Acadêmicos de Niterói fez propaganda eleitoral para Lula
16 fevereiro 2026 às 18h31

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O desfile da Acadêmicos de Niterói, em sua estreia no Grupo Especial, foi apresentado como homenagem cultural, mas na prática configurou propaganda eleitoral explícita em favor do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em pleno 2026, ano de disputa presidencial, a narrativa construída pela escola ultrapassou os limites da arte e se converteu em instrumento político contra o bolsonarismo.
A escola levou para a avenida um enredo exaltando a trajetória de Lula, desde sua infância humilde até a chegada ao poder. Carros alegóricos retrataram o presidente como símbolo de esperança e liderança popular, com destaque para uma escultura monumental de Lula no último carro. O samba enredo reforçava a imagem do operário que se tornou líder nacional, embalado por versos que ecoavam como slogans políticos.

O desfile não se limitou a enaltecer Lula, mas também incluiu referências críticas a Jair Bolsonaro (PL), retratado de forma caricatural, reforçando o contraste entre os dois líderes. Paulo Vieira, ator e humorista, interpretou Lula durante a apresentação, dando vida ao personagem central da narrativa e ampliando o impacto simbólico.
Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado de Janja, ministros e aliados como Eduardo Paes. A presença de figuras políticas reforçou a leitura de que o evento não se limitava à arte, mas funcionava como vitrine eleitoral. Ainda que o PT tenha orientado seus filiados a evitar menções explícitas a “Lula 2026”, a própria escolha do enredo e da narrativa visual já configurava campanha antecipada.

O cenário político de 2026 pesa ainda mais contra esse tipo de manifestação. A polarização segue intacta entre lulismo e bolsonarismo, mesmo que Jair Bolsonaro esteja preso e não seja candidato oficial. Sua figura continua a mobilizar a oposição e a dividir o país, o que torna qualquer ataque ou caricatura contra ele parte direta da disputa eleitoral. Nesse contexto, a homenagem a Lula não pode ser dissociada da batalha política que domina o Brasil.
Em ano eleitoral, qualquer exaltação de um presidente em exercício ganha peso político imediato. A caricatura de Bolsonaro como palhaço evidencia que o desfile não foi apenas homenagem, mas também instrumento de disputa política. A Sapucaí, que deveria ser palco de crítica social e celebração cultural, foi instrumentalizada para reforçar a figura de Lula e atacar seu principal adversário simbólico.
O carnaval é espaço legítimo de crítica e celebração, mas quando uma escola de samba transforma sua narrativa em exaltação de um líder em exercício, em pleno ano eleitoral, o risco de instrumentalização se concretiza. A Acadêmicos de Niterói não apenas homenageou Lula, fez propaganda eleitoral, convertendo a Sapucaí em palanque contra o bolsonarismo.
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