Euler de França Belém
Euler de França Belém

20 livros fundamentais para entender a atual crise política e econômica do Brasil

Ao lado de livros publicados por economistas e jornalistas, que discutem o presente, é preciso consultar obras basilares de Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda para entender o que somos

O Brasil vive três crises embutidas numa crise geral da sociedade: política, economia e moral. A crise política está afetando ampla e decisivamente a economia. Porque impede que se tenha segurança para investir. Digamos que o presidente Michel Temer caia e leve junto os “primeiros-ministros” da economia (vive-se sob um parlamentarismo heterodoxo) — Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, e Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central —, o que acontecerá? O país para mais uma vez e o próximo presidente, para organizar uma nova equipe, levará um certo tempo e terá de começar tudo quase do zero.

No momento, Michel Temer faz a coisa certa, ao menos na economia, e com os homens errados, na política. Crise só é mais bem explicada quando termina, quando sua história pode ser registrada com o devido distanciamento. Os livros publicados até agora, portanto, não dão conta de explicá-la na sua integralidade. Não porque sejam ruins, e sim porque a crise continua. O que se deve fazer é ler jornais e revistas, que atualizam, diariamente, as informações a respeito, por exemplo, da Operação Lava Jato e da crise política e econômica. A lista inclui livros que, aparentemente, não têm a ver com os problemas atuais. Mas eles contribuem para entender a formação do Brasil e o que é o brasileiro. Em algumas notas há informações sobre livros que, embora relevantes, não foram listados com destaque.

os-donos-do-poderOs donos do Poder
Raymundo Faoro

O subtítulo do livro é “Formação do Patronato Político Brasileiro”. Como um livro publicado há mais de 50 anos pode dizer alguma coisa sobre o Brasil atual? Pode, e muito. O livro não trata de José Sarney e Lula da Silva. Mas a leitura ajudará a entender como e por que um político como Sarney cresceu na ditadura e, quando esta ruiu, mudou de lado e se tornou presidente da República com o apoio de todos aqueles que lutaram contra o regime civil-militar. Em seguida, com a chegada da esquerda ao poder, com Lula da Silva (PT), mais uma vez Sarney estava ao lado dos novos poderosos. Agora, com o presidente Michel Temer (PMDB), Zequinha Sarney, filho de José Sarney, está no ministério. Certa elite jamais deixa o poder. Alia-se aos mudancistas às vezes para deter a mudança ou para conduzi-la ou monitorá-la. A conciliação pelo alto, até com a “participação” (aparente ou não) dos que estão embaixo, é uma das regras da política patropi. Editora Globo (Biblioteca Azul), 944 páginas.

sergio-buarqueRaízes do Brasil
Sérgio Buarque de Holanda

Ao lado de “Casa Grande & Senzala”, de Gil­berto Freyre, “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, e “Os Donos do Poder”, de Ray­mundo Faoro, “Ra­ízes do Brasil” é uma das obras basilares para entender o comportamento (e a história) dos brasileiros. Não apenas das elites. Por que somos tão tão apegados ao jeitinho, mesmo que o critiquemos, e tão cordiais e malemolentes — sobretudo ao nos comportar de maneira não-institucional? Há uma herança, uma raiz, que está incrustada no “gene” coletivo, se fosse possível dizer assim. Dizemos uma coisa e condenamos outra, mas aquilo que condenamos é o que fazemos, é o que somos. O roubo dos cofres públicos, um empreendimento articulado pelo PT, PSDB, PMDB e PP, além de outros partidos menos afortunados, é visto como quase “normal” (aspas, pois, urgentes!). Afinal, “o inferno são os outros”. Os que furtam acham, até, que não estão furtando — é provável. É provável que se pense assim: “Há outros roubando mais”. Companhia das Letras, 520 páginas (a edição crítica é extraordinária).

partido-de-deusPartido de Deus
Luís Mir

O intertítulo é “Fé, Poder e Política”. É a radiografia mais ampla do PT, é sua biografia. Jornalista e historiador, Luís Mir esmiúça, de maneira extraordinária, como o partido foi criado tanto por Luiz Inácio Lula da Silva quanto por setores ditos progressistas da Igreja Católica. “Como partido político o PT é bicéfalo: o PT-CNBB é uma das cabeças, a outra é o PT-Estado — equivalentes em ortodoxia política e práxis autoritária. Como uma constituição como um Partido-Estado, o PT-Estado exerceu o poder total. Quando o poder é absoluto, germina em seu entorno degradação e impunidade; isso se deve a uma razão primária: a inexperiência de mecanismos de contenção e fiscalização”, escreve o autor. Detalhe: o livro é de 2007, mas o texto, de tão atual, parece ter sido escrito ontem. Editora Alaúde, 679 páginas. (Vale ler “Os Sentidos do Lulismo — Reforma Gradual e Pacto Conservador”, de André Singer. Companhia das Letras, 276 páginas.)

dirceuDirceu — A Biografia
Otávio Cabral

É cedo para a publicação de uma biografia aguda de José Dirceu, porque sua história está em andamento. Para entender o PT, além dos problemas que causou no poder, é preciso compreender, além de Lula da Silva, o personagem José Dirceu, o ideólogo-mor do partido (sem sua presença, hoje inoportuna, o PT está derretendo; Lula da Silva é um misto de ídolo e mito, mas não é um organizador, aquele político que contém e manipula a militância). O jornalista Otávio Cabral publicou um livro crítico, até duro, mas acaba por, indiretamente, valorizar o político que era amigo de Fidel Castro. Fica-se com a impressão, ao término da leitura, que, sem José Dirceu, o PT e Lula não existiriam. Existiriam, por certo, mas talvez tivessem demorado mais tempo para chegar ao poder. Sempre que necessário, Dirceu conseguia moderar os radicais e radicalizar os moderados. Editora Record, 363 páginas.

anatomia-de-um-desastreAnatomia de um Desastre
Claudia Safatle

O subtítulo é: “Os Bastidores da Crise Econômica Que Mergulhou o País na Pior Recessão da História”. Os outros dois autores são os jornalistas João Borges e Ribamar Oliveira. O Brasil poderia ter se tornado uma China, mas acabou no pantanal. A leitura dos jornais às vezes passa a impressão de que a crise resulta meramente, ou de maneira mais contundente, da corrupção. De fato, a corrupção retira dinheiro público para mãos privadas e contribui para reduzir o crescimento e o desenvolvimento do país. Porém, é provável que a incompetência, possivelmente decorrente da falta de compreensão de como funciona a economia real — e suas conexões com a economia global —, levou o país à debacle. O livro mostra isto e muito mais — com a vantagem de ter sido escrito com ampla clareza. Portifólio Penguin, 264 páginas.

petrobrasPetrobrás — Uma História de Orgulho e Vergonha
Roberta Paduan

Imagine um livro que não faz discurso e conta a história da Petrobrás, desde o início, sem fazer pregação política e ideológica. Pois, leitor, você está diante desta obra: a pesquisa de Roberta Paduan é rigorosa e apresenta os fatos detalhadamente — com as nuances necessárias. A jornalista reúne informações que deixam o leitor indignado, mas apresenta-as com o máximo de serenidade e isenção. Há detalhes de como só o PT de Lula da Silva e Dilma Rousseff roubou 200 milhões de reais da maior empresa brasileira. Você leu bem: 200 milhões de reais. Trata-se de dinheiro público. Delcídio do Amaral, ex-senador do PT que às vezes se apresenta como quase-santo, sai muito mal da história. Vale uma leitura atenta da compra da Refinaria de Pasadena. Trata-se de um assalto aos cofres públicos muito bem articulado. Editora Objetiva, 391 páginas.

lava-jatoLava Jato
Vladimir Netto

O subtítulo é: “O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação Que Abalou o Brasil”. O livro é de excelência rara em livros de oportunidade. O autor, repórter da TV Globo, rastreia com o máximo de eficiência os acontecimentos e mostra-os detalhadamente, de maneira clara e objetiva. Claro que o dia a dia da Lava Jato, com suas novas denúncias e prisões, desatualiza o livro. Mas o que o jornalista registrou é um balanço de excelente qualidade. Até por ser repórter, dos bons, o livro guarda certo distanciamento (diz-se certo, porque, no caso, não dá para ter distanciamento total, frio). A grande figura que emerge é, com justiça, a do magistrado Sergio Fernando Moro. Mas o livro resgata também o trabalho de policiais federais e procuradores de Justiça. Editora Primeira Pessoa, 383 páginas. (Há mais dois livros a respeito do representante da Justiça Federal: “Sergio Moro — A História do Homem Por Trás da Operação Que Mudou o Brasil”, de Joice Hasselmann, Editora Universo dos Livros; e “Sergio Moro — O Homem, o Juiz e o Brasil”, de Luiz Scarpino Junior, Editora Nova Conceito.)

por-tras-da-mascaraPor Trás da Máscara
Flávio Morgenstern

Subtítulo: “Do Passe Livre aos Black Blocs, as Manifestações Que Tomaram as Ruas do Brasil”. A movimentação das ruas de junho de 2013 ganhou sua “biografia”. O autor mostra que certos movimentos, que parecem espontâneos e representantes de causas ditas sociais, como a defesa do transporte coletivo de mais qualidade e com preços mais acessíveis, são, na verdade, articulados por partidos como PSTU, PSOL, PCO e PCB. Até a violência é planejada para colocar o cidadão, aquele que acompanha os movimentos “positivos”, contra os governantes. Além da destruição em si, o que se busca é a agressão que justifique e dê lógica às ações. Ainda que indiretamente, as análises de Morgenstern são úteis para entender as atuais manifestações. Não deixa de ser curioso que, apesar de sua excelência, o livro acabou pouco comentado — possivelmente por não conter uma visão de esquerda ou de companheiros de jornada da esquerda. Editora Record, 574 páginas. (Vale ler a análise do jornalista e acadêmico Eugênio Bucci no livro “A Forma Bruta dos Protestos — Das Manifestações de Junho de 2013 à Queda de Dilma Rousseff em 2016”. Editora Companhia das Letras, 168 páginas. Um contraponto é “Mascarados — A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc”, de Bruno Paes Manso, Esther Solano e Willian Novaes. Geração Editorial, 336 páginas.)

como-matar-a-borboletaComo Matar a Borboleta-Azul
Monica de Bolle

O complemento do título é: “Uma Crônica da Era Dilma”. O governo de Lula da Silva deu certo, ao menos em parte, porque, seguindo em linhas gerais o que havia programado a equipe econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, decidiu não inventar a roda. Assim, manteve a economia estabilizada, apesar de ter aumentado o gasto público. Dilma Rousseff, possivelmente por inexperiência política e escasso conhecimento da economia real, resolveu “inovar”. A economista Monica de Bolle rastreia as razões da crise e sugere que, ao fugir do receituário que funciona, a petista levou o país para o fundo do poço. O que prova que mesmo países sólidos e ricos como o Brasil decaem se não contarem com um governo equilibrado. Pode-se dizer que a crise do Estado espraiou para a economia privada e se tornou uma crise da sociedade. Detalhe: Monica de Bolle é uma das poucas economistas que escrevem com clareza e uma sofisticação simples. Editora Intrínseca, 272 páginas.

Capa_Perigosas_Pedaladas_00.inddPerigosas Pedaladas
João Villaverde

O subtítulo é: “Os Bastidores da Crise Que Abalou o Brasil e Levou ao Fim o Governo Dilma Rousseff”. Por que a presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment? Para parte dos brasileiros, sua queda tem a ver com corrupção no governo, notadamente na Petrobrás. É provável que o apoio da sociedade ao impedimento tenha a ver com as denúncias de corrupção e à crise econômica. Porém, técnica e institucionalmente, a petista caiu devido às pedaladas fiscais (“repasses do dinheiro público em atraso para bancos controlados pelo governo”). O erro foi cometido na esfera do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda. João Villaverde, ex-repórter do “Valor Econômico” e de “O Estado de S. Paulo”, pega um assunto que parecia esgotado e acrescenta informações novas. Editora Geração, 336 páginas.

a-sombra-do-poderÀ Sombra do Poder
Rodrigo de Almeida

Intertítulo: “Os Basti­dores da Crise que Derrubou Dilma Rousseff”. O jornalista e cientista político Rodrigo de Almeida trabalhou na equipe da ex-presidente (como secretário de Imprensa) e faz sua defesa, sem deixar de mostrar determinados problemas. Conta que, ao ser eleita, Dilma não aceitou a indicação de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda porque, quando foi diagnosticada com câncer, o engenheiro goiano apresentou-se ao então presidente Lula, em 2010, como alternativa para disputar a Presidência da República. A petista transformou uma questão pessoal numa questão de Estado — o que mostra como funciona sua cabeça. Dilma Rousseff é inteligente, tem cultura, mas falta-lhe a racionalidade do indivíduo talhado para gerir o Estado. Editoras Casa da Palavra e Leya, 224 páginas.

a-radiografiaA Radiografia do Golpe
Jessé Souza

O sociólogo Jessé Souza, ao menos neste livro, não analisa a política como cientista objetivo. Ao perceber golpe onde não há golpe, e sim substituição legal e legítima de uma presidente, Dilma Rousseff, que sofreu impeachment, por outro presidente, Michel Temer, está forçando a realidade para fazer política. De qualquer modo, vale ler uma opinião diferente e, sobretudo, formulada de maneira inteligente, ainda que, claro, inteiramente ideologizada. Souza percebe o impedimento da petista como um golpe, mais um, das elites (Souza é autor de outro livro, quiçá mais instigante: “A Tolice da Inteligência Brasileira”. É um livro de fustigamento político-ideológico, com pretensão acadêmica de refutar, entre outros, Sérgio Buarque de Holanda). Editoras Casa da Palavra e Leya, 144 páginas.

a-outra-historiaA Outra História da Lava-Jato
Paulo Moreira Leite

A 2ª edição ganhou um capítulo sobre o que o autor, um jornalista gabaritado e de história altamente positiva na “Veja” e na “Época”, chama de “golpe” contra o governo do PT e, mesmo, contra a democracia. Paulo Moreira Leite critica a Operação Lava Jato, que percebe como nociva à democracia e, como Jessé Souza, avalia o impeachment da presidente Dilma Rousseff como “golpe”. Mesmo que o leitor discorde da avaliação, vale a pena ler o livro. Afinal, não se deve ler tão-somente aquilo com o qual se concorda. Geração Editorial, 448 páginas.

operacao-banqueiroOperação Banqueiro
Rubens Valente

“As Provas Secretas do Caso Satiagraha” é o complemento do título. O banqueiro é Daniel Dantas. Teoricamente, não tem nada a ver com a crise atual, e teria conexão com o governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas a espantosa história do dono do banco Opportunity conecta os governos tucano e petista. O banqueiro chegou a ser preso, mas depois foi solto (teria recebido alta proteção). O delegado que o investigou foi afastado da polícia federal e o juiz que mandou prendê-lo foi promovido a desembargador e afastado da área de ações financeiras. Além de beneficiado pelas privatizações de FHC, Daniel Dantas manteve ligação com um dos filhos de Lula da Silva. Editora Geração, 464 páginas. (Leitura complementar: “O Escândalo Daniel Dantas — Duas Investigações” foi escrito por um dos jornalistas mais gabaritados do país, Raimundo Rodrigues Pereira. Editora Manifesto, 325 páginas.)

decada-perdidaDécada Perdida
Marco Antonio Villa

Subtítulo: “Dez Anos de PT no Poder”. O historiador Marco Antonio Villa é um dos rigorosos críticos da esquerda patropi. Ele às vezes consegue unir o rigor da pesquisa, derivado de sua formação acadêmica, à clareza de quem aprendeu a escrever para jornais e revistas. O livro mostra o que o PT fez, no governo federal, de 2003 a 2012, pegando as gestões inteiras de Lula da Silva e parte da administração de Dilma Rousseff. O pesquisador mostra os equívocos do petismo no poder, decorrentes, em parte, de uma visão estanque e insuficiente da economia nacional e internacional. Mostra também como o PT trabalhou para aparelhar o Estado para torná-los, PT e Estado, uma única coisa. Record, 280 páginas. (Pode ser lido junto com, do mesmo Villa, “Um País Partido — 2014: A Eleição Mais Suja da História”. Editoras Casa da Palavra e Leya, 224 páginas.)

pare-de-acreditarPare de Acreditar no Governo
Bruno Garschagen

Subtítulo: “Por que os Brasileiros Não Confiam nos Políticos e Amam o Estado”. Pense num Sérgio Buarque de Holanda que não é de esquerda, nem tem a pretensão acadêmica do historiador de “Raízes do Brasil”. Trata-se, pois, de Bruno Garschagen. De fato, os brasileiros criticam os políticos, que são apresentados como as genis do país — as fontes de todos os males. Porém, ao mesmo tempo, agarram-se ao Estado, que é visto e tratado como uma espécie de paizão. O autor esmiúça por que isto ocorre. É um livro importante, que merece ser lido para ampliar o debate, aliás, até para que possibilite o debate. Mesmo leitores não liberais deveriam consultá-lo. Record, 322 páginas.

Celso Danielcelso-daniel-capa-de-livro-celso-daniel-silvio-navarro

Silvio Navarro

Subtítulo: “Política, Corrupção e Morte no Coração do PT”. Por que Celso Daniel, prefeito de Santo André, foi assassinado em 2002? Por que havia dois esquemas de arrecadação de propina. O caixa 2 beneficiada as campanhas políticas do PT. O livro sugere que José Dirceu e Lula da Silva sabiam o que estava acontecendo. Dinheiro do município chegava a José Dirceu, que o usava para bancar o petismo. A cúpula do PT, portanto, estava envolvida na corrupção, mas não, tudo indica, na morte do político. Mas havia o caixa 3, que era administrado por duas pessoas forjadas pelo submundo petista, duas delas empresárias (Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva, o Sombra) e um petista (Klinger Luiz de Oliveira Souza). Santo André se tornou conhecida como o berço da corrupção do PT. Ao tentar conter o caixa 3, Celso Daniel foi assassinado. Editora Record, 236 páginas.

lula-da-silva-capa-do-livro-627859_caso-lula-o-a-luta-pela-afirmacao-dos-direitos-fundamentais-no-brasil-745486_m1_636159234721538000O Caso Lula

Cristiano Zanin Martins

O subtítulo é: “A Luta Pela Afirmação dos Direitos Fundamentais no Brasil”. A obra foi organizada pelos competentes advogados do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, Waleska Teixeira Zanin Martins e Rafael Valim. Eles transformam a defesa do petista-chefe numa militância orgânica. A defesa de Lula está sendo cerceada? O que se planeja é condená-lo de qualquer maneira, talvez para aplacar a onda moralista que, no momento, varre o país do Oiapoque ao Chuí? Ele se tornou a “geni” que querem enlamear para purgar o pecado de todos os políticos ou de todos nós? O que se pretende é alijar o petista da disputa presidencial de 2018? É o que se depreende da leitura dos vários artigos publicados no livro (José Carlos Dias é um dos autores). Pode-se discordar dos advogados, de sua parcialidade — e é evidente que são parciais, pois são defensores, e não acusadores (aliás, são acusadores, sim, mas do juiz Sergio Moro) —, mas vale a pena ler suas argumentações. Mesmo que seja para discordar, vale ler com atenção a defesa. Porque, às vezes, há mesmo excesso dos “acusadores”. Editorial Astrea, 313 páginas.

Crônicas de uma Crise Anunciada cronicas-de-uma-crise-anunciada-capa-do-livro

Pedro Cavalcanti Ferreira

O subtítulo é: “A Falência da Econômia Brasileira Documentada Mês a Mês”. O livro tem dois autores Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso. Os economistas debateram a economia brasileira, entre 2010 e 2015 — um período de seis anos — no jornal “Valor Econômico”. Segundo a sinopse do site da editora, eles apontaram “os limites e desequilíbrios gerados pelo modelo de crescimento adotado” pelo governo do PT, quer dizer, de Dilma Rousseff. Os especialistas sustentam que as ações da gestão petista eram inconscientes. A dica é do historiador Cláudio Fernandes Ribeiro, formando pela Universidade Federal de Goiás. Editora FGV, 248 páginas.


mocambique-capa-do-livro-exibe_thumbMoçambique — O Brasil é Aqui

Amanda Rossi

O subtítulo é: “Uma Investigação Sobre os Negócios Brasileiros na África”. A jornalista Amanda Rossi, da TV Globo e ex-“Estadão”, esteve na África e vasculhou os negócios do Brasil na região, notadamente em Moçambique. Os negócios do país com a África são ruins, porque o governo financia as obras em Moçambique, Angola, entre outros? O fato é que países da Europa, os Estados Unidos e a China investem na região, até maciçamente. Algum investe a fundo perdido? Ninguém faz isso, possivelmente nem o Brasil. Houve erros na estratégia brasileira? É possível. O fato é que Amanda Rossi faz um detalhado relato dos investimentos e, curiosamente, mostra que, em Moçambique, as pessoas começam a ficar incomodadas com a presença brasileira. Ela registra manifestações contra as ações, por exemplo, da Vale. Moçambicanos chegaram a paralisar suas atividades no país. Há certo desagrado com a produção de soja no país, um amplo empreendimento do Grupo Pinesso, do Paraná. Editora Record, 405 páginas.

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Adalberto De Queiroz

Excelente!