Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Corrupção entrou na balança comercial forjada pela era petista

Os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff exportaram corrupção para Peru, Angola e Moçambique

Os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff foram de uma enorme criatividade e de grande inovação em nossa balança comercial. Descobriram (ou inventaram) um novo produto de exportação que foi, a partir daqui, largamente disseminado por esse mundo afora. Infelizmente, esse produto, mesmo largamente exportado, em nada melhorou balança comercial do Brasil. Até porque não surge nos registros contábeis e nem consta da pauta de produtos exportáveis. Essa saída sequer trouxe qualquer vantagem não material para nosso país. Aconteceu mesmo o contrário. Que produto é esse, nunca dantes exportado, que não se contabiliza e por mais que saia não melhora a balança comercial, e ainda prejudica? Estou me referindo à corrupção.

Lula da Silva e Dilma Rousseff: presidentes pelo PT | Foto: Reprodução

Esse mal, caracterizado principalmente pelo desvio de recursos públicos dos mais pobres e necessitados pelos mais aquinhoados, logo uma ação desprezível, movida pelo excesso de cobiça e deficiência de caráter, não é um mal apenas nacional. Existe, em níveis — para usar um eufemismo — aceitáveis, pelo mundo afora. Existe até uma classificação dos países pela corrupção, que o leitor pode consultar na página da Transparência Internacional. Mas atingiu no Brasil patamares estratosféricos, com os escândalos do Mensalão, do Petrolão e da Lava-Jato. O que foi pouco divulgado pela “grande imprensa” é que houve essa larga exportação de corrupção pelos governos petistas para a América Latina, África e outros lugares. Coisa nunca dantes vista ou imaginada. Afirmativa gratuita, motivada pela aversão que não escondemos pelos governos marxistas e ou totalitários? Não, leitor, fatos, apenas fatos.

Em fins de 2016, as empresas associadas Odebrecht e Braskem, na esteira dos escândalos brasileiros da Lava Jato, assinaram um acordo de leniência com o Departamento de Justiça americano e com o governo Suíço. Confessaram ter pagado propinas a funcionários públicos e partidos políticos no Brasil e em mais onze países (Angola, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela). Confessaram o uso do sistema bancário internacional para esconder ou lavar dinheiro.

Apenas para se livrarem dos processos nos EUA e Suíça, as duas empresas concordaram em pagar cerca de R$ 7 bilhões em multas revertidas para os governos brasileiro, americano e suíço, segundo o portal G1.

O Departamento de Justiça dos EUA declarou ser aquele o maior acordo sobre corrupção já realizado no mundo, em todos os tempos. E muita coisa ficou de fora, nessa questão, pelo menos no Brasil. Operações do BNDES, por exemplo não foram devidamente investigadas, apesar dos grossos indícios de corrupção, e dos danos causados ao dinheiro do povo. A Braskem não foi investigada, embora suas relações com a Petrobrás sejam sabidamente danosas ao Erário. Outras grandes empreiteiras ou empresas comerciais e industriais incorreram em ilícitos como esses da Odebrecht e da Braskem, mas muito não foi investigado. Em cada um desses onze ou mais países para onde a corrupção petista foi exportada, poder-se-ia escrever um livro, contando os feitos nada gloriosos de políticos influentes, partidos e funcionários públicos aproveitadores. Contemos alguns desses “causos”, devidamente resumidos para que caibam em nosso espaço:

Peru: 4 presidentes processados

Ollanta Humalla e Lula da Silva: aliados | Foto: Reprodução

No Peru, todos os ex-presidentes vivos estão presos ou foram processados por corrupção, quatro deles por envolvimento com a Odebrecht (Alan García, que envergonhado, se matou em 2019, Pablo Kuczynski, que em 2019 foi preso, Alejandro Toledo, foragido nos EUA em 2017 e preso em 2019 e Ollanta Humalla, também preso, junto com a mulher, Nadine Heredia, em 2017).

O leitor pode imaginar o impacto dessa “importação” de corrupção feita via Odebrecht no ambiente político e social peruano.

Moçambique e o aeroporto inútil

Aeroporto de Nacala, em Moçambique: é conhecido como “fantasma” | Foto: Reprodução

Em Moçambique, a Odebrecht construiu o aeroporto de Nacala, financiado pelo BNDES. Algo muito estranho. Moçambique devia ao Brasil 315 milhões de dólares, que não conseguia pagar. Essa dívida foi integralmente perdoada por Lula da Silva em 2004. Por quê? Indagou-se à época, mas sem muita ênfase por parte da “grande imprensa”, que nunca via pecados no “companheiro” petista. Ah, se fosse Bolsonaro.

Hoje se sabe que, se Moçambique fosse devedor, não poderíamos usar o BNDES para fazer o empréstimo, a Odebrecht não poderia construir aquela obra sem concorrência e com preços superfaturados e por fim as propinas não poderiam serem pagas. A solução mais simples foi perdoar a dívida, que não era paga, e fazer outra, que evidentemente não seria também paga, como não está sendo, por Moçambique.

Foram 125 milhões de dólares para construção do belo aeroporto, inaugurado em 2014. Só que existe um aeroporto a menos de 200km de Nacala, em Nampula, em pleno uso, e o aeroporto de Nacala está, desde a inauguração, praticamente inútil. Projetado para um movimento de 500 mil passageiros ano, não movimenta nem 20 mil. Um desperdício a olhos vistos. E foi o primeiro calote sofrido pelo BNDES em seus empréstimos internacionais petistas. Outros viriam na sequência.

Angola e a usina de álcool e açúcar

Dilma Rousseff, do Brasil, e José Eduardo dos Santos, de Angola: negócios de compadrio | Foto: Reprodução

Em Angola, onde a Odebrecht se beneficiou da proximidade de Lula da Silva com o corrupto presidente (por quase 40 anos) José Eduardo dos Santos, muitos “negócios” foram feitos pela Odebrecht, que inclusive apadrinhou um sobrinho de Lula, a pedido deste, vidraceiro no Brasil que tentou se transformar em grande empresário em Angola.

Um destes “negócios” foi a implantação de uma usina de açúcar e álcool em Cacuso, na província de Malanje, em que a Odebrecht detinha 40% das ações, em sociedade com a petroleira angolana Sonangol e com angolanos não conhecidos.

Um senhor empreendimento, apoiado pelo Senai (Lula da Silva enviou vários técnicos para transferir tecnologia), que deveria produzir 23 milhões de litros de etanol por ano, 250 mil toneladas de açúcar e energia elétrica pela queima do bagaço de cana para 200 mil residências. Entrou em funcionamento em 2014, e pouco se ouviu falar dela, desde então.

Até que, no ano passado, mudou o governo angolano pela aposentadoria de José Eduardo dos Santos e entrou o novo presidente, João Lourenço.

João Lourenço resolveu deixar sua marca combatendo a grossa corrupção do antecessor, chefiada por sua filha Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África e de Portugal. Houve várias ações de confisco de bens de Isabel dos Santos e de outros políticos ligados a José Eduardo, em Angola e em Portugal.

Uma das empresas confiscadas foi justamente a usina Biocom. Os sócios da Odebrecht eram na verdade dois generais angolanos, testas de ferro de José Eduardo e Isabel, chamados Hélder Vieira Dias (Kopelica) e Leopoldino Fragoso do Nascimento (Dino). Que se apressaram em entregar os bens obtidos pela corrupção e reclamados pelo governo angolano, entre eles a usina Biocom.

Prisão de ex-primeiro-ministro de Portugal

José Sócrates e Lula da Silva | Foto: Reprodução

Há uma questão ainda envolta em muitas dúvidas, envolvendo Lula da Silva, José Dirceu, a telefônica brasileira Oi, a Portugal Telecom e o Banco do Espírito Santo, que foi o maior banco de Portugal, mas veio a falir.

O ex-primeiro-ministro português José Sócrates, muito ligado a Lula, chegou a ser preso por nove meses, em 2014, e responde a processos, acusado de corrupção em várias questões ainda não esclarecidas, embora digam respeito ao Banco do Espírito Santo, e possivelmente à Portugal Telecom, que foi sócia da Oi, numa compra e venda de ações não muito claras, que teriam sido intermediadas por José Dirceu. O fato é que foi a primeira vez, na história de Portugal, em que se deu a prisão de um ex-primeiro-ministro. Um caso que um dia, espero, conheceremos em toda a extensão.

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