Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

O que pode impedir a candidatura de Lula da Silva à Presidência da República?

Lula da Silva: Lula pode estar inelegível em 2018, mas a lerdeza da Justiça é proverbial | Foto: Divulgação

Lula da Silva (PT) está em plena campanha para a Presidência da República. Todos os observadores po­líticos lúcidos sabem disso. Dis­cordam apenas sobre o início dela. Quando começou? Muitos colunistas políticos veem esse ponto de partida na mobilização feita em Mon­teiro, na Paraíba, no dia 19 de março, quando o petista resolveu reinaugurar o trecho do desvio do Rio São Francisco, que o presidente Michel Temer havia batizado dias antes.

Mas é possível afirmar que há eventos anteriores que se inserem nes­sa campanha. Um, a movimentação na Avenida Paulista contra as reformas Trabalhista e da Previdên­cia, seguida de comício, no dia 15 passado.

Outro, mais emotivo e surpreendente, o sepultamento de Marisa Letícia, no dia 4 de fevereiro, quando Lula não perdeu a ocasião de fazer pronunciamento que pode muito bem ser visto como político-eleitoral.

Nenhum aparecimento de Lula desde o impedimento de Dilma Rousseff pode, a rigor, fugir ao figurino eleitoreiro, embora tenham se resumido a plateias de fiéis à seita do lulopetismo.
Objeta-se que Lula poderá estar inelegível — e até mesmo preso — até a época do registro de candidaturas. Mas há que se levar em conta a lerdeza da Justiça e o fato de que não basta uma sentença de primeira instância — leia-se sentença de Sérgio Moro — para gerar efeitos mais retumbantes sobre uma candidatura. Seria preciso uma confirmação em tribunal colegiado.

Viagens de jato

As movimentações feitas até agora pelos petistas não aparentam falta de recursos. Lula da Silva se desloca em jato — ou jatos — que custam muito caro e ninguém sabe quem paga. Militantes mobilizados ganham diárias, transporte e os famosos sanduíches de mortadela. Quem custeia?

Na Paraíba, percebeu-se que o poder público, na pessoa do governador petista (ora no PSB) Ricardo Coutinho e prefeitos, patrocinou os preparativos e o comício extemporâneo. Triste e ilegal.

Mas parece que há ainda uma plêiade de “companheiros”, ONGs e assemelhados agarrados a órgãos públicos que encontram meios de ao menos em parte financiar, como faziam nos governos do PT, essas movimentações. Sem falar em grandes empresas que muito se aproveitaram dos “favores” da era petista.

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