O Brasil (Lupo, Riachuelo) está de mudança para o Paraguai, de mala e cuia
09 fevereiro 2026 às 19h06

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Pense numa fronteira entre dois países “hermanos” que tem uma ponte por onde se atravessa a pé, de carro ou de bicicleta, que atende por ser da “amizade” e que, há décadas, funciona como o portão de entrada de uma cidade nada bela, com comércio duvidoso, onde quase tudo é falsificado. Ciudad del Este ganhou a fama inglória de ser lembrada como a capital da contravenção, do “gato por lebre”. Mas, acredite, isso ficou num passado, ainda recente, mas que a cada dia vai deixando pra trás a imagem preconceituosa que os brasileiros têm do Paraguai.
Essa desconstrução de imagem, que fez o Paraguai parecer e até mesmo se sentir um país “vira-lata”, é histórica porque começou após a Guerra do Paraguai, no século XIX, e foi perpetuada até o início do século XXI, embora ainda persista em alguns setores.
A historiografia destaca que a visão negativa do Paraguai no Brasil foi construída por propagandas políticas e charges do século XIX, que fixaram atributos de “barbárie” no país vizinho. Atualmente, os pampas paraguaios testemunham um processo de transformação, desenvolvimento econômico e infraestrutura. Estamos falando de uma real mudança de paradigma.
Sempre subestimado na América do Sul, o relativamente pequeno país vive, atualmente, um crescimento silencioso e pragmático que vem atraindo investidores pelas vantagens fiscais e de produção que acabaram criando um dos melhores climas de negócios da região. O reflexo desse “boom econômico” pode ser visto em Ciudad del Este, que está mudando desde que passou a receber investimentos em urbanismo, gastronomia, eventos corporativos, superando o foco exclusivo no comércio informal de produtos falsificados de origem asiática, notadamente da China.

Lupo e Riachuelo
O turismo cresce com foco na cultura, natureza e segurança e tem a capital, Assunção, como vitrine desde que passou a ser apontada como uma cidade acolhedora e em pleno desenvolvimento. Embora o país ainda enfrente desafios, a narrativa geral está mudando de um estereótipo negativo para um país de oportunidades que vem atraindo empresas brasileiras a mudarem de CNPJ e endereço.
Seguindo o mesmo caminho da Lupo, a Riachuelo decidiu fugir para outro país em busca de liberdade e preços mais baixos. O destino: Ciudad Del Este, no Paraguai.
Não se trata de uma fuga, mas de uma rota que garanta a sobrevivência. O Brasil está empurrando suas empresas para o outro lado da fronteira porque os empresários não aguentam a carga tributária imposta pelo governo.
Produzir no Paraguai é quase 30% mais barato do que no Brasil. Resultado: preços baixos que garantem muito mais venda. Essa foi a estratégia da Lupo e vai ser a mesma da Riachuelo na terra de Solano López. Investir numa fábrica no país vizinho, pagar menos impostos e vender esses produtos de novo no Brasil.
O segredo que tornou o Paraguai tão atraente chama-se Lei Maquila, um incentivo para fábricas estrangeiras que queiram investir no país.

Os empresários recebem, em troca, benefícios como isenção de impostos para importação de máquinas, matéria-prima e equipamentos além de energia elétrica e mão de obra até 70%mais baratas do que no Brasil, a garantia de pagamento de apenas 1% de imposto para exportações e tudo isso sem burocracia e a complexidade brasileira dos encargos trabalhistas.
Pra completar o pacote de atrações paraguaias, o sistema de impostos do país foi simplificado e chama a atenção porque se paga, no máximo 10% de IRPJ, 10% de IRPF e 10% de IVA, enquanto no Brasil são cobrados 27% de IR, até 35% de IRPJ+CSLL e um IVA de até 40%.
Diante disso, como não compreender os motivos tão verdadeiros que justificam as empresas brasileiras fazerem as malas para o Paraguai. A cada dez empresas sob a Lei Maquila sete são brasileiras. E se a complexidade do Brasil assusta, no Paraguai ela alivia.


