Onde está o novo líder supremo do Irã? Por enquanto, seu paradeiro é um mistério. Ninguém sabe se está vivo ou morto.

De acordo com a emissora americana CNN (única TV ocidental dentro do Irã), Mojtaba Khamenei quebrou um dos pés, está com um grave ferimento na região dos olhos e cortes por todo o corpo, mas estaria vivo.

A reportagem da rede americana cita um parente próximo do líder supremo como fonte.

O clérigo de 56 anos, filho do ex-líder supremo do Irã Ali Khamenei ficou gravemente ferido no mesmo ataque que matou não só o pai, mas também a mãe, a mulher e um dos seus filhos — em Teerã, no primeiro dia de guerra. No entanto, há rumores de que médicos tiveram de amputar suas pernas e, até, de que estaria morto.

Desde que foi indicado sucessor do pai como líder supremo da República Islâmica, Mojtaba ainda não apareceu em público, nem mesmo escreveu e publicou um discurso em seu nome.

As dúvidas sobre o estado de saúde do líder supremo aumentaram ainda mais após a publicação de sua foto oficial pela Guarda Revolucionária.

Ao comparar a foto de Mojtaba com a do pai, Ali Khamenei, há vários elementos que indicam que se trata de uma montagem e que é falsa. Na terça-feira, 10, na cerimônia de posse, foi colocada no palco principal da Universidade de Teerã, onde ocorreu a cerimônia, um boneco de papel estampado com o rosto de Mojtaba Khamenei, mas ele não estava presente.

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Ali Khamenei e Mojtaba Khamenei: poses parecidas | Fotos: Reproduções

Na quarta-feira, 11, Yosef Pezeshkian, filho do presidente do Irã, divulgou na mídia iraniana que o novo líder supremo estava bem, seguro e que não havia motivos para preocupações.

O embaixador do Irã no Chipre afirmou, por mídias sociais, que “ouviu dizer” que Mojtaba tinha grave ferimentos nas pernas, braços e mãos e estava internado em um hospital. Por isso, não tinha condições de aparecer em público.

Oficialmente, o regime islâmico divulgou uma nota afirmando que Mojtaba Khamenei foi ferido “levemente”, mas que estava lúcido e ativo, sem se referir onde foi ferido ou por que não aparece em público.

Segundo reportagem publicada na terça-feira, 10, pelo jornal “New York Times”, Mojtaba Khamenei teve as pernas feridas após o ataque do dia 28 de fevereiro e que permanecia em silêncio porque qualquer tipo de comunicação que fizesse poderia expor sua localização e assim ficaria em perigo.

De acordo com o jornal britânico “The Times”, três altos oficiais iranianos disseram que Khamenei estava consciente e escondido num lugar cuja localização é altamente segura e com comunicação limitada.

A mídia estatal iraniana refere-se a Mojtaba como “ferido de guerra” desde o ataque de 28 de fevereiro.

Há poucos dias, quando questionado por jornalistas se o líder supremo havia, de fato, assumido oficialmente o cargo, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que “aqueles que deveriam receber a mensagem entenderam”.

As incertezas sobre as condições verdadeiras de Mojtaba Khamenei levantam suspeitas da rápida transição do cargo mais importante do regime islâmico em plena guerra. Sua ausência levanta suspeitas dentro e fora do Irã.

Vivo ou morto, a indicação do filho de Ali Khamenei como novo líder supremo pela Guarda Revolucionária soa muito mais como uma provocação da República Islâmica em tempos de guerra.

Ele foi escolhido sucessor mesmo sem ser carismático, sem nunca ter exercido qualquer cargo oficial e sem as devidas credenciais religiosas, como clérigo, para representar a autoridade máxima do xiismo na Terra, al Mahdi, o último Iman que ascendeu aos céus e é esperado por seus devotos que um dia volte num ato de redenção ao mundo e ao Irã por todo o seu sofrimento.

Na verdade, tudo indica que foi escolhido apenas por um motivo: a continuação da guerra, sem rendição.