Euler de França Belém
Euler de França Belém

A química Joana D’arc admitiu que mentiu sobre Harvard. Que tal deixá-la em paz?

O que se defende é uma imprensa conscienciosa, que saiba entender quando um assunto está esgotado e que a professora é um ser humano

Reportagens de “O Estado de S. Paulo” demonstraram, de maneira cabal, que a professora brasileira Joana D’Arc Félix de Souza não fez pós-doutorado em Química em Harvard. Ela tem mestrado e doutorado — na Unicamp, um das mais prestigiosas universidades brasileiras —, mas não estudou na universidade americana.

Não há dúvida de que se trata de um caso grave. Mas, se não há fatos novos e a mestre admitiu a mentira, vale encerrar o assunto. Não se está defendendo que o equívoco deva ser escondido e, até, esquecido, e sim que o “Estadão”, salvo engano, esclareceu a farsa e a professora já foi execrada o suficiente. Entretanto, quiçá por sensacionalismo, a “Folha de S. Paulo” insiste em replicar o assunto, embora tenha sido a primeira a chegar atrasada. Estaria se vingando da professora, por ter acreditado em suas lorotas e por ter levado um furo do concorrente?

Joana D’Arc Félix fez mestrado e doutorado na Unicamp, mas não doutorado em Harvard | Foto: Reprodução

A revista “Veja”, repercutindo a história, excede: “A doutora mentirosa pode destruir a imagem da ciência brasileira”. Ora, se depende da professora Joana D’Arc Félix, pelo fato de ter mentido que estudou em Harvard (reverberando um ex-ministro da Justiça que, tendo assistido uma aula, acrescentou no seu currículo que havia estudado na Sorbonne), a imagem da ciência patropi é extremamente frágil. Na verdade, a pesquisa nacional é respeitada internacionalmente e, frise-se, há problemas, similares e até mais graves do que os de Joana D’Arc Félix, em vários países, inclusive nos Estados Unidos.

Recentemente, a “Veja” publicou uma série de reportagens de qualidade sobre erros da polícia, do Ministério Público e da Justiça — a imprensa não pode ser excluída, porque, de certo modo, comporta-se como porta-voz ou alto-falante de policiais e promotores — culminaram no suicídio do professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. Não restou provado que Cancellier de Olivo tivesse envolvimento em corrupção, mas, sentindo-se desmoralizado — por ter sido preso e humilhado —, se matou.

O que quer a imprensa com a repetição exaustiva da história de Joana D’Arc Félix — sem acrescentar informações novas? O sensacionalismo permanece rendendo audiência? A mestra vai ser penalizada judicialmente? Se vai, tudo bem: continuem com a história. No entanto, se da história nada mais pode ser retirado — a professora de química desmoralizou-se —, por que insistir? Querem destruí-la, mais do que possivelmente já está com a imagem arranhada e, pessoalmente, abatida? Querem levá-la a um gesto extremo? Tomara que não. Já basta a história do reitor, pela qual a imprensa culpa Polícia Federal (principalmente), Ministério Público e Justiça, mas não assume suas responsabilidades. Não teve nenhuma cautela ao apresentar as “denúncias” — que não continham provas cabais — contra o reitor.

Vão perguntar se estou “defendendo” Joana D’Arc Félix porque ela é negra (me consideram branco ou pardo, mas sou bisneto de uma mulher, Frutuoza, negra)? Na verdade, não. Estou defendendo, não a química, e sim uma imprensa conscienciosa, que saiba entender quando um assunto está esgotado e que, mais do que uma mentirosa contumaz, Joana D’Arc Félix é um ser humano.

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Carlos Machado

Será que ela obteve vantagens com essa mentira? Será que em um processo de obtenção de recursos públicos ela usou essa trapaça para ter vantagens sobre os concorrentes. Se positivo, isso é crime e não pode ser esquecido

JOELSON SOBRAL ALVES

Com certeza essa química é pt ou seja comunista, mentir faz parte da cartilha marxista, então nan é surpresa!

tobias

Em qualquer empresa ou entidade seria. Isso seria motivo de de exclusão ou exoneração; quem vai acreditar nas pesquisas de uma mentirosa?

Jose

Não, não admitiu, continua mentindo, além de acusar os reporteres de perseguição e racismo.

Paulo Eduardo

Eu creio que toda lembrança para desmascarar mentirosos é pouca.
Vale salientar que muito provavelmente, ela tenho se beneficiado da mentira e tirado vantagem de outras pessoas que foram sinceras. Esse é o principal ponto.
Minha Tia fez Doutorado na mesma época que ela na Unicamp e disse que ela não precisa nunca de ter feito isso…. sim… ela jogou parte de seu prestígio no lixo por conta de uma mentira tosca e pagará caro ainda por isso! Pelo menos por um tempo.

Vera Lucia

Falou TUDO!!! Parabéns.

Rita Cardoso

Bem isso!! O que ha de gente que joga pedra adoidado ebquanto está com a vida cheia de falcatruas, pequenas e grandes, mas o que importante para elas é aparecer de juízes aos erros alheios enquanto os seus ficam escondidos desde atestados mentirosos para faltar ao trabalho quanto jogar lixo na rua e tantos mais. Vão pensar no que podem corrigir no seus próprios caráter em vez de ficar dando audiência a assuntos que pouco ou nenhum proveito traz.

Onfre Junqueira

Mentiu sobre Havard, mentiu sobre a idade em que entrou na USP, mentiu sobre as patentes. A mentirosa deve ser deixada em paz; melhor, deve ser esquecida !

Marcos

Ela continua mentindo, foi condenada pagar por uma bolsa da fapesp mais de 250 mil reais da qual não prestou contas. Ou seja, recurso público. Então não. Essa história ainda não terminou.

Cleidiane

Amei a reportagem até que enfim alguém sensato!

Fabiola R B.

É rir para não chorar… vai saber quantos “privilégios” ela não usufruiu enquanto falsária e mentirosa?

CELSO CUNHA BASTOS

Marcelo Odebrecht admitiu que recebeu propina, que tal deixa-lo em paz?

Anonima Brasil

Se as pessoas e a imprensa pesquisas semelhantes melhor, saberiam que a Dra Joana palestrou na Universidade de Ohio, foi convidada a palestrar em Portugal. Será que ela mentiu mesmo? Ou é apenas uma tentativa de roubarem suas pesquisas? Afinal, uma mulher preta, pobre e que estudou na Unicamp chegando ao doutorado irrita a elite. Sem falar do filme sobre ela. Será que ela não foi coagida?