Há pouco mais de 24 horas, Israel eliminou os dois homens que eram peças-chave do regime islâmico e que, após a morte do líder supremo, Ali Khamenei, passaram a conduzir o país durante a guerra: Ali Larijani, “de facto” líder do Irã e Gholamreza Soleimani, comandante do Basji, milícia ligada à Guarda Revolucionária que atua como o braço da repressão do regime e foi responsável pela morte de mais de quarenta mil pessoas durante os protestos contra o governo dos aiatolás em janeiro e fevereiro.

Hoje, mais uma liderança iraniana foi eliminada pela força aérea israelense: Ismail Khatib, ministro da inteligência do Irã. Khatib foi indicado para o cargo em 2021 e era considerado bem próximo do
novo líder supremo, Mojtaba Khamenei.

Em novembro, pouco antes do início dos protestos na República Islâmica, Khatib alertou sobre a “situação emergencial do descontentamento público no país”, e durante uma reunião com Conselho de Segurança, na mesma época, disse que “o inimigo planejava matar o líder Khamenei”.

O ministro da defesa israelense, Israel Kaatz, ao confirmar a morte de Ismail Khatib, declarou que o país iria aumentar ainda mais a pressão sobre o Irã nos próximos dias. Ele afirmou que a guerra está entrando numa fase decisiva, “a política de Israel para este conflito é clara e inequívoca: ninguém no Irã que faz parte do regime possui imunidade. Cada um deles é um alvo em potencial”, disse Katz.

Essas três pessoas eliminadas por Israel, em menos de dois dias, não eram figuras periféricas, mas instrumentos centrais do controle estatal. Sob a perspectiva política, isso é crítico. Quando a base política estrutural de um país é eliminada neste nível, o sistema já não responde mais como deveria porque foi desestabilizado instantaneamente.

E o que restou ao regime? Khamenei Júnior que supostamente tomou posse como novo líder supremo, mas, segundo serviços de inteligência está em coma, internado em algum lugar nos subterrâneos de Teerã. Quem comanda o Irã, neste momento, é a Guarda Revolucionária.

Efetivamente, o Irã está assistindo a decapitação da cúpula que detinha o poder e comandava o país com mão de ferro. O resultado disso é uma nação que luta para não perder o controle. Sem as capacidade militares e estruturais que garantiram, por três semanas, desafiar o poderio da única superpotência militar mundial, os Estados Unidos, o regime dos aiatolás já não é mais a “grande ameaça” forjada sob a retórica de possuir uma força militar imbatível a longo prazo.