Tropas americanas chegaram ao Paraguai em dezembro do ano passado. Aviões militares norte-americanos estão estacionados no Aeroporto Internacional Silvio Pettirrossi, na região metropolitana de Assunção. Aterrissaram no país vizinho ao Brasil para participar de uma operação conjunta entre Paraguai e Estados Unidos voltada ao treinamento de forças especiais.

Desde o começo deste ano, a movimentação na região do aeroporto é intensa, com pousos e decolagens de aeronaves de grade porte, entre elas um C-17 Globemaster III, modelo de transporte estratégico da Força Aérea dos EUA. Na carga desembarcada por militares americanos há armamentos e munições destinados ao exercício previsto no cronograma bilateral.

A primeira manobra em solo entre as tropas dos dois países foi em 10 de janeiro. Conforme uma reportagem publicada pelo jornal paraguaio “La Nación”, que deu detalhes da movimentação inédita no país, o voo trouxe material bélico e integrantes do 7° Grupo de Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, unidade especializada em guerra não convencional e capacitação internacional.

Santiago Peña e Lula da Silva
Lula da Silva e Santiago Peña: o primeiro precisa se inspirar no segundo no combate ao narcotráfico | Foto: Divulgação

Programa de Respostas a Crises e Contingências é nome da operação que visa o treinamento direcionado a centenas de militares do Batalhão Conjunto de Forças Especiais do Paraguai. A previsão é que o exercício conjunto deverá durar meses, pelo menos até o final do primeiro semestre de 2026, com a possibilidade de se estender além do programado.

A presença de tropas americanas e de material bélico estrangeiro foi autorizado pelo Congresso Nacional do Paraguai. Entre agosto e novembro de 2025, os países formalizaram um acordo militar que, entre outros quesitos, prevê a ampliação e integração de programas de treinamentos e respostas operacionais.

No início deste mês, foi concluída toda fase de desembarque dos equipamentos e do contingente que vai participar da missão. O acordo firmado entre os dois países estabelece regras para a atuação de militares norte-americanos em território paraguaio, incluindo, além de treinamentos, cooperação em inteligência e operações voltadas ao combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

A presença de militares dos Estados Unidos no Paraguai passou a gerar preocupação ao governo brasileiro em meio ao momento geopolítico internacional. Na segunda-feira, 9, o presidente Lula da Silva chegou a afirmar que o Brasil precisa se preparar militarmente diante do que considera existir um risco de invasão estrangeira.

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Javier Milei e Donald Trump: o presidente argentino, realista, uniu-se aos Estados Unidos para combater o narcotráfico | Foto: Divulgação

A cooperação, entre Assunção e Washington, ganhou novo peso diante da intensificação de movimentos militares na região e dos conflitos internacionais em curso. No entanto, a parceria não é um ato recente.

Nos últimos anos, os dois países vêm ampliando o intercâmbio militar e iniciativas de segurança regional. O avanço desse processo ocorre, neste momento, num contexto internacional mais sensível, por isso chama a atenção de outros países da América Latina, entre eles o Brasil.

A investida também ganhou peso político após a assinatura de acordos entre países das Américas voltados ao enfrentamento contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional.

O pacto conta com o apoio de lideranças regionais, como o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que atua como um dos principais articuladores dessa frente, além do presidente da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele.

O acordo assinado, na semana passada, em Washington, não contou com a presença brasileira, porque o país não recebeu convite para fazer parte da iniciativa — que ganhou o nome Escudo das Américas e busca combater a atuação de cartéis em todo o continente americano.

O Departamento de Estado dos EUA considera organizações criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ameaças significativas à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crise transnacional.

O governo brasileiro tenta reverter que os Estados Unidos classifiquem o PCC e o CV como organizações terroristas — alegando que isso seria um desrespeito à soberania nacional e abriria as portas para intervenções dos EUA.

A resistência do Planalto a esse enquadramento envia um sinal político ruim e preocupante. Enquanto o crime organizado amplia sua influência, se infiltra em todas as estruturas do Estado, movimenta bilhões de reais e impõe medo à população, o governo adota uma postura defensiva, incapaz de transmitir qualquer senso real de urgência. Prefere suavizar o debate ao rejeitar classificações que poderiam aumentar a pressão sobre esses cartéis.

Na contramão de toda a América Latina, Lula da Silva prefere não atacar o crime organizado de frente ao assumir posição em nome do patriotismo.

Se estivesse falando em nome dos brasileiros, e não de sua ideologia política, o presidente Lula da Silva deveria aderir, de imediato, a um amplo programa de combate ao crime organizado, sr. do narcotráfico.

Como se tornaram organizações transnacionais — com matrizes centralizadas no Brasil —, as máfias tropicais, como o PCC (que está se tornando Primeiro Comando do Estado — PCE) e o CV, não têm mais como serem combatidas tão-somente por um país. Precisam de uma concertação de energias e ações. O combate precisa ser transnacional e unificado. Lula da Silva precisa acordar e ouvir mais a voz da razão do que a ideologia de esquerda.