Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Deputado Molon produz farsa sobre armas e GloboNews não questiona

A missão de uma emissora de TV é verificar dados para divulgar a verdade. No caso de Alessandro Molon, o canal da Globo endossa informação sem admitir que é falsa

Alessandro Molon, deputado federal do PSB: informações divulgadas estão longe da realidade | Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

Temos, não só entre os amigos da Segurança Pública, como entre os atletas competidores do tiro esportivo, o costume de uma brincadeira: sempre que surge um rematado mentiroso, dizemos que mente mais que especialista em segurança da Globo.

De fato, os programas da emissora são conhecidos por sua tendência desarmamentista, e os entrevistados, sempre apontados como “especialistas”, são pessoas que comungam com a orientação da empresa, não tendo vez os defensores da posse ou do porte de armas. Tais “especialistas”, que ninguém sabe onde se especializaram, usam as mais absurdas estatísticas, os mais frágeis argumentos, as mais mentirosas previsões. A emissora se abstém de ouvir os verdadeiros conhecedores do assunto, como o advogado Fabrício Rebelo, ou o professor Bené Barbosa, eles, sim, especialistas na questão.

Na semana passada, a GloboNews promoveu um debate entre dois deputados, a respeito do decreto 9.785, de 7 de maio passado (alterado pelo decreto 9.797, de 21 de maio), que desburocratiza a aquisição e o porte de armas e munições por parte de esportistas de tiro, caçadores e colecionadores de armas (os CACs), e estende as facilidades a algumas categorias  governamentais, como oficiais de justiça, ou privadas, como camioneiros e advogados. Compareceram o deputado até ontem petista (hoje no PSB, após passar pela Rede de Sustentabilidade) Alessandro Molon, conhecido por seu extremismo, evidentemente para falar contra a posse e o porte de armas.

Hegemonia marxista

O controle social preconizado pela doutrina marxista exige uma população totalmente desarmada, pois o contrário seria uma ameaça ao Estado. O indivíduo, sua opinião, sua liberdade, sua família e suas posses que se danem. Afinal, nada valem perante o “coletivo”, no entender da doutrina comunista.

Para falar a favor da posse compareceu o deputado Marcel van Hatten, uma das inteligências novas do Congresso, mas sem preparo para o debate, até por não ser um aficionado das armas, como há muitos na Casa, que poderiam ter feito melhor figura. O mediador foi o jornalista Gerson Camarotti. Não sou apreciador do canal GloboNews. Acho-o por demais tendencioso, e seus repórteres seguem a linha da emissora, visível e inexplicavelmente à esquerda, e com críticas exageradas ao governo Bolsonaro. Da veterana Eliane Cantanhede à nascente Andréia Sadi, nenhum jornalista evidencia os feitos positivos do governo, enquanto os negativos são enormemente ampliados e repetidos. Camarotti costuma ser um dos jornalistas mais isentos, mas tem que seguir a linha da emissora, e por isso dá lá também suas escorregadelas. Para a esquerda, é claro.

Camarotti, no debate, não deixou de apresentar gráficos e estatísticas, sempre em auxílio de Molon. À parcialidade da emissora veio se somar uma farsa intelectual de Molon, que a certa altura afirmou, categoricamente, que o decreto ocasionará o fornecimento de 19 milhões de portes de arma, e que isso provocará uma enxurrada de homicídios, com as pessoas nas ruas atirando umas contra as outras.

Em primeiro lugar, o deputado chegou a esse número (quase 10% da população brasileira!) somando todos os integrantes das classes beneficiadas com a desburocratização. Disse, por exemplo, que só camioneiros seriam 1 milhão a portar armas. Nada mais falso. Dois terços da população brasileira manifestaram-se a favor do direito de possuir armas, no referendo de 2005. Isto não quer dizer que dois terços dos brasileiros querem e vão adquirir armas. Embora seja maciça a manifestação a favor do direito de o cidadão ter uma arma, apenas pequena parcela da população pretende fazê-lo, e dos que pretendem, uma ínfima parte pretende portar uma arma. E dos que pretendem portar, parte vai desanimar ao ver os preços de armas e as taxas incidentes. Outra parte não terá motivos para o porte, aptidão para o manuseio ou o preparo psicológico para tanto, o que de saída inviabiliza a pretensão.

Nem 5% do número alardeado por Molon virá um dia a portar uma arma, e ele sabe disso. O Brasil precisa de mais sinceridade por parte dos políticos. Mas como encontrar políticos sinceros entre os que sempre estiveram ao lado de Lula da Silva, endossaram sua roubalheira e querem-no livre da cadeia? Como encontrá-los entre os que defendem as ditaduras de Cuba e da Venezuela? Para encerrar o assunto: 14 governadores assinaram carta ao governo pedindo revogação do decreto 9.785. Os argumentos são os mesmos dos “especialistas” referidos. Onze desses governadores são de esquerda ou pertencem a partidos de esquerda, logo agem por razões ideológicas. Um é filho de Renan Calheiros, e outro filho de Jader Barbalho (o que diz muito). Resta apenas, para levar em conta, a opinião do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

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José Velasco Arias

Acho que ter uma arma não quer dizer que vai aumentar a criminalização,acredito que as mortes só vai melhorar com investimentos em segurança, é pagar melhor a os atores dá segurança
Pergunto vc seria policial?

Celia

A mentira é uma arma, e a censura é o desarmamento dos que têm razão.

Estêvão Carlos Taukane

Acho que se for medir ou aferir a opinião pública sobre o porte e a eventual de armas o povo deve ser consultado, não apenas os representantes eleitos, mas uma consulta direta.