Os Estados Unidos planejam realizar duas grandes operações militares por terra no Irã. A primeira operação será a invasão e tomada da ilha Kharg, de onde o Irã exporta 90% do seu petróleo. A segunda está focada na remoção do estoque de urânio enriquecido, que será realizada por forças especiais. O presidente Donald Trump ainda não decidiu se as duas operações serão conjuntas ou uma de cada vez.

O Pentágono considera enviar, em breve, milhares de fuzileiros navais, que já estão na região, para a ilha Kharg, no Golfo. Ao tomar a ilha, os EUA estarão tirando do regime iraniano sua principal fonte de renda e poderão usá-la como moeda de troca para uma negociação. Mas essa é uma missão arriscada. Para conquistar a ilha, terão que enfrentar ataques simultâneos de drones, mísseis e minas navais.

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Estreito de Ormuz: o caminho do petróleo e do gás | Foto: Reprodução

Trump disse ao jornal “Financial Times” que “talvez a ilha seja invadida, talvez não. Nós temos várias opções. Isso significa que teremos que ficar ali por algum tempo”.

A segunda operação é muito mais complexa e perigosa porque as forças especiais — seals, rangers, entre outros — terão que entrar em áreas que ficam no interior do país. E isso só será possível com paraquedistas.

O Centro de Comando conta com 3500 experts. Eles fazem parte da força Airborne. Uma vez em solo, os militares terão que enfrentar as tropas da Guarda Revolucionária para chegarem aos túneis onde estão estoques de urânio. Como trata-se de material nuclear, será necessário a preparação de engenharia militar complexa para essa retirada. Dados os perigos, tende a ser uma operação relativamente lenta.

Estreito de Hormuz e os europeus

Sem a presença dos Estados Unidos, representantes de 35 países participaram na quinta-feira, 2, de um encontro virtual urgente para tentar estabelecer um esforço político e diplomático conjunto e pressionar o Irã a abrir o Estreito de Hormuz.

Yvette Cooper ministra das Relações Exteriores o Reino Unido
Yvette Cooper ministra das Relações Exteriores o Reino Unido | Foto: Reprodução

A passagem estratégica, por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial, foi bloqueada pelo Irã desde o início da guerra. O que levou à disparada dos preços de gás e óleo no mundo todo.

A ministra de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, deverá discutir com seus colegas a possibilidade de a Europa ser obrigada a entrar na guerra para desobstruir a rota que conecta o Golfo Pérsico com os oceanos, após declaração de Donald Trump que sugeriu que a Europa vá à luta sozinha se quiser petróleo e gás.

O presidente americano do norte alega que garantir a segurança do Estreito de Hormuz não é responsabilidade dos Estados Unidos. A mensagem de Donald Trump aos países “aliados” é uma prévia de que ele deverá cumprir a ameaça de retirar os Estados Unidos da Otan após os países europeus se recusarem a participar da guerra no Oriente Médio.

Para preencher o vácuo deixado por Washington, os países europeus estão tentando demonstrar que possuem independência em segurança. O esforço é uma repetição da coalizão formada pela França e Inglaterra para atender a Ucrânia na guerra contra a Rússia.