A guerra no Irã chega ao dia D. Confira o que pode acontecer
07 abril 2026 às 17h01

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Imagens da mídia estatal iraniana mostram correntes humanas se formando ao redor de usinas termoelétricas e de dessalinização, além de outros locais-chaves que formam a infraestrutura do país — como a usina de energia elétrica de Tarbriz e a ponte de Dezful (a maior do Irã) —, à medida que Teerã se prepara para um ataque maciço dos Estados Unidos e Israel.
De acordo com a agência de notícias Tasnim, a presença de civis nesses locais foi a alternativa do governo iraniano para tentar impedir a destruição de lugares sensíveis que, certamente, estarão na mira de Donald Trump, que alertou para a possibilidade de possíveis ataques contra a infraestrutura iraniana caso o regime islâmico não reabra o Estreito de Hormuz até as oito horas da noite em Washington.
Não é a primeira vez que o regime usa civis como escudos humanos. Em 1981, durante a guerra Irã x Iraque, mais de 1 milhão de iranianos morreram no conflito — pelo menos 500 mil eram civis. Pessoas que foram usadas como escudos humanos para interromper a máquina de guerra de Sadam Hussein.
No recente conflito em Gaza, o Hamas, grupo terrorista palestino financiado pelo Irã, também usou civis como escudos humanos. O Hezbollah, no Líbano, utiliza a mesma tática. Uma forma de manchar a reputação das forças inimigas alegando que civis estão sendo mortos aleatoriamente no conflito — o que é um crime de guerra.
Regimes islâmicos radicais como o do Irã, Hamas e Hezbollah são regidos pela lei islâmica e, por meio dela, garantem às suas populações a “graça de Alá” através do martírio. Por isso, ao convocarem os iranianos para protegerem usinas, pontes e outros locais do país com o próprio corpo, o cidadão religioso sabe que, caso morra num ataque, estará lutando por Alá e pelo Islã. As imagens que vem do Irã mostram muçulmanos xiitas como escudos humanos.
Há poucas horas do fim do prazo final para que o Irã aceite um acordo e abra o Estreito de Hormuz, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “uma civilização inteira morrerá nesta noite”. Trump disse ainda que “não quer que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”. Ele responsabilizou o regime dos aiatolás, no comando do país há 47 anos, pela tragédia iraniana.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer. Quem sabe? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, afirmou Trump.
A Guarda Revolucionária recusa cessar-fogo
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusa os comandantes da Guarda Revolucionária, tidos como responsáveis pelo fracasso das negociações por um cessar-fogo e pela escalada do conflito. Na segunda-feira, 6, à noite, no gabinete presidencial, em Teerã, Pezeshkian confrontou Hossein Taeb, o último comandante do alto escalão militar que ainda está vivo e que, neste momento, atua como chefe maior da Guarda Revolucionária. Segundo agências internacionais, os dois tiveram um embate pesado logo após o discurso final de Donald Trump.
Durante o encontro, Pezeshkian acusou Ali Abdohalli, comandante geral do Centro Comando Khatam al-Anbyia, de agir unilateralmente e escalar o conflito com ataques aos países do Golfo, especialmente contra as infraestruturas locais. Pezeshkian alegou que esses ataques minaram qualquer possibilidade de um cessar-fogo e que isso levaria a República Islâmica à catástrofe. Ele também alertou que a economia não conseguirá manter o país em guerra por mais tempo e que o colapso econômico do Irã é inevitável sob essas condições.
O confronto entre os dois líderes iranianos demonstra uma mudança radical na estrutura de poder do Irã: de um lado, os militares e os serviços de inteligência e, do outro, um governo legitimamente eleito e o alto clérigo formado pelos aiatolás.
A tensão entre o presidente do Irã e o comando da Guarda Revolucionária, principalmente com Vahidi, aumentou desde que Pezeshkian passou a criticar a forma como a guerra estava sendo conduzida e alertar para o impacto do conflito na vida dos iranianos e da economia do país. A autoridade do presidente continua encolhendo a cada dia de conflito, e os militares resistem às suas decisões, acenando para uma provável tomada de poder.
Segundo a Agência Internacional Iraniana, as condições para a manutenção da Guarda Revolucionária e das forças Basji pioram a cada dia. Já há relatos de falta de comida e suprimentos de primeira necessidade, como de higiene.
Nas últimas 72 horas, com a destruição das bases militares, as tropas já não têm mais onde dormir. Muitos soldados são vistos dormindo nas ruas e muitos têm acesso a apenas uma refeição por dia. Já há contingente sendo forçado a comprar sua própria comida, mas, com a destruição dos bancos e dos caixas eletrônicos, os salários estão atrasados. A falta de dinheiro também é um componente preocupante. O comando da Guarda Revolucionária teme o aumento da frustração entre os pelotões, que poderá levar à deserção em massa.

