Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

A política no tapete vermelho

Lista de vencedores representa cada vez mais a diversidade, mudando a característica da premiação, que sempre se preocupou mais com a promoção de seus blockbusters

A premiação do Oscar, na noite de domingo (24/2), indicou que a política ganha espaço diante do departamento comercial de Hollywood. O tapete vermelho da imprensa e das mídias foi estendido para a politização: discursos, temas dos filmes premiados, tudo girava em torno de temas como racismo, sexismo, homofobia, xenofobia.

Nunca antes naquele país a quantidade de premiações para profissionais negros foi tão grande (7). Também nunca antes tantas mulheres saíram com uma estatueta em mãos (15). Uma mudança que vem no embalo das críticas feitas em anos anteriores. Spike Lee, premiado na noite de domingo, foi um dos precursores ao denunciar o pouco espaço para negros na mais importante festa da indústria cinematográfica. Nas últimas edições, foi a vez de as mulheres abrirem a boca e denunciarem a disparidade salarial entre elas e os galãs de Hollywood.

Ao contrário da tradição, quando normalmente um grande blockbuster ficava com 8, 10 ou 12 estatuetas, dessa vez houve uma pulverização. O campeão da noite, Bohemian Rhapsody levou 4. Ao receber o Oscar de melhor ator, Rami Malek optou por fazer um discurso sem exaltação à qualidade do filme. Ressaltou que Freddie Mercury era um “gay imigrante”.

Os filmes em destaque na noite também flertaram com temas políticos. Roma, do mexicano Alfonso Cuarón, é um lindo e melancólico retrato sobre a vida de uma empregada doméstica, de origem indígena, na casa de uma família de classe média. Realidade muito parecida com a de mulheres brasileiras, especialmente nordestinas, que deixam suas raízes para trás para tentar a vida trabalhando em “casa de família”.

O ganhador da categoria Melhor Filme, Green Book: o Guia, aborda a amizade entre um motorista racista e um músico negro. O detalhe é que, dessa vez, o patrão é o negro e o prestador de serviços, o branco.

Entre os destaques da noite, havia muita expectativa para o blockbuster Pantera Negra. Mesmo sendo um filme de ação muito elogiado, o fato de ter como protagonista um super-herói negro é um pano de fundo para tanta badalação. Acabou recebendo prêmios técnicos.

O Oscar sempre foi a grande vitrine do cinema hollywoodiano, existindo mais como uma grande peça de marketing que de avaliação artística. A qualidade dos filmes sempre foi apenas um pretexto para todos os holofotes. Ainda é assim e é claro que todo esse engajamento passa pelo departamento de marketing. Mas cada vez mais a política ganha peso logo após o and the Oscar goes to…

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