Continuaremos a ser o país do futuro, até que venha uma improvável e profunda revolução da educação nacional, o que parece estar longe de acontecer

Com muita polarização e pouca civilização (principalmente nas altas esferas), a sociedade brasileira se prepara — tensa — para as eleições de outubro deste ano. Para as votações do primeiro turno nem cinco meses faltam. Curtíssimo prazo, para que ocorram mudanças fundamentais no retrato político atual, uma eternidade para os que nele diretamente estão fotografados.

Os mais velhos e esclarecidos não acreditam em explosões nucleares — politicamente falando, é claro — nos acontecimentos eleitorais que se aproximam. O eleito, seja quem for, será proclamado vencedor e tomará posse, por mais que proteste o lado que tiver menos votos, e as Forças Armadas cumprirão, como sempre, seu papel constitucional.

O que vem depois é pouco previsível, dado a qualidade do Congresso, que, salvo a esperança de uma pequena renovação no Senado, pouco tende a ser mudado. Afinal, uma enormidade de recursos públicos foi posta à disposição de nossos exemplares congressistas – em geral políticos profissionais – que buscam a reeleição, e a cúpula judiciária, que se dá bem com eles, resolveu recentemente adotar a militância política, como se eleita pelo povo fosse. Mas alguma futurologia pode ser feita, embora exercícios como esses, quase nunca confirmados, costumem deixar os oráculos em maus lençóis. Arrisquemos, contudo.

No horizonte próximo, apenas duas candidaturas a presidente apontam para a viabilidade: Jair Bolsonaro e Lula da Silva.

1
Se Jair Bolsonaro for reeleito
Jair Bolsonaro: presidente da República | Foto: Agência Brasil

Reeleito Bolsonaro, o establishment, já muito inconformado com sua eleição em 2018, vai surtar, para usar uma palavra da moda.

Toda a grande imprensa retomará seus ataques, até certo ponto insanos, por um lado, e por outro nada publicará, por mais claro e evidente que seja, que possa pesar favoravelmente para o governo federal.

Malandros, se contra o governo, serão tratados como heróis, e os militares com o preconceito costumeiro.

Os artistas renovarão seus protestos e manifestos na eterna crença de que significam algo no mundo político. O meio universitário continuará atuante na oposição, apoiado nos orçamentos consideráveis das universidades, que permitem flexibilidade nas contratações, bolsas, congressos etc.

A maioria do Congresso continuará sua ação fisiológica, obrigando o Executivo a um enorme malabarismo para fazer concessões sem corrupção explícita, e votará novamente enormes somas para os fundos Eleitoral e Partidário, além das Emendas Orçamentárias Individuais e de Bancada.

As classes mais aquinhoadas nos seus salários (Judiciário, Ministério Público, Banco Central, Auditores Fazendários, Polícia Federal e assemelhados) continuarão a manter suas vantagens e cobrarão suas reposições inflacionárias e outros benefícios.

O Supremo Tribunal Federal, tal como vem fazendo, atenderá os pequenos partidos de esquerda (PSOL, PT, PC do B e outros) em suas petições que engessem o Executivo federal, o que poderá ser amenizado pela indicação dos dois novos ministros que substituirão Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, que se aposentam em 2023.

Evidentemente, desde que os novos indicados sejam mais audazes do que Nunes Marques e André Mendonça e levantem o debate no plenário da Corte Suprema, o que até hoje estes dois não tiveram a coragem de fazer, apesar do ativismo de alguns ministros aquinhoados por Lula da Silva ou Dilma Rousseff.

Em resumo, o inconformismo com a vontade da maioria será maior do que aquele levantado após as eleições de 2018, o que poderá redundar em conflitos maiores do que os atuais. Esperemos que fiquem esses conflitos apenas no campo da retórica. Se tal ocorrer, Bolsonaro poderá, com todas as dificuldades que hoje enfrenta e mais algumas, terminar seu mandato com parte das realizações a que se propõe cumpridas, com a economia se recuperando das últimas adversidades (pandemia, lockdown, guerra na Ucrânia etc.). Poderá, se escolher um ministro da Educação muito competente, obter uma pequena melhoria no ensino, que se encontra no fundo do poço, logo com poucas possibilidades de piorar, pela atuação ideologizada a que foi submetida nos governos de esquerda.

Algum progresso se espera também na Segurança Pública, apesar da continuidade da “vitimização” da marginalidade e ataques à polícia por parte dos partidos de esquerda, da imprensa, do Judiciário e de alguns governadores.

2
Se Lula da Silva for eleito
Lula 1º de Maio
Lula da Silva: ex-presidente da República | Foto: Reprodução/Facebook

Eleito Lula da Silva, espera-se que não se repita a corrupção desenfreada dos mandatos anteriores. Afinal, uma temporada na cadeia deixa algum aprendizado, mesmo para o mais inflexível dos transgressores.

Mas não sejamos cem por cento otimistas e lembremo-nos do ditado que afirma: o uso do cachimbo faz torta a boca. Ele também se aplica ao desvio de recursos públicos para auxílio de governos estrangeiros de esquerda, como foi feito no passado para Cuba, Angola, Moçambique, Equador, Nicarágua etc.

Não serão os mesmos os volumes já roubados ou desviados de nossas necessidades para serem doados lá fora, espera-se, mas algo será feito nesse sentido, com maior cuidado quanto às repercussões, pois existe um compromisso brasileiro muito forte com o Foro de São Paulo, que ainda acredita nas palavras de ordem de sua fundação: ganhar para o marxismo na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu. Afinal, a única região onde o marxismo ainda respira neste século, é justamente na AL, e Lula, juntamente com Fidel Castro, foi um dos fundadores do Foro.

Não deve haver melhoria na Segurança Pública, uma vez que é dogma (e estratégia política) atribuir à injustiça social todo tipo de marginalidade e à polícia o papel de arbitrária e servidora das elites.

Além disso, voltarão os movimentos de desarmamento social, que como se sabe, não afetam o armamento da marginalidade e conferem a ela mais segurança.

O mesmo deve ocorrer com o ensino, que deverá ficar onde está, isto é, nos mais baixos patamares mundiais, em seus três níveis. Educação se aprimora com muito esforço, exigência e puro ensino, e não com frouxidão, indisciplina e ideologia, como se fez por trinta anos, e muito provavelmente será feito em novo governo Lula.

Não existirão grandes aventuras marxistas na economia. Lula (como Fernando Henrique) acredita mais no modelo chinês: capitalismo na economia, desde que os bilionários sempre alimentem a cúpula “companheira” com algum pixuleco e não deem palpite na política e na ideologia. Isso explica a campanha pró-Lula que fazem alguns banqueiros mal-acostumados e que só enxergam o dinheiro (como a herdeira do Banco Itaú, Neca Setúbal).

O mais talentoso segmento econômico brasileiro, o agronegócio, terá de volta o MST para lhe atribular a vida, e os xingatórios de sempre (latifundiários, exploradores etc.), mas continuará trabalhando. Em suma, haverá uma repetição atenuada do já visto, mas atenção!

Uma tremenda ameaça estará presente: pode haver uma tentativa de perpetuação no poder via de um concubinato entre Congresso e Supremo. Lula se mostrou extremamente astuto no comprar congressistas no passado e colocou no Supremo Tribunal Federal ministros de sua inteira confiança. Essa ameaça se transformou em realidade em alguns casos nas vizinhanças (Bolívia, Venezuela, Nicarágua etc.). Tudo começa com a possibilidade de reeleições sucessivas e acaba em ditadura escancarada ou disfarçada. Isso, que é para nós é o maior dos perigos, para a megalomania de Lula é um sonho dourado. Como o é também para seus dois séquitos: o dos indolentes fisiológicos e o dos marxistas patológicos.

Em resumo: continuaremos a ser o país do futuro, até que venha uma improvável e profunda revolução da educação nacional, o que parece estar longe de acontecer. Ou até que mergulhemos de vez no “progressismo” venezuelano.