Parecia ser o plano perfeito. Tudo foi elaborado meticulosamente durante anos pra que não houvessem falhas. O inimigo tinha que ser destruído, varrido da face da Terra. Mas a faísca que daria início ao fogo que deveria incendiar o Oriente Médio – o massacre realizado pelo Hamas contra as comunidades do sul de Israel – pode ser considerada o erro de cálculo mais catastrófico na história militar do mundo moderno. Todos os líderes do “Eixo da Resistência” estão mortos, Hamas em Gaza, Hezbollá no Líbano, a Guarda Revolucionária no Irã, os Houthies no Iêmen, milícias no Iraque e na Síria e, por fim, o mentor desse plano diabólico: Aiatolá Ali Khamenei.

No papel, o planejamento parecia simples: atacar Israel com tal força que provocaria, de imediato, uma mega invasão árabe por terra em todo território israelense com o suporte militar dos asseclas iranianos: Hamas pelo sul e o Hezbolá pelo norte, os dois, financiados pelo regime islâmico, seriam ativados simultaneamente. A ordem para o início do massacre no sul de Israel chegou à Gaza por um vídeo gravado pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei, desejando “boa sorte” aos shahids ou guerreiros do Islã. Os aiatolás acreditavam que as Forças de Israel não conseguiriam lutar em cinco fronts ao mesmo tempo, mas foi um erro amargo e mortal.

O Irã passou os últimos quarenta anos se preparando para esse momento. No entanto, quando a guerra se impôs, não só o regime islâmico, mas, um por um, todos foram humilhados, começando pela Faixa de Gaza, onde toda liderança foi eliminada durante os dois anos de guerra, entre eles, Yahya Sinwar, o arquiteto do 07 de outubro, que foi caçado e morto entre as ruínas do enclave. O conflito terminou num cessar-fogo provisório que garantiu ao Hamas manter apenas 40% da Faixa de Gaza. O território palestino ficou devastado e a população, que o grupo dizia tanto proteger, pagou o preço da guerra iniciada por seus líderes.

No Líbano, o Hezbolá, supostamente, era considerado o grupo terrorista, detentor de extrema força militar, mais sofisticado do planeta, ficou de joelhos após uma ação calculada e muito bem articulada pelo Mossad, serviço de inteligência israelense, que ativou explosivos colocados dentro dos pagers, (os membros do grupo xiita libanês não usavam telefones celulares pra evitar que fossem detectados), que matou 3 mil militantes de uma só vez e feriu outros milhares. Os que sobreviveram ficaram cegos. Ao mesmo tempo, a força aérea bombardeou o bunker onde estava Hassan Nasrallah, o líder do grupo que morreu sob os escombros do local, que ficava a 80 metros de profundidade. Por fim, a humilhação que deixou Beirute estarrecida: o exército libanês, pela primeira vez, em décadas, forçou o desarmamento do Hezbolá pra que o país não fosse destruído por Israel, que ainda está lá dentro lutando contra o grupo xiita.

Na Síria, o ditador Bashar al-Assad, que sobreviveu a uma década de guerra civil, foi deposto por grupos rebeldes em questão de dias. Por que? Porque o Irã já tinha comprometido seus recursos lutando contra Israel. O Hezbolá, que garantia a guarda de Assad na Síria, foi dizimado. Não sobrou nada que o ditador fosse salvo pelo aiatolás. Ele que acabou abandonando o país e fugiu para a Rússia, onde se encontra, até hoje, sob proteção de Vladimir Putin. O homem que o Irã protegeu durante 15 anos evaporou em, apenas, 72 horas.

Muitos diziam que atacar o Irã significaria o início da Terceira Guerra Mundial. Mas o líder supremo da República Teocrática acabou morto logo no primeiro dia de conflito. Junto a Khamenei também morreram o ministro da Defesa, o comandante maior da Guarda Revolucionária e toda liderança militar do Irã. Desde então, o país vem sendo bombardeado dia e noite e já começa a dar sinais de exaustão.

General Ismail Ahmad, chefe da inteligência do Basji | Foto divulgação

Outros 25 lideres, que formavam a cúpula do governo dos aiatolás, também estão mortos. Hoje, mais dois alto oficiais foram assassinados: General Ismail Ahmad Moghaddan, chefe da inteligência do Basji, força de repressão paramilitar do país, e o porta-voz da Guarda Revolucionária, Ahmad Mohammad Naini, que antes de morrer elevou o tom contra Washington, desafiando os Estados Unidos a enviarem navios militares para o Golfo Pérsico. Ontem, Naini chegou a dizer que a indústria de mísseis do Irã continuava intacta e que não havia motivos para preocupações. Horas depois, o premiê, Benjamin Netanyahu, anunciou que toda indústria bélica iraniana foi destruída. Em seguida, Naini morreu no bombardeio contra o quartel general da Guarda Revolucionária.

Ahmad Mohammad Naini, porta voz da Guarda Revolucionária | Foto: divulgação

Toda corrente de comando do Irã, civil e militar, está morta. Foram 40 anos construindo a imagem de um regime intocável. Em 20 dias, todos eles desapareceram. A guerra já está no fim, mas a cultura de guerra, ao que parece, está só começando.