A morte de Paulo Gustavo deixa o Brasil mais sem graça

Só nos resta agradecer a Paulo Gustavo pelos sorrisos que plantou nos rostos de milhões de brasileiros

Nilson Gomes

Marcelina, Juliano e Garibe estão órfãos de Dona Hermínia, que a esta hora já soltou os bóbis no Céu dos sorrisos.

Romeu e Gael estão órfãos de Paulo Gustavo.

O Brasil inteiro está órfão.

Sua mãe, Dona Déa, ficou sem o filho.

Ficamos todos sem aquele irmão engraçado que nos visita e ilumina a casa, ilumina a vida.

Foi como se o coronavírus, depois de nos tirar quase meio milhão de parentes e amigos, quisesse dar o golpe fatal não somente no humor brasileiro, mas no humor do brasileiro.

O País está triste não somente porque morreu um grande artista.

Morreu um maravilhoso artista precavido pra não ser contaminado pelo vírus, tanto que se recolheu junto como o marido, Thales Bretas, e os dois filhos.

Paulo Gustavo: morte aos 42 anos | Foto: Divulgação

Ainda assim, adoeceu.

E sofreu. Sofreu muito.

Uma nação de pessoas agradecidas pelos bons momentos dividiu os maus momentos com Dona Déa, Thales, Romeu e Gael.

Mais de 200 milhões de pessoas torcendo.

Esta noite de terça-feira 4/5 ficará na memória não pela final do BBB ou pelos depoimentos na CPI da Covid, mas pelo choro liberado, aquele choro silencioso, miúdo, amiúde, talvez sem lágrimas, mas dolorido. Um choro que não umedece lenço nem lençol. Um tipo de choro que fica mesmo guardado na mente.

Paulo Gustavo era o retrato de um Brasil de sucesso. Menos para o presidente da República, que detesta artistas, odeia gays, considera família só do tipo que fez e desfez. Nem o mal que atingiu a maior estrela do cinema nacional o presidente respeitante: é uma gripezinha, que se for macho e atlético não pega — ele se diz macho e ex-atleta e pegou.

Dentro de 50 anos, só se saberá o nome do atual presidente para deplorar, como Hitler, Mussolini e Stálin.

Quem governou o Brasil nas épocas de Amácio Mazzaropi, Grande Otelo, Millôr Fernandes, Oscarito? Não se sabe. Mas eles continuam nos encantando, assim como Paulo Gustavo agora e para sempre.

Só nos resta agradecer a Paulo Gustavo pelos sorrisos que plantou nos rostos de milhões de brasileiros.

Nilson Gomes é jornalista.

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