De cada dez startups com foco em impacto social, seis estão no Brasil. Todas essas empresas têm como foco o ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU) número dez, que busca reduzir as desigualdades socioeconômicas, segundo levantamento divulgado pela escola de negócios da Fundação Dom Cabral (FDC). O Brasil é a nona economia do mundo, líder político na América Latina, que bateu recorde na geração de empregos e está no play como peça chave do tabuleiro geopolítico e comercial. 

O Brasil tem recursos naturais gigantescos, como petróleo, gás, minério de ferro, além uma riqueza natural imensurável, com potencial para produzir energia limpa e liderar a transição energética no mundo. São áreas que a Europa vem perdendo a importância e competitividade. Patriotismo não é idolatrar político, orar para pneu ou bater palma para bilionário americano. Patriotismo é reconhecer o que tem de melhor no país e em seu povo e, não só isto, mas fomentar ações que reduzam as desigualdades e incentivem as pessoas a serem o melhor que elas podem ser. 

Apesar de viver teoricamente uma democracia representativa, o povo brasileiro não está representado no Congresso, tampouco no Executivo ou Judiciário. Foram mais de 30 milhões que decidiram não ir às urnas em 2022. São mais de 3 milhões que não possuem sequer registro civil e não participam de nenhuma escolha do País. Talvez o povo brasileiro esteja mais representado no Censo do IBGE, que aponta para ascensão feminina, preocupação ambiental e busca por qualidade de vida. Ou talvez o levantamento se tornou pequeno e defasado demais para a dimensão do País. 

No cenário mundial, o Brasil se destaca por se relacionar bem com todos, conseguindo abrir pontes de diálogo com as mais diversas nações. Segundo especialistas em Relações Internacionais ouvidos pelo Jornal Opção, o país precisa resolver suas questões internas antes de se projetar melhor no cenário internacional. Ao mesmo tempo, acredito que é muito possível pensar o mundo de forma global, agindo localmente e transformando sua comunidade.

Ser progressista não é defender modelo econômico x ou y, mas sim olhar para frente, pensar no futuro, propor soluções novas e deixar o passado para trás. Uma Nação que olha para o novo não combina com um Congresso ultraconservador, reacionário e mesquinho. O Brasil não pode ser representado pelo que tem de pior, que são seus políticos.

O que é uma SocialTech?

Nos últimos quatro anos, a Fundação Dom Cabral (FDC) vem investigando empresas de empreendedores sociais e criou o Selo iImpact para reconhecer práticas de impacto positivo. Com uma base de dados de mais de 2.380 empreendedores sociais de 25 países, a FDC realizou um levantamento abrangente sobre as características das energytechs.

A pesquisa revelou um boom na criação de energytechs entre 2017 e 2020, sinalizando um avanço significativo no setor energético. Todas essas iniciativas seguem os 5P’s da Agenda 2030 da ONU, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Aproximadamente 63% dessas empresas focam na sustentabilidade, com ênfase no ODS 12, que trata de Consumo e Produção Responsáveis. Outros 37% concentram-se no ODS 9, relacionado à indústria, inovação e infraestrutura. Além disso, todas as empresas estão comprometidas com o ODS 7, que busca garantir acesso confiável, moderno e acessível à energia limpa e sustentável para todos. Cerca de 65% delas têm como objetivo a proteção do planeta para atender às necessidades presentes e futuras.

Os empreendedores sociais estão buscando soluções para problemas não resolvidos por políticas públicas adequadas, que limitam o crescimento no Brasil e na América Latina. A pesquisa correlacionou o crescimento das startups de empreendedorismo social com a criação dos 17 ODS estabelecidos pela ONU, que guiam a formulação e implementação de políticas públicas até 2030.

No Brasil, o cenário é promissor, com 69% das startups de energytech concentradas em regiões estratégicas como Sudeste (Belo Horizonte/MG e Rio de Janeiro/RJ), Sul (Curitiba/PR e Joinville/SC) e Nordeste (João Pessoa/PB). Paraná e Paraíba se destacam, cada um abrigando 15% dessas startups. Segundo a Fundação Dom Cabral, essas empresas estão desenvolvendo soluções tecnológicas inovadoras que vão desde a redução do consumo de energia até a distribuição e aquisição de energia limpa, além de serviços como compra de créditos de energia, marketplaces e energia para mobilidade, como veículos elétricos.

Em relação aos modelos de negócio, metade das empresas adota estratégias B2B, enquanto os outros 50% se dividem entre modelos como B2B2C, B2C, Marketplace e P2P.