O toque sem consentimento é intolerável — caso Pedro
19 janeiro 2026 às 18h42

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O debate que deveria ser tratado como “o mínimo que pessoas civilizadas deviam fazer” retorna mais uma vez em mais uma edição do Big Brother Brasil (BBB). Pedro Espindola, de 22 anos, que se apresentou ao público como vendedor ambulante, disse que teria entendido errado os sinais. Essa justificativa, porém, não lhe dá o direito de invadir o espaço pessoal da advogada e modelo Jordana, de 29 anos.
Jordana relatou aos companheiros de confinamento a atitude agressiva e a tentativa de ser beijada à força. Logo depois, Pedro apertou o botão de desistência, alegando pressão psicológica. Alguns suspeitam que o motivo real seria covardia mesmo.
Sua esposa, que como se sabe – e ele não deixou ninguém se esquecer – que foi traída por ele, apagou as fotos dos dois juntos nas redes sociais. O responsável pela administração de suas contas declarou que deixaria de gerenciá-las por não concordar com suas atitudes dentro da casa.
Toda a situação ocorreu na dispensa, em um local afastado dos outros participantes. Aparentemente, ambos entraram para pegar algo. Para ele, a situação foi oportuna. Pedro sentiu segurança em abordar uma mulher sozinha, distante dos amigos. Agiu como um predador: esperou o momento de vulnerabilidade de sua vítima e atacou.
Ela, claramente, não podia se defender por conta própria em um local isolado. Ele sabia disso e conduziu a situação para que fosse possível.
O episódio expõe, mais uma vez, como o desrespeito ao corpo e à vontade da mulher ainda encontra espaço em nossa sociedade. Não se trata de “mal-entendido”, mas de uma violação. O consentimento não é detalhe, não é nuance, é a base de qualquer interação.
A desistência de Pedro não apaga o ocorrido. O gesto de Jordana, ao relatar imediatamente o que aconteceu, é um ato de coragem e de resistência. É também um alerta para todos: não podemos normalizar comportamentos abusivos, nem dentro de um reality show, nem fora dele.
Consentimento é inegociável. Não há espaço para interpretações convenientes. Isolamento não pode ser usado como oportunidade. O predador age na sombra, mas a sociedade precisa trazer à luz esses comportamentos. O público, os participantes e a produção têm o dever de não relativizar atitudes que ferem a dignidade humana.
O caso de Pedro e Jordana no BBB 26 é mais do que um episódio pontual, é um reflexo de problemas estruturais que insistem em se repetir. O toque sem consentimento é intolerável. E enquanto houver quem tente justificar ou minimizar esse tipo de violência, será necessário reafirmar, quantas vezes forem precisas, que respeito não é opcional, é obrigação.
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