Euler de França Belém
Euler de França Belém

Anderson Silva e Vitor Belfort vão “nocautear” Tito Ortiz e Holyfield?

As lutas são favoráveis aos grandes lutadores brasileiros, mas Holyfield tem uma pegada forte. Ortiz tem mais força do que técnica

Boxe, sabe-se em Hollywood, é a sétima arte e sua estrela maior é Muhammad Ali — um lutador-artista inspirador. Boxe, sabe-se em Bollywood, é a nobre arte.

Quem não está louco — loucura sã, é claro — para assistir a luta entre Anthony Joshua e Tyson Fury? Torço para o grande Joshua, mas intuo que perderá para Tyson, dada a fúria deste.

Quem não está louco — uma simaobacamartia do bem — para ver as próximas lutas de Saúl “Canelo” Álvarez e Gennady Gennadyevitch Golovkin (GGG ou Triple G)?

Pois é, mas enquanto o quarteto não entra no ringue, parem as máquinas neste sábado, 11, porque é preciso assistir as lutas de boxe de Vitor Belfort contra Evander Holyfield e de Anderson Silva versus Tito Ortiz. Quem ganha e quem perde não importa. São lutas-espetáculos — quiçá como todas as outras — de artistas incontornáveis.

Anderson Silva, Evander Holyfield, Victor Belfort e Tito Ortiz | Foto: Reprodução

O canal Combate (do qual sou assinante, e não dos muitos animados, pois as lutas de MMA — que é boxe bárbaro — estão modorrentas) vai transmitir as lutas a partir das 18h35 (a TV Globo vai reprisá-las, na madrugada).

A narração é do colosso Rhoodes Lima e os comentários ficam a cargo dos excelentes Daniel Fucs (o Harold Bloom do boxe; o que ele diz é fato, não é opinião), Minotauro e a fabulosa Anna Hissa (comentarista de primeira linha; só perde, quando perde, para Luciano Andrade).

A pegada de Holyfield é — ou era, a idade de 58 anos não ajuda (os braços, depois de alguns minutos — e serão oito rounds com dois minutos cada —, pesam como chumbo) — é superior à de Belfort. Mas poucos lutadores têm o coração de touro bravio do brasileiro. É um varão de Plutarco — diriam o crítico literário Marcelo Franco e o poeta Carlos Willian Leite.

Um prognóstico? Holyfield tem a chance de vencer nos três primeiros rounds — dada sua pegada atômica (é um peso-pesado). Mas, se cansar, será “nocauteado” por Belfort.

Anderson Silva recriou o MMA, sobretudo porque sempre esteve acima de todos os outros lutadores, em qualquer peso. É um artista. Sua opção pela nobre arte explicita que se trata de um Picasso do octógono e do ringue. Spider se diverte, mesmeriza seus adversários e encanta as plateias. Não é pura força bruta, seu corpo é um pincel que “esculpe” as lutas e os rivais pois, como se disse, é um artista. O UFC perdeu com sua aposentadoria. A maioria dos lutadores atuais, excetuando Connor McGregor, é unidimensional. Tito Ortiz é força bruta, sobretudo no chão. Mas em pé terá dificuldade para vencer o brasileiro. Os dois têm 46 anos e estão em forma, aparentemente.

Quem vence? Tudo indica que Spider.

O objetivo das duas lutas não é o nocaute em si, mas o espetáculo. Mas o que o público gosta mesmo é de nocaute.

Já avisei minha mulher, Candice (que vai acabar se tornando fã da nobre arte), que estou concentrado para a luta. Não atenderei telefonema nem do admirável papa Francisco, o Jorge Luis Borges da Igreja Católica.

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