Euler de França Belém
Euler de França Belém

Alistado como soldado, jornalista morre durante ataque da Rússia à Ucrânia

Casado e com uma filha, Viktor Dudar deixou o jornalismo de lado, não quis sair no país e alistou-se, voluntário, no primeiro dia da invasão

A Ucrânia deu à literatura mundial dois grandes escritores (fala-se apenas dos mais conhecidos) — Nikolai Gógol, autor de “Almas Mortas”, e Mikhail Bulgákov, autor de “O Mestre e Margarida” —, além do notável revolucionário Liev Trótski (assassinado no México, em 1940, por um pistoleiro a mando de Ióssif Stálin).

Liev Trótski era um intelectual de imensa coragem. Stálin queria que se calasse, a respeito do totalitarismo na União Soviética, mas ele resistiu e se manteve crítico até o fim. Assim como Lênin (leitor do grande Herzen, que merece ser editado no Brasil) e Bukhárin, Trótski escrevia muito bem, inclusive sobre literatura.

Viktor Dudar: jornalista ucraniano morto durante a invasão da Rússia na Ucrânia | Foto: Reprodução

Entre as décadas de 1920 e 1930, Stálin perseguiu de maneira implacável a elite intelectual da Ucrânia. Estima-se que, além dos 4 milhões ucranianos que morreram de fome — uma fome artificial, criada pelos bolcheviques de Moscou, com Stálin na comissão de frente —, foram assassinados 200 intelectuais nacionalistas da então República.

Viktor Dudar, dos dias atuais, era um jornalista ucraniano. Um repórter, mas também um patriota, tanto que, assim que a Rússia começou a invadir a Ucrânia, alistou-se para combater a invasão criminosa. Ele não titubeou e se alistou, como voluntário, no primeiro dia, em 24 de fevereiro. Não queria tão-somente cobrir a invasão brutal, queria lutar, e lutou, pela soberania de seu país. Agora, os jornais informam que Viktor Dudar “morreu perto da cidade de Mykolaiv durante combates” contra “forças russas”. Como se vê, ao trocar a caneta (ou o computador) pela metralhadora ou pelo fuzil, o jovem defendia seu país.

A ação de Viktor Dudar é heroica, porque, como jornalista, poderia ter ficado à parte, ou então, como muitos — na batalha pela sobrevivência —, poderia ter saído do país rumo à Polônia, Alemanha e outros países. Era casado com a jornalista Oksana Dudar, com quem tinha uma filha.

O sindicato da categoria reconheceu a luta do colega: “O Sindicato Nacional dos Jornalistas da Ucrânia expressa as suas sinceras condolências à família e aos colegas de Viktor Dudar. É muito triste que a comunidade jornalística perca verdadeiros patriotas e profissionais, devido às ações agressivas dos ocupantes russos”.

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