jornalismo da revista. Percebe-se que o espírito de “cruzado” está cedendo lugar a um jornalismo mais rigoroso e menos ferino e, digamos, rancoroso. Há reportagens longas e bem-feitas, sem o tom amargo e cético de antes.

A cobertura da chacina de presos no Amazonas é um exemplo. Noutros tempos, a tendência era uma cobertura pauleira, às vezes com ataques viscerais aos presos (todos — vivos e mortos). No reinado de André Petry, a “Veja” fez uma cobertura mais reflexiva. As análises são pertinentes. Fica-se com a impressão de que, sem excluir a opinião, o espírito do repórter rigoroso está voltando à revista.

Na internet, o espírito de cruzado é mantido, sobretudo devido a alguns colaboradores, como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. No geral, a “Veja” está mais moderada e cautelosa, o que não quer dizer amedrontada.

Durante algum tempo, a “Veja” parecia não se preocupar com certo contencioso com parte de seus leitores. Agora, retomando o bom senso — que não significa excluir uma crítica precisa e, às vezes, demolidora, além de manter um saudável espírito liberal —, a revista está se tornando mais aberta, com colaboradores mais reflexivos. Mais análise e menos ataque — talvez seja uma síntese do que André Petry começa a fazer.

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Adalberto De Queiroz

Não sei se conseguirá novos leitores. Pode até perder os antigos…É o problema de público-alvo. O certo é que o país está mais apaziguado após o impeachment de Dilma, então, há espaço para um jornalismo menos militante.
Na área internacional, VEJA reproduz o ‘mainstream’: é anti-Trump e pró-liberais (à la americana, i.e., new left).