Especialistas sempre reforçam que nas eleições municipais, dificilmente, candidatos com temas abstratos atraem o eleitorado, uma vez que é na cidade onde de fato o papel da política é percebido pelo cidadão, em sua concretude. Não à toa, o ex-prefeito Iris Rezende ficou conhecido como o ‘tocador de obras’. Isso porque é na localidade que a falta de serviços básicos impacta diretamente a população e, por isso, o eleitor, costumeiramente, não se deixa levar por questões de ideologia.

Goiânia é um exemplo em eleger candidatos dos dois espectros políticos, tanto do centro quanto da direita ou da esquerda, mas sempre com foco em quem realmente poderá gerir a cidade. No entanto, conforme pesquisas, ao menos em Goiânia, a previsão é de que haja uma polarização no estilo nacional entre petismo e bolsonarismo.

Neste sentido, mesmo que se repitam pautas nacionais, como questões de gênero, o candidato que não convencer o eleitor de que será um bom administrador do município poderá largar bem no início da campanha, mas não ter fôlego até o final e ser o vitorioso.

É fato que uma eleição majoritária é totalmente diferente da eleição proporcional, na qual o candidato é eleito por uma parcela do eleitorado que se identifica com as opiniões dele. Por outro lado, para um cargo de chefe do Executivo, a votação representa a maioria da população e cada nicho tem suas demandas específicas, centradas no funcionamento dos serviços públicos, como saúde, educação, infraestrutura e segurança, por exemplo.

Assim, tentar levar para a candidatura a prefeito uma plataforma pautada em temas de prerrogativas das esferas nacionais, como do presidente da República, do Congresso Nacional ou do Supremo Tribunal Federal (STF), pode até agradar parte do público, entretanto, para conquistar os 50% mais 1 será necessário ainda gastar muita sola de sapato.

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