Euler de França Belém
Euler de França Belém

Academia Sueca dará o Nobel de Literatura a Philip Roth, Milan Kundera ou Joyce Carol Oates?

Outros nomes para o Nobel: o sírio Adonis, o português Lobo Antunes, a brasileira Adélia Prado, o argentino Cesar Aira e a uruguaia Cristina Peri Rossi

Nas fotos em destaque, Philip Roth e Joyce Carol Oates. Embaixo, Cesar Aira e Adélia Prado. Em cima, Milan Kundera e Lobo Antunes | Foto: Reprodução

Aos 84, o escritor americano Philip Roth aposentou-se e, como tal, pode ganhar o Nobel de Literatura de 2017. Os acadêmicos suecos não parecem receptivos a romances como “O Complexo de Portnoy”, “O Teatro de Sabbath” e “Pastoral Americana”. São obras-primas. Mas, como Roth garante que não vai publicar mais livros, os escandinavos de repente podem premiá-lo. Serão aplaudidos no mundo inteiro.

Os suecos não parecem afeitos a Milan Kundera, que, apesar dos 88 anos, continua publicando literatura e crítica literária (ensaios). O tcheco é um autor de alta qualidade, às vezes subestimado, sobretudo depois de ter se tornado best seller com o belíssimo romance “A Insustentável Leveza do Ser”.

Se não quiserem premiar Philip Roth, Cormac McCarthy (“Meridiano de Sangue” é qualquer coisa assim pra lá de Bagdá), Don DeLillo, Paul Auster e Milan Kundera, os suecos deveriam consagrar a obra de Joyce Carol Oates, a escritora americana de 79 anos. Ela é autora de romances do balacobaco, como “A Filha do Coveiro”. Por que não o grande Ian McEwan (“Reparação” é uma espécie de nona maravilha da literatura universal), Martin Amis, Julian Barnes, Richard Ford e William Kennedy (um gigante, criador de uma literatura tão legendária quanto a de García Márquez), John Banville?

Por que não Amós Oz, o notável escritor israelense?

O português António Lobo Antunes, com sua prosa difícil mas de rara excelência, merece o Nobel de Literatura? Sim, mais do que José Saramago, o romancista menor da terra de Eça de Queirós.

O poeta sírio Adonis cansou-se de não ser premiado. Os suecos, que já se cansaram de não premiá-lo, deveriam bancá-lo, não porque a Síria está na ordem do dia, e sim porque é mesmo um poeta de vários méritos.

Se planejam premiar a ousadia, os suecos terão coragem de apostar no francês Michel Houellebecq? Depois de conceder o Nobel a um escritor de segunda categoria, Bob Dylan — músico-compositor de primeira categoria —, num ato aparentemente de rebeldia, os acadêmicos talvez não tenham coragem de apostar noutro ato de coragem.

Se quiserem beneficiar um nórdico, de apenas 48 anos, a pedida talvez possa ser o irreverente Karl Ove Knausgård.

Se quiserem premiar um latino-americano, que tal Cesar Aira? Não querem um argentino? O prêmio ficaria muito bem nas mãos da poeta Cristina Peri Rossi, uruguaia que mora na Espanha.

Já que Ferreira Gullar morreu, injustiçado, que tal conceder a honraria à poeta brasileira Adélia Prado? Querem valorizar um prosador patropi em atividade? Talvez seja possível cotar Milton Hatoum ou Cristóvão Tezza, dois escritores de primeira linha.

É possível que os suecos deem o Nobel a uma escritora feminista? É. Se boa escritora, como a nobelizada Toni Morrison, não tem problema. Pode ser alguém da África? Claro, assim como pode ser da Ásia.

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